Robert Gagné e os 9 passos – parte 2

abril 28, 2015 § Deixe um comentário

Retomando o “papo”, chegou a hora de abordar os passos 6 a 9:

Passo 6: Estimular o desempenho

Aqui é o momento de começar a checar se o conhecimento foi adquirido. Deve-se permitir que os aprendizes pratiquem, demonstrem ou apliquem o que aprenderam. Podem ser usadas técnicas como as de jogos ou role playing, que permitem a prática e a melhoria do conhecimento recém-adquirido. Reserve um espaço para o aprendizado corretivo, isto significa dar oportunidade de reforçar o que ainda não estiver claro, apresentando o curso de ação correto. Se foi passada uma informação nova, a dica é fazer perguntas a respeito. Elas ajudam a checar o entendimento e manter a atenção do aprendiz. As perguntas, nesse caso, não devem ser aquelas que simplesmete repetem a informação, utilize-as de forma que o aprendiz possa refletir e identificar erros e não simplesmente decorar.

Passo 7: Dar feedback

Possibilitar que o aprendiz perceba que o esforço despendido está sendo notado e reconhecido, ajuda a gerar confiança no processo de aprendizagem. Em e-learning, podem ser usados testes, quizzes ou comentários para dar feedback a respeito de como o conhecimento foi demonstrado e como se pode melhorar. Se for o caso de um feedback verbal presencial, reconheça sempre o bom desempenho. Havendo necessidade de um feedback negativo, aponte as razões específicas, indicando o caminho a ser seguido para melhorar.

Passo 8: Avaliar o desempenho

Gagné chamava bastante atenção para esse passo. Avaliar de maneira apropriada o aprendiz, dá suporte para a melhoria do seu desempenho, além de ajudar a melhorar a efetividade da própria ação educacional. Como a maioria das pessoas se sente desconfortável com avaliações, tente fazê-las da forma mais prazerosa possível. Sem deixar, no entanto, de reforçar os objetivos de aprendizado. Avaliar por meio de dissertação (a famosa redação dos tempos de colégio), pequenos questionários ou por meio de perguntas abertas, testa o conhecimento retido inicialmente, sem dar aquela cara de “prova”. Também é uma boa ideia dar feedback após essa etapa, de forma que sugiro que se faça uma pequena inversão entre os passos 7 e 8 (não creio que o Gagné se importaria com essa “liberdade” tomada).

Passo 9: Melhorar a retenção do conhecimento e a sua transferência para o dia a dia

Tem um pequeno ditado a respeito de como se fazer apresentações efetivas: “diga para o seu público o que você pretende dizer a eles, diga a informação e depois conte para eles o que foi dito”. É como faz o apresentador Silvio Santos, repete sempre 3 vezes a mesma coisa para fixar a informação. No caso do e-learning, essa etapa pode ser feita informando o aprendiz a respeito de situações em que o conhecimento pode ser aplicado ou problemas que ele pode ajudar a resolver, disponibilizando atividades extras para que possam praticar um pouco mais e fazendo uma revisão (ou resumo) do curso. Mas, atenção: não apresente novas terminologias ou conceitos nessa etapa. É preciso focar apenas no fechamento da ação e no estímulo à transferência para a prática.

Robert Mills Gagné tinha paixão por entender como as pessoas aprendiam e essa paixão permitiu que ele, ao longo da sua carreira, sedimentasse as bases para as teorias e técnicas a respeito do processo de aprendizagem e do design instrucional. Costumava dizer que “a razão de qualquer instrução é o aprendizado” e “qualquer tema ou técnica de instrução deve estar centrada em quem irá aprender”. Em qualquer ação educacional, esses pontos nunca podem ser esquecidos.

Robert Gagné e os 9 passos – parte 1

abril 24, 2015 § Deixe um comentário

Nos anos 1980, depois de décadas de estudo, o especialista em educação Robert Gagné, uma das referências quando o assunto é design instrucional, montou o conceito dos 9 passos da instrução. De lá para cá, os 9 passos têm sido utilizados para direcionar o planejamento de uma gama enorme de ações educacionais, comprovando a força do conceito. Falando em força, a razão pela qual os 9 passos terem passado no “teste do tempo” está no fato de serem baseados na maior expertise do Gagné, o funcionamento do aprendizado.

Sempre acho que a melhor forma de tangibilizar um conceito é entendendo como ele pode ser aplicado na prática. Como o post anterior foi a respeito de EAD, proponho discorrer um pouco como os 9 passos podem ser aplicados em uma das maiores vertentes de EAD atualmente, o e-learning.

Passo 1: Ganhar atenção

Ganhar atenção é essencial em qualquer ação (seja educacional, de comunicação ou qualquer uma que lhe venha à mente). A não ser que consigamos “agarrar” a mente do aprendiz, ele não vai tirar muito da experiência, mesmo que seja obrigado a ficar até ao final dela. Em e-learning, para ganhar a atenção desde o início, a dica é não fazer uma abertura muito formal. Inconscientemente, somos levados a acreditar que a abertura de qualquer curso é um preâmbulo do restante dele. Contar uma história ou apresentar uma animação interessante, é um bom modo de deixar a abertura mais informal e de quebra, o aprendiz interessado no que vem por aí.

Passo 2: Informar o objetivo do aprendizado

É importante direcionar as expectativas, responder o porque de se estar ali e o ganho que se terá com o e-learning. Esses objetivos devem ser concisos, tente apresentar no máximo 5 resumidos. A ideia é gerar um checklist para o aprendiz poder avaliar (muitas vezes mentalmente), no decorrer do curso, se estão sendo atingidos.

Passo 3: Relembre o conteúdo já passado

O passo se relaciona com a construção da conexão entre o que o aprendiz já sabe e o que ele irá adicionar a este conhecimento. Uma dica aqui é criar “mapas mentais” e gráficos que ilustrem como o e-learning está “ligando os pontos” daquele conteúdo e ajudá-lo a perceber o gap entre o nível de conhecimento atual e o desejado.

Passo 4: Apresentação do material

Gangné chamava esse passo de “estratégia efetiva de conteúdo”. Se referia dessa maneira porque para ele, o conteúdo deveria ter uma aplicação efetiva (o que também ajuda a demonstrar a sua relevância). Além de utilizar uma variedade de recursos para disponibilizar o conteúdo, organizar a informação em pequenos pedaços ajuda a repassá-la de maneira lógica. Aqui vale outra dica (agora, do que não fazer): não bombardeie o material com muita informação ou muitos elementos interativos. Isto causa o que os especialistas chamam de “sobrecarga cognitiva”. Em e-learning, o aprendiz deve ter a sensação de controle do aprendizado e não de que está no meio de uma rave.

Passo 5: Orientar o aprendizado

E-learning é menos ensino e mais orientação e direcionamento. Usando técnicas como mnemônicos, estudos de caso, storyboards, analogias e aprendizagem por observação, é possível auxiliar o aprendizado e o entendimento do conteúdo trabalhado no passo 4. Lembre-se, o que o Gangné queria com o passo 5 era que se fornecesse conscientemente formas de auxílio aos participantes, que os ajudassem a “aprender a aprender” e a reter melhor a informação.

No próximo post, abordarei o restante dos passos (6 a 9). Até lá!

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