Flipped Classroom em 5 (fáceis) passos

janeiro 19, 2016 § Deixe um comentário

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Muita gente tem experimentado uma mudança que, penso eu, em alguns poucos anos será inevitável para boa parte do mundo: integrar tecnologia com a metodologia de ensino tradicional. Um método tem se destacado neste esforço, o chamado flipped classroom – em uma tradução aproximada, “sala de aula invertida” (AQUI o que já escrevi sobre o tema) – por ajudar a tornar as “aulas” e o “ambiente” em sala mais pessoal e por facilitar a retenção do conhecimento passado.

Antes de abordar as dicas para ajudar quem se interessar em implementar, creio que vale uma pequena introdução ao tema. Em uma sala de aula tradicional, o professor é o foco principal da aula e o aluno o olha como o detentor do conhecimento. Esses alunos também são estimulados a utilizar apostilas e praticar seus exercícios fora da aula, em seus deveres de casa.

Uma “sala de aula invertida” é uma forma de blended learning, onde os aprendizes recebem o conteúdo online por meio de vídeos ou palestras, geralmente em casa, e o “dever de casa” é feito em sala de aula, com a orientação e apoio do professor, que promove discussões e resoluções conjuntas de atividades. A interação professor-aluno tende a ser mais pessoal, com a orientação substituindo o repasse de conteúdo.

Segundo dados da organização Flipped Learning Network, destinada a divulgar a prática, 9 em 10 professores que “inverteram” suas aulas notaram uma mudança positiva no comprometimento de seus alunos com o aprendizado. Outro dado que chama a atenção é o número de professores que experimentaram o método nos EUA. Em 2012, 48% deles “inverteram” ao menos 1 aula, em 2014 o número havia subido para 78% (ainda não foram divulgados dados de 2015, mas a tendência era de alta pelo quarto ano consecutivo).

Existem diversas formas de se promover uma flipped classroom (é possível encontrar na própria organização citada, Flipped Learning Network, uma série de orientações). Minha intenção é dar 5 passos (ou dicas) para facilitar o “pontapé inicial”.

Passo 1: Grave um vídeo

Uma das formas mais usuais de “inverter” uma aula é gravá-la (ou gravar um vídeo específico sobre determinado assunto). Para experimentar, utilize alguma ferramenta online de gravação. Para ajudá-los aí vão 12 ferramentas que podem auxiliar na gravação e 5 melhores práticas a serem seguidas.

Passo 2: Compartilhe com os aprendizes

Após criar seu vídeo, o compartilhe online – usando o YouTube, por exemplo – ou uma LMS, como a Digital Chalk – para que os aprendizes possam assisti-lo fora do horário de aula (esse ponto é importante, do contrário não há “inversão”). Avise-os para que se preparem para debater o assunto e participarem dos exercícios em sala.

Passo 3: Encoraje a preparação pessoal e a participação em sala

Deixe claras as expectativas e o objetivo dos vídeos a serem assistidos em casa. Muitos professores distribuem ementas de aulas e um calendário de atividades. Alguns encorajam a preparação de seus aprendizes por meio de quizz ou lista de perguntas a serem respondidas.

Passo 4: Promova atividades em sala

Uma vez “liberado” o tempo de repasse de conteúdo, este deve ser “preenchido” por atividades em sala. É muito importante utilizar o horário de aula para feedback imediato e resposta a dúvidas encontradas. Também é válido facilitar e encorajar debates entre os aprendizes para estimular a colaboração e, de quebra, o aprendizado.

Ferramentas de discussão online podem auxiliar na preparação e para levantar pontos a serem esmiuçados em sala. Para ajudá-los, algumas dicas para promover o engajamento via fórum online.

Passo 5: Repita os passos anteriores

Em uma sala de aula completamente “invertida”, todo o repasse de conteúdo acontece fora dela. Isto significa ter todas os assuntos gravados, arquivados online e prontos para serem usados. Lembre-se de ter todas as suas atividades de sala planejadas de antemão – da mesma forma que faria em um modelo de aula tradicional.

Antes de fechar, vale tocar em um ponto adicional. É possível que ao aprofundar sua pesquisa a respeito do tema, você encontre o termo flipped learning. Apesar de usarem termos similares (flipped), inverter a sala de aula e o aprendizado são “coisas” diferentes. É possível implementar o método de flipped classroom dentro da filosofia tradicional de ensino, é apenas uma questão de inverter a estrutura – o “dever de casa” é feito em sala e o conteúdo é repassado em casa. Flipped learning envolve uma mudança de filosofia e impacta diretamente o ambiente de aprendizado, a cultura de aprendizado, o conteúdo e o profissional de educação envolvido – tanto que o termo F-L-I-P virou um acrônimo dos 4 pilares de sustentação do modelo, na ordem: Flexible Enviroment (ambiente flexível); Learning Culture (cultura de aprendizado); Intentional Content (conteúdo específico); Professional Educator (profissional educador).

Conclusão: uma coisa não é outra. Flipped classroom pode levar (mas não necessariamente) ao flipped learning. Para tal, é preciso incorporar os tais 4 pilares (sugiro a leitura deste material aos interessados) à crença pessoal do professor.

Pessoalmente, acredito que algo novo – até pela própria incipiência inicial – deva ser experimentado aos poucos, em projetos pilotos, para que cada um possa visualizar por conta própria a validade (ou não) do proposto. Minha sugestão é que os interessados foquem em “inverter” a sala de aula antes de “alçar” voos mais altos.

 

Edtech – Blended Learning

outubro 22, 2015 § Deixe um comentário

A abordagem para solução de “problemas” tem um apelo maior para os aprendizes do que o repasse conceitual. Este é um fato, apesar das 2 abordagens terem sua importância. O conceito tem o objetivo de fornecer um entendimento crítico a respeito de determinado tema e a implementação, de trabalhar o modo de aplicação de um determinado conceito ou propriedade intelectual. O ideal é “juntar” as duas. Esta é a base de um conceito intitulado blended learning (algo como aprendizado misturado).

Como fazemos com outros conceitos “importados” (como por exemplo, o de startup), o termo blended learning ficou restrito no Brasil à mistura presencial (sala de aula) e não-presencial (ensino a distância), mas vai bem além disto. Ele acontece sempre que se utiliza mais de um “modelo” educacional para estimular a aprendizagem.

Kavita Gupta é uma professora de química da região de São Francisco, Califórnia. Ela iniciou em 2011 uma bem-sucedida abordagem “blended”, utilizando o método de instrução direta (também chamado de “tradicional”) associado com o conceito conhecido como “flipped classroom” (abordado em posts anteriores) – que a grosso modo significa inverter a lógica da sala de aula, fazendo o “dever de casa” em sala e o repasse do conteúdo em “casa” – e com ferramentas online para suporte como podcasts gravados por ela e uma comunidade de suporte via Facebook.

Kavita viu o número de alunos matriculados para suas aulas subir 67% (de 140 para 235) e o AP scores deles (é um resultado consolidado em exame, similar ao nosso ENEM, que permite o ingresso em universidades) subir em média 12%. São números robustos, sem dúvida. Ela sintetiza a sua experiência com blended learning da seguinte maneira:

  • O modelo “liberou” tempo em sala para se aprofundar o entendimento da matéria e focar realmente na resolução de “problemas”.
  • Os estudantes se engajaram ativamente no aprendizado, trabalhando em conjunto em experiências químicas ou em avaliações por meio de tarefas.
  • O aprendizado foi individualizado e “estendido” para além do ambiente formal com a utilização do Facebook, podcasts e sites na internet.

Kavita Gupta concluiu que o modelo blended efetivamente aumentou o engajamento, melhorou o aproveitamento do tempo formal e, “de quebra”, estendeu o tempo dispendido pelos alunos em atividades de aprendizado.

Infográficos Flipped Classroom e Project-Based Learning

junho 11, 2015 § 1 comentário

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Acredito no poder do compartilhamento, inclusive esse foi o conceito que me motivou a lançar alguns anos atrás esse espaço. Como mais uma forma de partilhar o que tenho aprendido, resolvi “abrir” uma nova página no site para disponibilizar materiais originais, frutos dos meus estudos. É a seção “Publicações” que pode ser acessada pelo menu aí do lado esquerdo.

A primeira “publicação” disponibilizada é um kit de infográficos com 2 modelos educacionais que têm chamado muito a minha atenção: Flipped Classroom e Project-Based Learning. O primeiro, estimula o desenvolvimento do pensamento crítico (que é entender o mundo à volta e a sua relação com ele) e o segundo, o pensamento reflexivo (criar algo novo a partir do seu conhecimento). Os infográficos trazem o passo a passo para implementar tanto um quanto o outro.

Como o que é de graça nem sempre é valorizado, na “minha mão” sai pelo módico preço de… 1 compartilhamento. Pode ser via Twitter, um post no Facebook ou um post no LinkedIn, você escolhe a melhor forma. Aqui devo um agradecimento especial ao meu amigo Illan Sztejnman pela ideia.

Você pode baixar pela seção ou neste post, ambos clicando no botão abaixo. Ah, quem puder, me dê um feedback do material (na seção “O Escritório” tem um formulário de contato).

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