Para explorar o universo open source educacional

dezembro 15, 2015 § Deixe um comentário

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Apesar da grande disponibilidade, o fato é que a qualidade dos materiais educacionais na internet varia muito. Alguns são excelentes, outros passáveis e muitos dispensáveis. Conhecer alguns critérios usados em curadoria digital pode ajudar muito na hora de separar o “joio do trigo”.

Gostaria de compartilhar 3 deles – peço que considerem como dicas para avaliar um material ou como metas, se por acaso estiver interessado em desenvolver um recurso / ferramenta educacional open source.

1) O material deve encorajar quem o acessa a querer criar e não apenas “consumir”: deveríamos considerar um material educacional (ou ter a intenção de deixá-lo) tão atrativo quanto uma peça de comunicação, mas sem nunca esquecer que os dois possuem objetivos diferentes – o segundo é atrair uma “audiência”, o primeiro é estimular um aprendizado. Deixar o aprendiz com aquela vontade de colocar em prática o conhecimento disponibilizado é a maior prova da qualidade de qualquer material que pretenda minimamente ser chamado de didático.

2) O material deve estimular o aprendiz a interagir com ele: aprendizado não é algo passivo, em que ficamos “parados” sendo “bombardeados” com informações e conhecimentos. Temos que interagir com o que recebemos para podermos, de verdade, nos apropriar deles. Por exemplo, sou mais atraído por ebooks ou tutoriais online que me permitam clicar, deslizar, escrever, arrastar, enfim, “mexer”. Interatividade gera um engajamento maior.

3) O material deve encorajar compartilhamentos, comentários e colaboração: autoaprendizado não significa aprender sozinho, significa saber aprender por conta própria. Aprender por conta própria envolve conhecer o próprio perfil de aprendizagem, envolve planejar o próprio aprendizado, envolve buscar os assuntos e os recursos mais apropriados para a sua necessidade. Nada do que citei envolve necessariamente se “trancar” no quarto ou na biblioteca com o rosto em frente a uma tela de computador (ou página de livro). Um processo de aprendizagem não é uma viagem fácil, sem “turbulência”. Haverá momentos de cansaço, de desinteresse, de não entendimento e de frustação. Compartilhar e colaborar com outros na mesma situação não só aumenta a possibilidade de retenção do que foi visto, aumenta também a motivação para continuar seguindo em frente. Tendo isto em mente, um recurso / ferramenta educacional open source deve dar possibilidade aos aprendizes de compartilharem exemplos, experiências e receberem feedback, nem que seja em um nível mínimo.

Um OER (Open Education Resource) é de extrema importância para aqueles que querem exercer o autoaprendizado, mas sua força e impacto podem ser melhor sentidos quando utilizados por um educador como recurso de ensino, seja em um contexto formal ou informal. Essa “dobradinha” – professor e OER – tem o potencial de mudar completamente a percepção que temos do que é (boa) educação.

Open Education Resources

dezembro 8, 2015 § Deixe um comentário

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Também conhecido pela sigla OER. Nada mais é do que “coisas de graça na internet que se pode usar para aprender”. Apesar da minha definição “meio tosca”, OER tem sido tratada como coisa séria por várias instituições que estimulam o autoaprendizado, como por exemplo a “The William and Flora Hewlett Foundation”.

A base da OER reside em recursos de ensino, aprendizagem e pesquisa que estão em domínio público ou que tenham sido publicados sob uma licença de propriedade intelectual que permite a sua livre utilização.  Engloba cursos completos, materiais de cursos, módulos, livros didáticos, vídeos, testes, software e quaisquer outras ferramentas, materiais ou técnicas utilizadas para apoiar o acesso ao conhecimento.

Um dos melhores exemplos de OER nos é dado pela organização TED, que no espírito do seu slogan (“ideas worth spreading”, algo como “ideias que valem a pena espalhar”) disponibiliza vídeos completos de seus eventos, alguns com legendas em vários idiomas, questões para discussão e transcrições dos vídeos que podem ser “baixadas” e que permitem anotações via programas como o Scrible.

Outro bom exemplo de “generosidade” educacional é o mundialmente famoso MIT, que disponibiliza cursos inteiros, com seus respectivos arquivos em pdf, no iTunes. Há também incontáveis ebooks e tutoriais disponíveis sobre diversos assuntos, como por exemplo os do Michael Hartl a respeito de linguagens computacionais, como Ruby.

Por que essas instituições, empresas e pessoas fazem isto? Por três motivos:

O primeiro, é que há muita coisa disponível na internet, mas ao mesmo tempo “solta” (no sentido de não organizada). Esse grande volume de recursos online precisa de algum tipo de propósito e organização para que possamos aproveitá-los verdadeiramente em um “ecossistema”. Com o crescimento do conceito da “democratização da informação”, a Internet tornou-se uma “placa de Petri” impressionante de conteúdos, esperando para serem descobertos. Como ninguém consegue peneirar tudo e encontrar esses recursos facilmente, surgiu a necessidade de uma “curadoria digital”. Essas instituições, empresas e pessoas se propuseram a realizá-la.

O segundo, são legislações que “pipocaram” ao redor do mundo – como por exemplo a da Califórnia criada após o caso “Williams vs. California” – para garantir o acesso a materiais didáticos atualizados.

O terceiro, que já comentei em outros posts a respeito do assunto, são os custos excessivos da educação formal (incluindo o da atualização de materiais didáticos), que estimulam a busca por outros meios de aprendizagem, como a educação informal e o próprio autoaprendizado.

No próximo post, pretendo abordar 3 dicas para ajudar quem quer explorar o universo “open source” educacional, possa fazê-lo de maneira mais direcionada.

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