Educação e Inovação (ou conhece-te a ti mesmo)

março 17, 2015 § Deixe um comentário

No último mês tenho publicado inúmeros posts a respeito de modelos educacionais, estudos e pesquisas, principalmente cognitivas e comentários a respeito de livros e casos. Penso que vale fazer uma “amarração” em tudo isto.

Educação hoje é vista como uma panacéia, é tanto a causa de todos os problemas, como a solução para todos os males. Repetidamente escutamos que o caminho para o Brasil é investir em educação e que a nossa atual, é de baixíssima qualidade. Confesso que estes mesmos argumentos foram a razão pela qual comecei a me interessar pelo tema, há uns 9 anos. Esse tempo me permitiu tirar algumas conclusões próprias e que gostaria de compartilhar (prometo que tem a ver com a tal “amarração” que comentei no parágrafo anterior).

Em primeiro lugar, investimento em educação não é fácil. Todos têm suas próprias convicções em relação aonde o dinheiro deve ser posto, o retorno demora a aparecer (certamente não em um ciclo eleitoral), é difícil medir esse retorno (porque envolve indicadores tão diferentes quanto comparar banana com maçã) e a área é um enorme “telhado de vidro” (basicamente dá para se criticar tudo o que é feito).

Se olharmos para um período de 20 anos, podemos perceber certa evolução: aumentou-se as exigências em relação à formação de professores (mestrado é exigido como premissa, pelo menos no ensino superior), aumentou-se o número de estudantes (descontado o aumento populacional, ainda assim temos mais gente matriculada e em mais níveis sociais do que antes), aumentou-se a oferta (mais instituições de ensino, pelo menos em termos de unidades) e se tornou mais abrangente a consciência da importância do tema (dificilmente encontraremos alguém desdenhando da necessidade dos “estudos”).

Certamente em termos quantitativos e de conscientização temos o que mostrar. A coisa começa a mudar de figura quando somos comparados qualitativamente com outros países. Nossa qualidade não é boa, apesar de saber que em alguns países que estão a nossa frente, a percepção interna da qualidade da sua própria educação não é das melhores (pelo menos nos EUA, onde tenho mais contato). Voltamos ao “telhado de vidro” que comentei anteriormente. Sim, temos que melhorar nossa qualidade. Mas, como?

Entra a minha segunda conclusão: educação, por si só, não gera crescimento ou inovação. Antes de ser crucificado, deixem-me fazer um adendo: o que é educação? É disponibilização de conhecimento? É abrangência cultural? É tempo de estudo? É aplicação prática? É comportamento social? Na minha opinião é tudo isso e mais uma coisa fundamental, desenvolvimento de pensamento crítico.

Digo fundamental, porque sem o pensamento crítico não é possível usar nossa “educação” para gerar inovação (e de quebra, crescimento) pelo simples motivo de que sem ele, não é possível conectar o conhecimento. É o pensamento crítico que permite usar a equação matemática aprendida na 5ª série, juntar com o conceito aprendido no segundo ano de faculdade, com o tema da tese de mestrado, aplicar na necessidade do “mercado” e criar a sua próxima patente.

E o que é o pensamento crítico? É a sua capacidade de análise, de reflexão, de abstração, de “pensar” criticamente em algo, tirar suas próprias conclusões e perguntas e depois, focar no “como?”.

Vamos para minha terceira conclusão: pensamento crítico não se ensina. Não se ensina em casa, não se ensina na rua e não se ensina na sala de aula. Pensamento crítico se estimula. E como se estimula? Promovendo debates, trabalhos em conjunto, troca de ideias, discussão (civilizada) de pensamentos opostos. Estimulando o auto-conhecimento (quem sou, do que gosto, como aprendo) e aceitando o resultado desse auto-conhecimento como legítimo (porque afinal de contas, é legítimo). Esse deveria ser o critério qualitativo da educação brasileira: “consigo estimular o pensamento crítico e a conexão do conhecimento”?

Agora vamos à “amarração” prometida. Tudo o que venho publicando no último mês faz parte de um esforço pessoal de “colocar pra fora” o que está na minha cabeça. Outro dia, um amigo me ensinou um conceito fantástico, “Nosce te Ipsum”, que significa conhece-te a ti mesmo (Armando, se estiver lendo esse post, fica mais uma vez o meu obrigado).  É somente conhecendo a nós mesmos que podemos entender o que queremos e podemos fazer. E para mim, meu “nosce te ipsum” está ligado à crença de que ensinar é aprender e aprender é do seu jeito.

Sei que um post de blog não deveria ser tão longo, peço desculpas preventivas pelas mais de 700 palavras, mas a justificativa é que realmente não consegui resumir em menos.

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