Edtech – mídia social e colaborativa

outubro 27, 2015 § Deixe um comentário

 Para finalizar essa sequência de posts a respeito do conceito “Edtech”[1], nada melhor do que abordar a ferramenta tecnológica mais popular dos dias de hoje, a rede social. Os pesquisadores Eunice Ivala e Daniela Gachago da Cape Peninsula University of Technology, na África do Sul, encontraram uma relação positiva entre o uso da mídia social e o engajamento de aprendizes. Em um estudo publicado em 2012, descobriram que o uso apropriado de blogs e grupos no Facebook aumentam a integração acadêmica, dentro e fora do campus, e aumentam o engajamento em atividades de aprendizagem.

Isto acontece por conta do “poder colaborativo” da rede social. Ao fornecer uma “estrutura” para comentários e compartilhamento de tarefas, estas ferramentas dão oportunidades para que os aprendizes mostrem suas habilidades multimídias e o modo como “constroem” determinado trabalho acadêmico. Isto torna a discussão mais envolvente, aumentando o nível de troca intelectual.

A mídia social também promove o que os especialistas chamam de “conceito check-up”, que a exemplo do similar exame médico, permite identificar problemas e determinar caminhos de ação ao se analisar as interações registradas nela.

Outros dois artigos acadêmicos dão suporte ao estudo citado acima. A pesquisadora Latha R. Chandrasekar conseguiu medir o impacto da mídia social e ferramentas colaborativas no comportamento emocional e no engajamento cognitivo de estudantes. Os pesquisadores da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, Tom Stafford, Herman Elgueta e Harriet Cameron descobriram que o uso de ferramentas do tipo Wiki (cujo melhor exemplo é a Wikipedia) aumentam a habilidade de escrita dos seus usuários.

Estudos deste tipo ajudam a mostrar que, dependendo de como são utilizadas, ferramentas tecnológicas podem estimular e aumentar o aprendizado. A forma como as utilizamos é pessoal, se a opção for pelo uso restrito será este o resultado que se terá. Mas a boa notícia é que o antônimo também é verdadeiro.

Quem quiser conhecer mais dicas de como a mídia social pode ser usada para estimular o engajamento, recomendo o guia produzido pela associação WISE (Wales Initiative for Student Engagement), do País de Gales, que o disponibilizou pela plataforma Moodle.

[1] Para relembrar, o termo “Edtech” é utilizado para se referir ao uso da tecnologia em educação.

Edtech – feedback e portfólio digital

outubro 16, 2015 § Deixe um comentário

Um dos pontos comuns a respeito de técnicas de liderança – quem já atuou em algum posto gerencial e teve a oportunidade de participar de um curso destes pode atestar – é a importância de prover feedback para seus liderados de tempos em tempos. Sua maior força é dar a possibilidade de quem o recebe de melhorar (ou se orgulhar do trabalho bem feito). Feedback é a típica atitude com amplo impacto em diferentes ambientes e situações. Pode ser usado tanto em um ambiente corporativo quanto em ambientes mais pessoais como dentro de casa, no futebol entre amigos ou na academia de ginástica. Pode também ser usado (e bem) na sala de aula.

Google Docs, screencasts (quem convive com alguma criança de adora minecraft certamente conhece bem o conceito), Evernote, enfim, há inúmeras ferramentas que podem ser usadas para prover feedback à aprendizes mantendo, entretanto, o “embalo” do aprendizado.

Pesquisadores da Universidade de Chicago recomendam o uso do feedback por áudio ou vídeo para otimizar o engajamento dos aprendizes. Consideram mais eficiente do que o modelo tradicional, por escrito, por algumas razões, entre elas:

  • Estudantes reportaram ao estudo realizado pela Universidade, achar o feedback por vídeo mais pessoal e informativo;
  • A novidade que envolve o tipo de feedback (por vídeo) e o Efeito Hawthorne[1] que o acompanha, ajuda a estimular o engajamento de quem o recebe;
  • A forma “multimodal” do vídeo oferece mais vantagens aos aprendizes mais audiovisuais do que a forma “unimodal” do feedback escrito.

Além do feedback, a “era digital” também facilitou a curadoria do que é produzido pelos aprendizes. Esta aliás, é uma das peças-chave para estimular o engajamento de quem aprende: dar a eles a responsabilidade pelo que criam. Os portfólios digitais desempenham um bom papel na hora de encorajar o compartilhamento de tarefas educacionais. A importância do seu uso está baseada na disponibilização da “evidência” do aprendizado.

As melhores ferramentas para estimular a performance são aquelas que permitem compartilhamentos e comentários não apenas dos pares, mas de outros “personagens” como professores e pais, no caso de estudantes, por exemplo. Nisto, os portfólios digitais cumprem maravilhosamente bem a função por conterem uma ampla gama de informações que capturam, na maioria das vezes adequadamente, a versatilidade da pessoa. As informações em portfólios digitais podem também ser disponibilizadas em uma variedade de mídias como textos, fotos, ilustrações, diagramas, material da web, arquivos de áudio, vídeos, planilhas e apresentações do PowerPoint, o que estimula o uso de múltiplas-inteligências.

Existem diversos softwares e apps que podem ser usados (uma rápida pesquisa no Google pode atestar). Para quem não está familiarizado com o conceito de portfólio digital, recomendo checar o Troove, por ser bastante utilizado em escolas norte-americanas e canadenses e amigável no uso.

[1] O chamado “Efeito Hawthorne” é um tipo de reação psicológica em que indivíduos modificam ou melhoram seu comportamento ao saberem que estão sendo observados. McCarney R, Warner J, Iliffe S, van Haselen R, Griffin M, Fisher P; Warner; Iliffe; Van Haselen; Griffin; Fisher. “The Hawthorne Effect: a randomised, controlled trial”. BMC Med Res Methodology. 2007.

Edtech – Design Thinking

outubro 13, 2015 § Deixe um comentário

O termo “Edtech” vem sendo cada vez mais usado para se referir ao uso da tecnologia em educação. Como é geralmente o caso quando se trata de tecnologia, colocar a “mão na massa” e implementar é o caminho para se descobrir novos usos. Nessa hora, poder se beneficiar da experiência alheia ajuda a “cortar caminho” e ser mais assertivo na hora de escolher a ferramenta mais adequada a sua situação.

Pretendo compartilhar neste e nos próximos posts o uso de algumas tecnologias e conceitos aplicados a elas que têm ajudado bastante a estimular o engajamento de aprendizes. Todas são baseadas em estudos de casos, revisão bibliográfica e documentação de uso (estilo “tentativa-e-erro”) para dar um maior embasamento ao exemplo. Citarei, obviamente, as fontes caso alguém queira se aprofundar no tema.

O primeiro que tratarei é o Design Thinking.  Para quem não está familiarizado com o termo, Design Thinking é um método usado por várias indústrias – em especial a de tecnologia – para pensar em soluções de maneira integrada, sem focar especificamente no problema e sim no seu objetivo-macro (“pra que eu quero resolver isso mesmo?”). Esse enfoque leva a duas características do conceito: a primeira é ter o usuário no centro da questão (e não o problema em si). A segunda é uma abordagem interdisciplinar.

Em educação, o Design Thinking tem sido usado associado ao modelo project-based learning (aprendizado baseado em projetos) para redefinir a atitude dos aprendizes em relação ao próprio aprendizado. Um bom exemplo vem do instituto “West Michigan Center for Arts + Technology” (na sigla em inglês – WMCAT) que montou um programa para os estudantes das escolas públicas da região desenvolverem, fora do horário de aulas, soluções que possam beneficiar a comunidade em que vivem. Utilizam a dobradinha Design Thinking + Project-based learning para “misturarem” arte e tecnologia nas suas propostas de projetos e os colocam em prática por meio de equipes, de 12 estudantes cada, durante o ano letivo.

Segundo Kim Dabbs, diretora do WMCAT, a dobradinha proporciona:

  • Projetos desenvolvidos e liderados pelos próprios estudantes, estimulando o engajamento ao permitir que escolham os próprios temas de trabalho, os times e parceiros com quem trabalharão e conduzam eles mesmos os trabalhos;
  • Oportunidades para introduzir pequenos desafios ao longo do caminho que permite aos professores repassar técnicas artísticas e de desenvolvimento tecnológico, com base nas próprias ideias dos estudantes;
  • Oportunidade para aprender na prática o que é e como utilizar o Design Thinking.

O site da WMCAT traz informações adicionais a respeito do projeto e a própria Kim Dabbs conta um caso prático do desenvolvimento de um aplicativo para celular feito pelos próprios estudantes.

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