Project-Based Learning na prática

janeiro 12, 2016 § Deixe um comentário

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No último ano, Project-Based Learning (ou simplesmente PBL) entrou no “radar” de muita gente envolvida, de uma forma ou outra, com educação (AQUI um compilado do que já produzi sobre o tema). Essa nova roupagem das ideias do John Dewey vem ganhando adeptos por estimular o aprendizado por meio da experiência prática – que por sua vez estimula a implementação do conhecimento aprendido – e aqui vale “lembrar” que conhecimento aplicado (ou implementado) é a base para a criação da propriedade intelectual, o “combustível” da economia nas próximas décadas do século XXI.

Mais do que uma “estratégia” educacional, Project-Based Learning está virando uma “estratégia” econômica por facilitar o aparecimento da “matéria-prima” principal que permitirá o “boom” econômico das próximas décadas: pessoas com capacidade de gerar propriedade intelectual.

Como tudo que “ganha” importância “da noite pro dia” – embora discorde pessoalmente dessa afirmação no caso das ideias do Dewey, defendidas há várias décadas aqui no Brasil por grandes pensadores como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro – o senso de urgência leva muitas vezes à interpretações e aplicações equivocadas, gerando a sensação de se estar construindo um avião em pleno voo. Fato que, obviamente, leva as pessoas a se questionarem se aquilo é realmente importante ou mais uma “modinha”.

Retomando a “resolução de ano novo” que citei no post anterior, penso ser importante trazer alguns pontos que ajudem a contextualizar os interessados a respeito de como acontece um PBL dentro de uma “sala de aula” (uso o termo por força do hábito, mas transcendam o significado para qualquer ambiente de aprendizado). Como todos precisamos de ideias e estratégias específicas para “ajudar” o nosso cérebro a “trabalhar” utilizando contextos diferentes dos que estamos acostumados, aí vão algumas que são utilizadas em um Project-Based Learning:

1) Diferenciação por equipes: todos sabemos (ao menos presumo) o quão bem funciona equipes heterogêneas, em que as diferentes habilidades dos integrantes se combinam para gerar resultados próximos a excelentes. Mas, algumas vezes, equipes homogêneas são mais eficientes em otimizar os resultados de um projeto. Por exemplo, em um projeto de PBL que envolva o aprendizado de literatura e interpretação de texto, é mais apropriado se diferenciar grupos por habilidade de leitura do que por interesse ou afinidade. Desta forma é possível identificar com mais facilidade os diferentes níveis de atenção que cada grupo requer e assegurar que os que tem mais dificuldade recebam a atenção necessária para que possam superar a sua lacuna. Acredito que a “criação” de uma equipe deve ser intencional. É preciso saber o “porquê” para que se possa pensar em “como” estruturar a equipe. Em um projeto de PBL, equipes podem ser um bom modo de se diferenciar a instrução, mas é preciso saber o porquê se quer diferenciar: por causa da habilidade acadêmica, habilidade colaborativa, habilidade socioemocional etc.

2) Reflexão e definição de meta: reflexão é um componente essencial (se não, o) de um PBL. No decorrer do projeto, os aprendizes devem constantemente refletir no trabalho que estão realizando e definir metas para os próximos passos. É uma grande oportunidade para que personalizem suas metas de aprendizado e para que os seus professores personalizem a instrução de acordo com essas metas. Antes que alguém possa “confundir” isto como uma “aula particular” para cada um dos 50 alunos de uma classe (na minha época de escola, chamávamos de “turma”), vamos “clarificar” com um exemplo. Em um momento pré-determinado de um projeto, um professor pode promover uma reflexão com sua classe a respeito do que aprenderam até o momento em matemática e ciências e definir em conjunto declarações de metas a respeito do que ainda irão aprender – aqui o equilíbrio entre o que devem e o que querem aprender é fundamental, em um PBL o aprendiz também é “construtor” do aprendizado. O professor então projeta as atividades de apoio ao aprendizado dos alunos levando em consideração tanto o que querem quanto o que precisam saber.

3) Miniaulas e recursos: além de ser uma ótima estratégia de gestão para evitar perda de tempo em sala de aula, as miniaulas são uma boa maneira de diferenciar o ensino. Como focam um conceito específico em um tempo reduzido, é possível utilizá-la para ensinar aos alunos a empregar de maneira mais assertiva uma variedade de recursos que podem ajudá-los a aprofundar o conceito visto (incluindo vídeos, jogos e leituras). Imagine o impacto de centenas de miniaulas durante um período de aprendizado, estimulando os aprendizes a desenvolverem sua habilidade de metacognição. Imagine esse processo acontecendo durante os anos de formação educacional de uma pessoa. Imaginou? Agora, tente comparar mentalmente alguém com essa habilidade em relação a alguém sem ela. Esta é a lacuna que países (e pessoas) terão que enfrentar em alguns anos – minha “aposta” é em 15 anos, quando a primeira geração de finlandeses formada exclusivamente sob a orientação de um currículo destinado a estimular a metacognição entrar no mercado de trabalho.

4) Voz e escolha: outro componente essencial em um projeto de PBL é a “voz” e a “escolha” do aprendiz, tanto em relação ao que “produz” quanto em como usa seu tempo. Especificamente em relação à comprovação do aprendizado, é possível dar opção ao aprendiz para que possa mostrar o que sabe de diversas formas. Vou usar este termo (comprovação) e não avaliação para não restringir o pensamento de quem tem interesse em desenvolver um Project-Based Learning. Composição de dissertações ou utilização de componentes artísticos ou teatrais podem substituir a boa e velha prova com maestria. É claro que tudo depende dos critérios e indicadores que se queira checar, mas se escolhermos verificar o entendimento ao longo do caminho, fica mais fácil avaliar formalmente de maneira diferente do modo tradicional quando desejarmos. Pode ser em forma de uma palestra do aprendiz ou uma série de respostas escritas ou então, por meio de um trabalho gráfico ou colagem, o mais importante é que essas comprovações permitam checar o status do aprendizado e diferenciar o tipo de instrução necessária para a etapa seguinte.

5) Equilíbrio entre trabalho em equipe e individual: trabalho em equipe e colaboração acontecem de maneira regular em um projeto de PBL, pois se quer estimular a aplicação do conteúdo. Mas há horas em que aprendizado individual e prática de exercícios são necessários. Project-Based Learning não significa “jogar fora” o método tradicional de aprendizado e sim associar diferentes métodos para estimular o aprendizado pela prática. É preciso diferenciar o ambiente de aprendizagem porque alguns alunos aprendem melhor por conta própria, enquanto outros aprendem melhor em conjunto ou por meio de instrução direta. A bem da verdade é que todos nós precisamos de tempo para processar e pensar sozinhos, tanto quanto precisamos de tempo para aprender com nossos pares. Portanto, equilibrar os métodos de estímulo ao aprendizado é fundamental para encorajar um ambiente colaborativo e que, ao mesmo tempo, atenda os estudantes em uma base individual.

Como a prática leva à perfeição, a medida em que se for implementando projetos de PBL, se descobrirá não apenas como adequá-lo à “realidade brasileira” (ou portuguesa, angolana, moçambicana, cabo-verdiana, americana, etc), mas também como adequá-la à realidade da “turma” de aprendizes.

Infográficos Flipped Classroom e Project-Based Learning

junho 11, 2015 § 1 comentário

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Acredito no poder do compartilhamento, inclusive esse foi o conceito que me motivou a lançar alguns anos atrás esse espaço. Como mais uma forma de partilhar o que tenho aprendido, resolvi “abrir” uma nova página no site para disponibilizar materiais originais, frutos dos meus estudos. É a seção “Publicações” que pode ser acessada pelo menu aí do lado esquerdo.

A primeira “publicação” disponibilizada é um kit de infográficos com 2 modelos educacionais que têm chamado muito a minha atenção: Flipped Classroom e Project-Based Learning. O primeiro, estimula o desenvolvimento do pensamento crítico (que é entender o mundo à volta e a sua relação com ele) e o segundo, o pensamento reflexivo (criar algo novo a partir do seu conhecimento). Os infográficos trazem o passo a passo para implementar tanto um quanto o outro.

Como o que é de graça nem sempre é valorizado, na “minha mão” sai pelo módico preço de… 1 compartilhamento. Pode ser via Twitter, um post no Facebook ou um post no LinkedIn, você escolhe a melhor forma. Aqui devo um agradecimento especial ao meu amigo Illan Sztejnman pela ideia.

Você pode baixar pela seção ou neste post, ambos clicando no botão abaixo. Ah, quem puder, me dê um feedback do material (na seção “O Escritório” tem um formulário de contato).

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Project-based learning

março 9, 2015 § Deixe um comentário

O tema dessa edição do Spotlight da Education Week é o project-based learning, defendido pelo John Dewey lá pelos idos de 1902 e que ganhou força agora no século XXI, com a inclusão da internet e das redes sociais nos processos de aprendizado e de novas plataformas, como as baseadas no conceito de translearning (abordado em 2 posts antigos, disponibilizados nos links https://tibau.org/2011/05/28/translearning-parte-1/ e https://tibau.org/2011/06/05/translearning-parte-2/).

Para quem não está familiarizado ainda com o assunto, sugiro a leitura. Geralmente o Education Week pede um rápido cadastro para liberar os seus materiais.

http://www.edweek.org/ew/marketplace/products/spotlight-on-project-based-learning.html?cmp=SOC-EDIT-GOO&utm_content=bufferd25da&utm_medium=social&utm_source=plus.google.com&utm_campaign=buffer

Criar, aprender e se fazer as perguntas certas

julho 21, 2016 § Deixe um comentário

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Criar é tão antigo quanto aprender. De ferramentas de pedra a desenhos nas cavernas, a criação humana se confunde com a própria atividade da nossa espécie. Podemos afirmar, com pouca dúvida, que “está em nosso sangue”. Por que então nosso sistema educacional – com raras exceções – se preocupa tanto com o conceito, muitas vezes em detrimento da própria aplicação prática? Talvez a resposta esteja em nossas próprias diretrizes educacionais.

A Lei 9.394/1996, também conhecida como “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”, estipula em seu artigo 32 os objetivos do ensino fundamental, que se inicia aos 6 anos de idade e tem duração de 9 anos. Como é um pouco longo, sugiro que quem tiver interesse de lê-lo na íntegra, baixe gratuitamente o livro “Legislação Brasileira sobre Educação”, editado pela Câmara dos Deputados. De qualquer forma, um pequeno resumo se faz necessário: temos como objetivos desenvolver a capacidade de aprendizado (leitura, escrita e cálculo como elementos para tal) e de aprendizagem (conhecimento, habilidades, atitudes e valores), a compreensão do ambiente da sociedade e o fortalecimento dos vínculos sociais. Com exceção de uma referência tímida ao desenvolvimento de habilidades (que está ligada à implementação), a maior parte dos objetivos do sistema educacional brasileiro está ligado diretamente à conceptualização (tanto no aprendizado quanto na socialização). Para facilitar o entendimento, dou como exemplo o ensino de literatura. Muito provavelmente, se estivermos aprendendo literatura, seremos orientados a ler determinados livros e nosso entendimento da narrativa literária será avaliado por meio da nossa capacidade de conceptualização dela (redação, prova, etc.). Dificilmente seremos instigados a “implementar” a narrativa, por meio da encenação de uma peça, por exemplo.

Pensadores educacionais como Johann Pestalozzi, Maria Montessori, Seymour Papert –  além dos nossos próprios Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro –  ajudaram a pavimentar o caminho alternativo do que vem sendo chamado atualmente de “maker movement”  (movimento criador ou fabricante), salientando a importância da aprendizagem significativamente centrada na implementação prática do conhecimento. Ao invés de verem a aprendizagem como a transmissão de conhecimentos de professor para aluno, esses pensadores abraçaram a ideia de que os seres-humanos aprendem melhor quando encorajados a descobrir, reproduzir e experimentar.

No coração do “movimento”, está a crença de que todos os alunos são criadores. Em vez de apenas receberem materiais que estimulem a memorização para testes, os aprendizes são incentivados a usar o que sabem para projetar e construir, seja utilizando objetos do cotidiano para explorar a tecnologia ou usando uma impressora 3D para construir uma prótese mecânica para uma criança. Colocar a “mão na massa” tem um papel fundamental nesse processo, tanto que o local de aprendizado se parece mais com uma oficina do que com uma sala de aula. Apostilas ou livros didáticos são mais propensos a serem utilizados como referência – uma ferramenta para ajudar os alunos a experimentarem e construírem – ao contrário das aulas tradicionais, onde memorizar o livro muitas vezes é o próprio objetivo.

Um dos métodos mais utilizados nesta metodologia é o project-based learning (aprendizado baseado em projetos), que abordei em outros textos (quem se interessar, um link compilatório). O citei apenas como referência, o que gostaria realmente de abordar a seguir é a mentalidade envolvida no processo. Mais do que ferramentas ou tecnologia, a metodologia incentiva o aprendiz a formular as próprias perguntas e perseguir as respostas de forma orgânica. Em contraste com a abordagem da “única resposta correta”, a mentalidade envolve a busca de maneiras de se aproximar dela através da experimentação e a “jogar” com as possíveis resoluções dos problemas. Os erros são entendidos como parte da aprendizagem, uma vez que incentivam os aprendizes a ultrapassarem os limites das suas capacidades atuais. Como todo bom cientista entende, cada erro cometido é uma oportunidade de incorporar o que foi aprendido com ele e a testar uma nova maneira de resolver os desafios – muitos deles, nem previstos anteriormente. Em uma cultura educacional que coloca um enfoque excessivo em provas conceituais, há um alto risco de se formar adultos focados em encontrar as “respostas certas”, quando deveriam pensar prioritariamente nas “perguntas certas”.

O questionamento é uma forma poderosa de aprendizagem. Barron e Darling-Hammond, em pesquisa publicada em 2008, mostram que os alunos aprendem de maneira mais profunda quando têm a oportunidade de aplicar conhecimentos adquiridos em sala de aula nos problemas do mundo real. Fazer perguntas fornece contexto, que por sua vez, ajuda a reforçar a aprendizagem.  Isto acontece, porque desta forma quem aprende é estimulado a transferir a sua aprendizagem para novos tipos de situações, incluindo aquelas que ocorrem fora da sala de aula.

Como a maioria de nós, fui criado em um modelo educacional que estimula a conceptualização excessiva e tive muita dificuldade em colocar “na vida real” o que aprendi no colégio e na faculdade. Felizmente, encontrei em minha vida profissional pessoas que me incentivaram a pensar em formas de aplicar o que sabia e tiveram a paciência de não me demitir quando algo não saia como deveria. Confesso que tive sorte e que esta não é a realidade da maioria, portanto o quanto antes se comece a incentivar a aplicação do conhecimento, melhor para a sociedade.

Para melhor fluidez do texto, evitei colocar as referências acadêmicas do “maker movement”. Corrijo isto, compartilhando a bibliografia logo abaixo para quem tiver interesse em explorar mais a metodologia.

Bibliografia

Edtech – Design Thinking

outubro 13, 2015 § Deixe um comentário

O termo “Edtech” vem sendo cada vez mais usado para se referir ao uso da tecnologia em educação. Como é geralmente o caso quando se trata de tecnologia, colocar a “mão na massa” e implementar é o caminho para se descobrir novos usos. Nessa hora, poder se beneficiar da experiência alheia ajuda a “cortar caminho” e ser mais assertivo na hora de escolher a ferramenta mais adequada a sua situação.

Pretendo compartilhar neste e nos próximos posts o uso de algumas tecnologias e conceitos aplicados a elas que têm ajudado bastante a estimular o engajamento de aprendizes. Todas são baseadas em estudos de casos, revisão bibliográfica e documentação de uso (estilo “tentativa-e-erro”) para dar um maior embasamento ao exemplo. Citarei, obviamente, as fontes caso alguém queira se aprofundar no tema.

O primeiro que tratarei é o Design Thinking.  Para quem não está familiarizado com o termo, Design Thinking é um método usado por várias indústrias – em especial a de tecnologia – para pensar em soluções de maneira integrada, sem focar especificamente no problema e sim no seu objetivo-macro (“pra que eu quero resolver isso mesmo?”). Esse enfoque leva a duas características do conceito: a primeira é ter o usuário no centro da questão (e não o problema em si). A segunda é uma abordagem interdisciplinar.

Em educação, o Design Thinking tem sido usado associado ao modelo project-based learning (aprendizado baseado em projetos) para redefinir a atitude dos aprendizes em relação ao próprio aprendizado. Um bom exemplo vem do instituto “West Michigan Center for Arts + Technology” (na sigla em inglês – WMCAT) que montou um programa para os estudantes das escolas públicas da região desenvolverem, fora do horário de aulas, soluções que possam beneficiar a comunidade em que vivem. Utilizam a dobradinha Design Thinking + Project-based learning para “misturarem” arte e tecnologia nas suas propostas de projetos e os colocam em prática por meio de equipes, de 12 estudantes cada, durante o ano letivo.

Segundo Kim Dabbs, diretora do WMCAT, a dobradinha proporciona:

  • Projetos desenvolvidos e liderados pelos próprios estudantes, estimulando o engajamento ao permitir que escolham os próprios temas de trabalho, os times e parceiros com quem trabalharão e conduzam eles mesmos os trabalhos;
  • Oportunidades para introduzir pequenos desafios ao longo do caminho que permite aos professores repassar técnicas artísticas e de desenvolvimento tecnológico, com base nas próprias ideias dos estudantes;
  • Oportunidade para aprender na prática o que é e como utilizar o Design Thinking.

O site da WMCAT traz informações adicionais a respeito do projeto e a própria Kim Dabbs conta um caso prático do desenvolvimento de um aplicativo para celular feito pelos próprios estudantes.

Como integrar tecnologia à educação?

agosto 11, 2015 § 3 Comentários

Esta é uma pergunta que tenho ouvido muito em conversas e debates sobre o tema que tenho participado. Alguns acreditam que a tecnologia possa ter um papel mais importante, outros nem tanto, mas a maioria concorda que vale a pena olhar com um pouco mais de atenção o assunto.

O que respondo com frequência é o que costumo reforçar quando sou questionado a respeito da implementação de algum novo modelo educacional, como por exemplo aprendizado baseado em projetos (project-based learning) ou classe de aula invertida (flipped classroom): modelos educacionais são propostos como opções e não tanto como alternativas. Não se deve basear um projeto educacional (ou um sistema educacional) em apenas um modelo, eles funcionam melhor em associação. Aprendizado baseado em projetos pode e deve ser usado em conjunto com o modelo tradicional (ou construtivista, aristotélico, etc). O mesmo ocorre com a tecnologia.

Alguns exemplos do uso de tablets em aulas mostram que o equipamento funciona melhor como ferramenta de trabalho. O caso da escola suíça Zurich International School, que distribuiu Ipads aos seus alunos mostra que o importante não é o conteúdo que os aprendizes colocam no tablet e sim o que fazem com o equipamento. É usado como filmadora, gravador e “caderno de anotação” multimídia.

Em uma escola do subúrbio da cidade de Washington, a Buck Lodge Middle School, os estudantes usam tablets para gravar vídeos, criar apresentações e usar aplicativos educacionais como parte de suas atividades, com bons resultados. As escolas da região que utilizam a ferramenta tiveram um rendimento 175% melhor em matemática do as que não utilizam e um aumento de 35% no número de estudantes que atingiram o nível avançado de leitura.

Para entender como um tablet pode auxiliar um ambiente educacional, um pesquisador da Universidade de Adelaide na Austrália, Allan Carrington, desenvolveu a “Roda (i)Padgógica” (perceberam o trocadilho? Incluí o “i” para facilitar), utilizando a Taxonomia de Bloom, o modelo SAMR (já publiquei um post sobre ele) e uma lista de aplicativos educacionais.

O ponto principal da Roda (a imagem abaixo) é a definição de critérios para os aplicativos.

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Uns funcionam melhor para estimular o entendimento a respeito de algo, outros para a lembrança, um outro grupo para aplicar o que foi aprendido, um quarto para estimular a análise, outro para a avaliação e um último para a criação de algo utilizando o conhecimento aprendido. Definir estes critérios e associar os aplicativos apropriados é essencial para que o tablet realmente possa cumprir o seu papel de ferramenta. Não adianta oferecê-lo apenas como repositório de apostila ou como ferramenta livre. Acabará sendo usado da forma como a maioria está acostumada a utilizá-lo, como entretenimento.  Por enquanto a “Roda (i)Padgógica” está disponível apenas em inglês. Pretendo trabalhar uma versão dela em nosso idioma assim que tiver disponibilidade para tal. De qualquer forma, disponibilizo o link para quem quiser acessar ao pdf original com as indicações dos critérios e aplicativos associados até o momento.

É inevitável que a tecnologia assuma cada vez mais um papel, ouso dizer, predominante no dia a dia de uma sociedade realmente integrada ao século XXI. É inevitável porque facilita a vida de quem a utiliza. Brigar contra inovações como Uber, por exemplo, é o mesmo que combater monstros imaginários na forma de moinhos como fazia o Don Quixote na obra mágica de Cervantes. Lembro da minha mãe dizendo há uns 30 anos que todos da família tínhamos que aprender a “mexer no computador” para não sermos “analfabetos digitais”. É claro que usar ou não a tecnologia em um ambiente educacional não é uma decisão com resultados tão dramáticos quanto às palavras da minha mãe, mas certamente quem tiver a oportunidade irá se beneficiar bem mais do que quem não tiver.

O que a Finlândia tem?

junho 25, 2015 § Deixe um comentário

Foi com muita alegria que li a reportagem publicada nessa semana pela revista Veja a respeito da revolução educacional promovida pela Finlândia. O artigo aborda alguns temas que discuti neste espaço nos últimos meses, em especial coding (como exemplo de integração de disciplinas), project-based learning e empoderamento de alunos e professores (não por acaso temas dos 3 posts da série a respeito da conferência Education on Air). O segundo, tema também do infográfico que disponibilizei a respeito do passo a passo de implementação de uma ação de project-based learning).

Nunca é pouco repetir que para nos integrarmos de verdade ao século XXI, será necessário mudarmos nossa percepção a respeito do que é educação e como investir nela. Mais do que nunca, devemos privilegiar modelos educacionais que estimulem as pessoas a aprenderem a aprender e não os focados em disciplinas e no seu repasse. Aqui, vale o conceito de antidisciplina do Mitchel Resnick (“antidisciplinary” no original) em que nenhum conhecimento é rotulado e empacotado, você estuda o que precisa estudar, não importa a sua especialização.

Também não é pouco repetir que para “criar” propriedade intelectual, é preciso dar “valor” ao conhecimento (no sentido de reconhecimento, importância e consideração que o substantivo tem) e àqueles que possibilitam o seu compartilhamento. Desnecessário dizer que recomendo (e muito) a leitura do artigo (quem quiser, pode acessá-lo AQUI).

Aproveito ainda para deixar meu agradecimento pelas 3.517 visualizações dos 1.541 visitantes do site nos últimos meses (estatísticas do dia 24/06).

Publicações

junho 9, 2015 § 5 Comentários

compartilhar

O objetivo dessa página é ser um local de distribuição de conhecimento. Aqui disponibilizo materiais originais, desenvolvidos com muito zelo para partilhar o que sei. Fique a vontade para acessar e (principalmente) compartilhar.

ARTIGOS CIENTÍFICOS:

7. TIBAU, Marcelo; SIQUEIRA, Sean; NUNES, Bernardo Pereira. A comparison between Entity-Centric Knowledge Base and Knowledge Graph to Represent Semantic Relationships for Searching as Learning Situations. Anais dos Workshops do Congresso Brasileiro de Informática na Educação, [S.l.], p. 823, nov. 2019. ISSN 2316-8889. Disponível em: <https://br-ie.org/pub/index.php/wcbie/article/view/9032>.doi: http://dx.doi.org/10.5753/cbie.wcbie.2019.823.

Abstract: Searching the web with learning intent, known as Searching as Learning (SaL), consists on learners to use Web search engines as a technology to drive their learning process. However, it may be difficult to users to find out relevant information online due to an inability to accurately specify their information need, a situation known as Anomalous State of Knowledge (ASK). To minimize the ASK situation, the continuous flow of data gathering and interaction between user and the search results could be used by search engines to tailor learning-intent search experience. It requires Web search engines to identify such intent and they may use linked data, Knowledge Bases and Graph Databases in order to recognize the meaning of query terms and keywords and use them to predict learning intent. In order to explore the possibility of semantic data structures to represent knowledge that could aid a learning-driven Web search engine to recognize learning intention from user’s queries, the present paper compared the performance of two different types of data structures based on entity-centric indexing to identify properties and semantic relationships. One was a knowledge base that used a entity-centric mapping of Wikipedia categories and the other was the KBpedia Knowledge Graph. The entity ranking and linking of both were analyzed and we discovered that the knowledge graph could identify about three times more properties and relationships.

6. PINELLI, Cleber; TIBAU, Marcelo; SIQUEIRA, Sean. Google, se reordene e me ajude a aprender: Critérios de relevância para reordenar resultados de busca como um processo de aprendizagem. Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação – SBIE), [S.l.], p. 576, nov. 2019. ISSN 2316-6533. Disponível em: <https://br-ie.org/pub/index.php/sbie/article/view/8762>. doi: http://dx.doi.org/10.5753/cbie.sbie.2019.576.

Abstract: As ferramentas de busca podem auxiliar as pessoas na condução de tarefas de aprendizagem informal, contudo os critérios usados para o ranqueamento de seus resultados estão voltados a prover respostas factuais e pouco processuais. Neste contexto, este artigo apresenta critérios de relevância, baseados em teorias de aprendizagem, para apoiar uma reordenação dos resultados da busca quando há intenção de aprendizado. Para avaliar a aplicabilidade da proposta, foi utilizado um questionário contendo um comparativo entre exemplos de páginas de resultado de busca da Google e sua versão modificada. A pesquisa evidenciou que o resultado reordenado foi melhor aceito, sobretudo por aqueles que possuem maior habilidade de busca. Isto pode ser um indicativo de que reorganizar o resultado de buscas com base em teorias de aprendizagem pode apoiar a aprendizagem informal.

5. M. Tibau, S. W. M. Siqueira, B. Pereira Nunes, T. Nurmikko-Fuller and R. F. Manrique, “Using Query Reformulation to Compare Learning Behaviors in Web Search Engines,” 2019 IEEE 19th International Conference on Advanced Learning Technologies (ICALT), Maceió, Brazil, 2019, pp. 219-223.
doi: 10.1109/ICALT.2019.00054
keywords: {query reformulation;query states;searching as learning;Web search engine;exploratory search;knowledge-intensive process},
URL: http://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=8820932&isnumber=8820810

Abstract: Web search engines have gained importance as tools capable of connecting informal and self-learning with formal learning by aiding individuals in retrieving relevant information through the formulation and modification of their queries. Understand the differences between query states and their transitions becomes increasingly important, as doing so makes the optimization of search engines’ results according to educational uses and needs possible. This paper introduces the ESKiP Taxonomy of Query States, a classification framework validated in an experiment involving two different query log datasets. It enables the comparison between the behaviors of users in search for knowledge (learners) and users performing transactional or factual searches in Web search engines.

4. Marcelo Tibau, Sean W. M. Siqueira, Fernanda Baião and Bernardo Pereira Nunes. 2018. Exploratory Search as a Knowledge-intensive Process. Euro American Conference on Telematics and Information Systems (EATIS ’18), November 12–15, 2018, Fortaleza, Brazil, 8 pages.

Abstract: This paper presents an exploratory search model capable of assisting the visualization of search patterns and clarifying best practices associated to users’ decision-making process, with implications in areas related to information retrieval, human-computer interaction, Web searching and educational technology. The Exploratory Search Knowledge-Intensive Process model considers tasks and search activities as part of a chain of actions that help clarify the reasons why a subject is searched. It also supports the visualization on how the information retrieved is used to define decision criteria about which data is worth extracting, to draw inferences, and to create a shortcut to understanding.

DOI: https://doi.org/10.1145/3293614.3293618

3. ALMEIDA, R. S. ; SIQUEIRA, S.W.M. ; TIBAU, M., QUEIROZ, J.. A Correlation Index Between Two Different Text and Web Resource Classification Systems. In: 9th Euro-American Conference on Telematics and Information Systems (EATIS 2018), 2018, Fortaleza. PProceedings of the Euro American Conference on Telematics and Information Systems. Article No. 43

Abstract: Classifying content on the Web has been a common subject of research, since the amount of available data on the Web, especially in text format, grows every day. In this paper it is proposed a correlation index to measure how close a classification system based on Wikipedia categorization is of a service provided by Watson IBM that has the same purpose: text and resourceclassification on the Web.

DOI: 10.1145/3293614.3293652

2. Tibau, M. ; Siqueira, S.W.M. ; Nunes, B. P. ; Bortoluzzi, M. ; Marenzi, I. ; Kemkes, P. . Investigating users’ decision-making process while searching online and their shortcuts towards understanding. In: 17th International Conference on Web-based Learning, 2018, ChiangMai. Advances in Web-Based Learning (ICWL 2018), 17th International Conference, 2018.

Abstract: This paper presents how we apply Exploratory Search KiP model, a model capable of assisting the visualization of search patterns and identifying best practices associated to users’ decision-making processes, to log analysis and how it helps understand the process and decisions taken while carrying out a search. This study aims to model searches performed through web search tools and educational resources portals, to enable a conceptual framework to support and improve the processes of learning through searches. Applying the model to log analysis, we are able: (1) to see how the information retrieved is used to define decision criteria about which data are worth extracting; (2) to draw inferences and shortcuts to support understanding; (3) to observe how the search intention is modified during search activities; and, (4) to analyze how the purpose that drives the search turned into real actions.

DOI: doi.org/10.1007/978-3-319-96565-9_6

1. Tibau, M., Siqueira, S.W.M., Nunes, B.P., Marenzi, I., Bortoluzzi, M.: Modeling exploratory search as a knowledge-intensive process. In: 2018 Proceedings of the 18th IEEE International Conference on Advanced Learning Technologies (ICALT 2018), Mumbai. IEEE, New York (2018).

Abstract: Searching as Learning and Information Seeking require exploratory search to be modeled for supporting learning. The present paper introduces a model of exploratory search that was applied on web searching in language teacher education, which promoted its evolution and validation, and enabled a visualization of search pattern and learning process. This model was able to help clarify best practices associated to users’ decision-making process regarding suitable and not suitable information and to capture the relevance of context variables, personal skills and expertise that users utilize as filters for the search.

DOI: 10.1109/ICALT.2018.00015

MASTER THESIS: Understanding web search patterns through exploratory search as a knowledge-intensive Process. [PDF]. MTV Dias – 2019 – repositorio-bc.unirio.br

Abstract: As data grows exponentially and the Web encompasses most part of the knowledge Human Beings create the seeking for intelligent information systems capable of going beyond keyword searches increases …

Resumo: À medida em que os dados na Web crescem exponencialmente e abrangem a maior parte do conhecimento produzido pela humanidade, a busca por sistemas de informação inteligentes capazes de irem além das buscas por palavras-chave aumenta …

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LIVRO: Conexão do Conhecimento – Conectar para gerar ideias, inovações e aprendizado

Por: R$ 40,43   (ebook: R$ 20,21)
ISBN: 978- 85-7773-840-3   ISBN (ebook): 644-00-0000-002-4
Formato: 14×21
N° de páginas: 156

Estamos em uma nova era da história da humanidade, saímos da Idade Contemporânea e entramos na Idade do Conhecimento. Ela se define por um fato muito simples, é cada vez mais fácil gerar algum tipo de conhecimento e distribuí-lo. Portanto, as pessoas, empresas e países que irão se destacar, serão aquelas que criarem consistentemente propriedade intelectual, conhecimento aplicável. Ao contrário do que se possa imaginar, o que vai crescer não é o conceito do Gerenciamento de Conhecimento e sim o da Conexão do Conhecimento, mesmo porque conhecimento não se gerencia, se difunde. O fato é que uma pessoa só vai compartilhar a sua experiência, que é o que a faz importante individualmente, se achar que vai contribuir e muito para a sua vida. E outra pessoa só vai querer aprender o conhecimento compartilhado por alguém, se este for relevante pra ela. Isso é Conexão e é sobre ela que se trata este livro.

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IMAGENS E ESQUEMAS: Conexão do Conhecimento 

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REPORT #1: 

A Era da Inovação 

Análise do estudo de Robert J. Gordon a respeito do constante fluxo de inovação que revolucionou o modo de vida do mundo entre 1870 e 1970. O download do arquivo é gratuito, para tal basta clicar no ícone abaixo.

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INFOGRÁFICO N° 2: 

Learning Analytics

Infográfico com o processo do modelo Learning Analytics. Disponibilizado originalmente por OpenColleges e adaptado para o português por tibau.org. O download do arquivo é gratuito, para tal basta clicar no ícone abaixo.

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INFOGRÁFICO N° 1: 

Flipped Classroom / Project-Based Learning 

kit de infográficos com 2 modelos educacionais: Flipped ClassroomProject-Based Learning. O primeiro, estimula o desenvolvimento do pensamento crítico (que é entender o mundo à volta e a sua relação com ele) e o segundo, o pensamento reflexivo (criar algo novo a partir do seu conhecimento). Os infográficos trazem o passo a passo de implementação dos 2 modelos.

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STEM e a gente

maio 28, 2015 § Deixe um comentário

STEM é o acrônimo para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (em inglês, science, technology, engineering e mathematic). O termo é utilizado para nomear políticas educacionais e curriculares feitas especificamente para as áreas. O interesse vem crescendo em diversos países pelo fato da maioria das projeções para criação de vagas de emprego no mundo, sinalizarem um aumento para os 4 campos. Não por acaso, são os campos de trabalho que mais geram inovação. Vale também uma explicação específica do termo “engenharia”. No Brasil, geralmente o relacionamos à engenharia civil, mas ele é mais amplo abarcando cerca de 30 tipos de engenharia, incluindo da computação, ambiental, elétrica, etc. O que une todas é o fato de serem ciências exatas.

stem jobs graph

Outro ponto importante é o fato do pensamento criativo ser uma das habilidades básicas destas profissões, portanto um currículo baseado nas 4 áreas estimula o seu desenvolvimento e impacta o sistema educacional como um todo. Alguns consideram o currículo baseado em STEM o benefício mais importante que uma “escola moderna” pode oferecer aos seus alunos.

Mas, o que isso tem a ver com a gente? A lei das diretrizes e bases da educação (lei 9394 de 1996) define que os estabelecimentos de ensino são responsáveis por “elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Isto quer dizer que é incumbência de cada escola e instituição de ensino no Brasil definir o seu currículo, metodologia e método de ensino. Liberdade total, no papel. Há um porém, devem necessariamente respeitar “as normas comuns e as do seu sistema de ensino” que trocando em miúdos quer dizer que devem seguir as orientações dadas pela União, Estados e Municípios, o que muitas vezes limita a “liberdade” da escola. De qualquer maneira ainda há muito espaço para trabalhar, principalmente nos quesitos metodologia e método de ensino.

Nos EUA há uma linha orçamentária federal destinada a estimular a implementação de um currículo baseado em STEM nas escolas públicas e algumas delas já encorajam seus alunos a construírem robôs e ferramentas, usando tecnologias como impressoras 3D. Aqui no Brasil há iniciativas voltadas à formação dos professores das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática para que possam preparar alunos de escolas públicas para a faculdade e uma carreira mais próspera, como a promovida pela organização STEM Brasil.

O que une as duas iniciativas (americana e brasileira)? A metodologia baseada em projetos (project-based learning) que comentei alguns posts atrás. Fica a dica para nossas escolas se inteirarem mais a respeito da obra do John Dewey.

Educação no ar – parte 2

maio 18, 2015 § 1 comentário

2. Project-based learning

Foi o método educacional mais debatido durante as conferências. Um dos motivos é o fato da maioria dos participantes do evento serem de língua inglesa e esses países são muito influenciados pelo trabalho do John Dewey (já o citei em posts anteriores). John Dewey representa para eles o que Paulo Freire e Darcy Ribeiro representam para nós, brasileiros, um patrono educacional.

O enfoque do John Dewey estava ligado à ideia de que o sistema educacional deveria ser centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem, como forma de ligar o aluno ao seu meio social. Aqui no Brasil esse enfoque ficou conhecido como Escolanovista ou Progressista. Project-based learning nada mais é do que a releitura atual das ideias de Dewey e tem o objetivo de provocar o aprendizado por meio da experiência gerada pelo desenvolvimento de projetos. Para tangibilizar o conceito, vou compartilhar alguns casos apresentados.

Uma escola em San Diego, na Califórnia, precisava reformar a biblioteca. Organizou então um projeto com os alunos para levantar o dinheiro, que envolvia a abertura de um Food Truck. Os alunos tiveram que se organizar e tocar o projeto, levantando desde as licenças necessárias na prefeitura, até resolver como o Food Truck seria adquirido e administrar o negócio. Durante o projeto, tiveram que desenvolver habilidades como empreendedorismo, negociação, matemática financeira, contabilidade, culinária, dentre outras (olha a interdisciplinariedade aí, na prática).

Há 3 anos, uma adolescente, Brittany Wenger (na época com 17 anos), ficou muito abalada com o câncer de mama desenvolvido por uma prima. A partir daí, quis saber mais a respeito da doença e começou a trabalhar com o seu professor de biologia para aprender tudo o que pudesse sobre o câncer e o funcionamento do seio feminino. A medida que seu conhecimento sobre o assunto aumentava, deu início a um “projeto” pessoal, queria desenvolver uma ferramenta que ajudasse na identificação do câncer de mama. Foi estudar programação no próprio colégio e desenvolveu um aplicativo chamado “cloud4cancer” que ajuda a determinar se a massa encontrada no seio, em um exame do toque, é maligna ou benigna, por meio de um algorítimo que analisa os padrões da imagem em todos os bancos de dados públicos disponíveis nos EUA sobre o assunto.  Acuracidade da resposta bate a casa dos 99%. Brittany, hoje com 20 anos, cursa a faculdade de programação.

O Project-based learning permite que se coloque em prática uma dica dada pelo Laszlo Bock, que é o Diretor de RH da Google (ou como eles chamam por lá, Google’s People Chief). Ele disse, “don’t trust your guts”, algo como “não confie nos seus instintos”, a frase, colocada no contexto correto, significa que não devemos nos basear no “achômetro”, é preciso praticar e testar para saber se uma ideia vai dar certo, ou seja, ter experiência.

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