A era das inovações

maio 23, 2016 § 1 comentário

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Creio de que há pouca disputa em relação à crença de que a inovação está diretamente ligada ao crescimento econômico. Os defensores desta tese ganharam este ano um pouco mais de estofo em sua argumentação. Trata-se da excelente pesquisa feita pelo economista Robert J. Gordon, publicada sob o título The Rise and Fall of American Growth”. Nela, Gordon analisa o constante fluxo de inovação que revolucionou o modo de vida do mundo no espaço de meros 100 anos – de 1870 a 1970. Aborda também os motivos pelos quais esse fluxo se arrefeceu entre os anos 1970 e 2016, apesar da sensação trazida pelas inovações digitais das 2 últimas décadas.

Como o título do livro sugere, a pesquisa foi feita com base na história e experiência dos EUA. Um dos motivos, é o fato do período analisado marcar também um dos períodos com maior registro sociológico da humanidade e em particular, dos EUA. A popularização da imprensa é uma das razões para tal. Outro motivo, é o fato do período marcar também a ascensão do país como superpotência, com influência marcante no modo de vida do restante do mundo. Isto é inclusive o que faz o livro transcender a análise local e poder ser utilizado – obviamente fazendo as devidas correções e concessões a diferenças culturais e de desenvolvimento local – como um “retrato” do impacto das inovações no desenvolvimento da humanidade no período. Os saltos de 50 anos da análise, também contribuem para colocar em perspectiva as informações apresentadas. Nas próximas linhas, tentarei dar uma visão resumida do que o livro traz em 780 páginas. Chamo a atenção para o fato de não pretender resenhar o livro, apenas compartilhar minhas impressões e entendimentos.

1870

Com o fim da Guerra Civil, os EUA buscaram se reconstruir com base na integração. O grande marco foi a construção da primeira ferrovia intercontinental, que ligou as grandes cidades do Leste à Califórnia e, diga-se de passagem, também a milhares de pontos pelo caminho. Comparada com os padrões atuais, a vida da época era extremamente difícil. As casas eram iluminadas por velas ou óleo de baleia, apenas ¼ da população vivia em grandes cidades e a dieta era à base de carne de porco.

A razão pela qual os norte-americanos davam preferência ao porco se devia ao fato de serem animais que vivem em praticamente qualquer lugar (ao contrário dos bovinos, que demandam largas extensões de pasto) e sobrevivem facilmente com restos de comida. Além disto, a carne ao ser salgada ou defumada, podia ser preservada por um longo período. Como não existia refrigeração na época, raramente se produzia vegetais frescos (como alfaces), se dava preferência aos que podiam ser armazenados como abóboras, batatas e feijões. A única fruta largamente consumida era a maçã. Muito pelo fato de ser transformada em cidra ou brandy (uma espécie de conhaque).

Fazendo uma rápida comparação com o Brasil, não estávamos muito atrás. Foi o período final da Guerra do Paraguai e de uma inicial industrialização, muito por conta de iniciativas individuais como a do Barão de Mauá, mas que em certo momento foram “brecadas” pelo imperador – afinal eramos uma sociedade agrária. Nossa força de trabalho era escrava, o que não contribuía para a formação de um mercado consumidor. Pelo menos no quesito da dieta, a nossa era mais rica em termos de proteínas, vegetais e frutas.

A grande inovação do período foi o banheiro moderno. A criação da toalete (mais conhecida entre nós como privada) foi a força motriz da construção dos primeiros sistemas de águas e esgoto, que embora jogassem os dejetos diretamente em rios e mares, começou a contribuir para a percepção da importância sanitária na preservação da saúde. Também há a mudança da matriz de transportes, de cavalos e charretes para trens e embarcações à vapor. Isto permitiu, nos EUA, a criação de um incipiente mercado consumidor nacional, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida nas cidades – levando em consideração que um cavalo produz 20 kg de fezes e mais de 3 litros de urina por dia, o impacto não foi pequeno.

Em tempo, no período, a circulação de jornais alcançava 2,5 milhões de pessoas em uma população de cerca de 40 milhões.

1920

Com o final da I Guerra Mundial e com a Grande Depressão ainda por vir, o período marcou um salto enorme em relação aos 50 anos anteriores. As casas se tornaram mais “conectadas”. O sistema elétrico provia iluminação – sem gerar fumaça – redes urbanas mais robustas proviam água limpa em abundância e um sistema aprimorado de esgoto levava o cheiro e os dejetos para longe de boa parte da população. Os telefones já eram largamente utilizados e permitiam a comunicação em longa distância.

As inovações não foram apenas tecnológicas, mas urbanas. As grandes cidades receberam a classe trabalhadora, que pôde contar com apartamentos a preços acessíveis – também eram permitidos a construção de pequenas casas por conta própria. Em Chicago, por exemplo, a loja de departamento Sears vendia um “kit” de materiais pré-fabricados que permitiam a construção de uma casinha em 356 horas de trabalho manual. É claro que não existiam leis ambientais ou departamentos para supervisão urbanística (um levantamento mostrou que cerca de 40% das construções existentes em Manhattan não seriam permitidas pela legislação americana atual).

O número de hospitais cresceu de 120 em 1870 para 6000 em 1920 e a medicina se tornou mais uma ciência do que curandeira, com inúmeras especializações. Embora inovações na área ainda estivessem por vir, como os antibióticos, apenas a popularização dos serviços de águas e esgotos melhorou em 5 vezes a taxa de mortalidade.

Outra revolução foi nos transportes, o veículo automotivo começava a sua caminhada revolucionária, pulando de 8000 em 1900 para 23 milhões em 1929. Trens, bondes e metrôs reduziam distâncias e facilitavam a vida de quem morava nas cidades. Uma viagem de trem de Nova York a Chicago passou de 38 horas em 1870 para 24 horas em 1920 e 16 horas em 1940.

Foi também o início da era da comida processada e das geladeiras (eram chamadas de “icebox”). Estas duas inovações revolucionaram o modo de vida das pessoas, que começaram a ter disponíveis vegetais frescos durante o ano todo. Para efeito de comparação, o “café da manhã” típico em 1870 era composto de carne de porco e polenta, em 1920 era corn flakes (o nosso sucrilhos) e suco de laranja. Apesar disto, a “cozinha” da época não seria reconhecida nos nossos dias, não existia máquina de lavar (louça ou roupa) e as tomadas não possuíam modelo padrão. Mas, o cachorro-quente já era popular (foi criado em 1900 em Coney Island – Nova York) e o hambúrguer estilo americano dava seus primeiros passos, graças à forte imigração alemã.

O mercado consumidor já era bem desenvolvido, com cadeias de lojas que existem até hoje. Mas a grande inovação do varejo foram os supermercados. Outra grande inovação foi a entrega de encomendas via correios. Em 1900, apenas a Sears já recebia cerca de 100 mil pedidos por dia e seu catálogo de produtos vendia quase de tudo (não é à toa que o e-commerce se desenvolveu rápido em uma sociedade já acostumada a fazer negócios por via não presencial).

Outro fator de inovação foi a informação, não eram entregues apenas produtos na porta das casas americanas, jornais também. De 1910 a 1930, uma residência típica recebia em média 3 jornais diários. A era da informação eletrônica ainda não havia iniciado em 1920, mas a primeira estação de rádio “abriu as portas” neste mesmo ano e em 1923 já eram cerca de 550. Além disto, o fonógrafo já era largamente popular e o cinema, um sucesso absoluto, com quase o dobro de espectadores semanais do que hoje (levando em conta uma população relativamente menor).

1970

Muitas das inovações que começaram por volta de 1920 já eram parte fundamental da vida diária em 1970. Principalmente nas áreas de transporte e comunicações. Viagens aéreas já eram bem mais comuns e deixaram para trás as viagens transcontinentais de trem – fazendo em algumas horas a distância que era cruzada em vários dias. Para muitos, as viagens de avião nos anos 1970 eram mais prazerosas, com bebidas e comidas de alto nível sendo oferecidas e cadeiras bem mais espaçosas do que as atuais – verdade seja dita, alguns destes mimos sobrevivem até hoje, chama-se primeira classe. Eram tempos de viagens supersônicas, via Concorde, que possibilitavam quem podia pagar, almoçar em Paris e jantar em Nova York no mesmo dia.

Os carros também traziam inovações futurísticas se comparadas com os modelos de 50 anos antes. Em 1920, o Modelo T da Ford tinha que ser ligado à manivela. Em 1970 o Ford Mustang chegava à 100 km/h em questões de segundos e era equipado com rádio e ar-condicionado.

O ar-condicionado, inclusive, é uma inovação revolucionária a seu modo. Lançado pela primeira vez em 1923, ao longo de meio século impulsionou o aumento da população em cidades de clima quente. As casas norte-americanas tornaram universais tecnologias já populares, como energia elétrica (presente em 100% delas) e água corrente (em 98% delas). Geladeiras também atingiram os 100% de presença em 1970, com a sua qualidade muitas vezes superior às da década de 20 e preço muitas vezes inferior.

A dieta também mudou. Os norte-americanos consumiam bem menos porco e bem mais galinha e peru. A quantidade de vegetais frescos também diminuiu a medida em que diminuiu o número de pessoas morando no campo. As grandes cidades davam preferência à legumes em conserva e enlatados. Margarina substituiu a manteiga. Os supermercados passaram a ocupar mais espaço, criando os hipermercados. Para efeito de comparação, um supermercado em 1920 estocava cerca de 600 itens, em 1950 por volta de 2200 e em 1985 mais de 17000.

A comunicação em massa mudou radicalmente a forma de diversão das pessoas. Enquanto em 1920 as opções eram fonógrafo e cinema-mudo, em 1970 já haviam TV a cores, rádio e filmes com sons épicos nos cinemas. Os canais de TV, aliás, sem a concorrência nem do videocassete, batiam recordes e mais recordes de audiência.

2016

Aviões e automóveis ficaram mais seguros e rápidos. Inovações incentivadas pela melhoria da segurança são as grandes mudanças nos transportes: cintos de segurança, air-bags, legislação mais pesada contra abuso de álcool e restrições à cigarros ajudaram a salvar vidas, mas aviões maiores, assentos menores, máquinas de raio-x e procedimentos de embarque tornaram a experiência de voar mais frustrante – em 1940 era possível chegar 10 minutos antes de um voo, comprar passagem e embarcar. No quesito alimentação, o consumo de vegetais e frutas frescas voltou a aumentar, assim como o acesso a culinárias de diferentes culturas modificou os hábitos alimentares de milhões de indivíduos ao redor do mundo.

De 1970 para cá, a grande inovação em termos de eletrodoméstico foi o micro-ondas. Os demais tiveram alterações bem triviais, como mais eficiência aqui, um ganho ergonômico ali, menos necessidades de reparos. A verdade é que uma casa dos anos 1970 funcionava de forma bem parecida com uma de 2016. Ninguém se acharia colocado em um mundo diferente se por acaso trocasse de época.

Quer dizer, se não fosse colocado em frente a um computador. As grandes inovações nos últimos 46 anos se deram na tecnologia da informação e do entretenimento. O cliché da TV ir de 3 canais a 300 não conta toda a história. Os próprios aparelhos de TV passaram de 19 a mais de 50 polegadas e com uma definição de imagens que as tornam quase vivas. Filmes e programas estão disponíveis a qualquer hora, por meio de streaming e on-demand, tornando a “emissora de TV” quase irrelevante.

E tem também a internet. O impacto dela, apesar de ainda não ter sido completamente explorado e entendido, vai além de disponibilizar toda a produção notável da humanidade em termos de informação, literatura, arte-visual e plástica. O acesso portátil colocou este “poder” nas mãos de cada indivíduo dotado de smartphone e vem alterando a maneira como o ser-humano se relaciona com o conhecimento e entre si. Entrar em contato com parentes e amigos em lugares distantes também já não é tão problemático – Skype e FaceTime deram outra dimensão ao ato de “falar ao telefone”.

Como conclusão, pode-se dizer que as pessoas vivem e viajam tanto quanto poderiam há 40 anos. Comemos mais variedades de comidas e há mais consciência em relação ao impacto individual e coletivo no planeta. Produtos de todos os tipos ficaram melhores, mais seguros e eficientes. Mais ainda fica a questão em relação ao que se fará com o poder trazido pelos supercomputadores que carregamos em nossos bolsos e bolsas e se a era das inovações iniciadas em 1870 continua a “todo vapor” ou se perdeu impulso.

A programação é a nova alfabetização

maio 17, 2016 § Deixe um comentário

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Este mês, completa um ano que comecei a programar. Meu início foi com uma das linguagens mais populares, Ruby, em um ambiente de desenvolvimento online chamado Cloud9. Nestes 12 meses, passei por outras linguagens (Python, outra preferida dos programadores) e montei meu próprio ambiente de programação local (quer dizer, em meu computador). Hoje estou “envolvido” com a linguagem R (é uma linguagem de programação estatística, usada bastante em Data Science).

Neste “meio tempo”, “devorei” o que encontrei pela frente em termos de conceitos, referências (livros, vídeos e pessoas) e filosofias para definir o meu próprio entendimento sobre o assunto. Quem se interessar, ou invés de começar por algum livro, manual técnico ou então por raciocínio lógico e lógica de programação, sugiro se inteirar em relação às filosofias que envolvem a programação computacional. Um livrinho bem bacana neste sentido é o do autor Douglas Rushkoff, professor de teoria da economia digital da City University of New York, “Program or Be Programmed”.

Quando se diz que a programação é a nova alfabetização, não se está insinuando que ela deva substituir o que chamamos de alfabetização hoje, mas sim se incluir no conceito. Não se engane, alfabetização é um conceito, que envolve as habilidades básicas que todo ser-humano deveria dominar para se inserir na sua sociedade.

Este conceito vem sendo desenvolvido desde o século XII, quando a habilidade da leitura começou a ganhar importância. No século XVI, recebeu a companhia da escrita e criou a base do modelo mental que temos de alfabetização. Mas como todo conceito, evolui. No século XVIII recebeu a adição da aritmética e no século XX, a da habilitação automotiva (sim, a carteira de motorista tem este status em boa parte dos países do mundo). No século XXI, chegou a vez da programação computacional ser incluída neste entendimento.

John McCarthy, o inventor da linguagem Lisp e a pessoa que cunhou o termo “Inteligência Artificial”, dizia que uma pessoa deveria aprender a programar para poder “falar com os servos”. Apesar do termo politicamente incorreto, McCarthy se referia ao fato de cada vez mais os seres-humanos gerenciarem máquinas (os “servos”) e as máquinas, ainda hoje, só conseguem fazer o seu trabalho se o ser-humano disser, especificamente, o que e como elas devem fazer. É preciso dar instruções claras. A maneira de se fazer isto, é pela programação computacional.

Desta forma, programar não é mais uma habilidade-nicho (que apenas uma determinada profissão conhece), é uma habilidade essencial para qualquer pessoa com ambição em obter sucesso. É tão importante, que várias organizações se propõe a ensinar programação básica de graça. CodeAcademy, edX e Free Code Camp são alguns exemplos. Vários cursos básicos já são oferecidos em português, graças ao trabalho voluntário de algumas pessoas, mas a maioria dos gratuitos ainda é em inglês.

É claro que aprender a programar não é simples. Há inúmeras dificuldades – principalmente se quem estiver aprendendo já vier com uma baixa formação em matemática e raciocínio lógico – mas se alfabetizar não é simples. É sabido que algumas condições podem se somar aos obstáculos comuns que todo aprendizado traz, por exemplo, dislexia dificulta o aprendizado da leitura e discalculia torna o aprendizado matemático muito mais penoso. Mas é importante deixar claro, que é cada vez mais consenso entre educadores e cientistas cognitivos, que qualquer pessoa que esteja no domínio de suas faculdades mentais, pode aprender a programar – assim como pode aprender a ler, a escrever, a fazer conta e a dirigir. A Khan Academy disponibiliza um vídeo sobre a importância de se manter uma mentalidade de crescimento, essencial para aprender qualquer coisa.

Não se propõe que todo mundo vire desenvolvedor de softwares. O fato de alguém aprender a escrever, por exemplo, não significa que a pessoa se tornará uma escritora ou alguém que aprenda aritmética se tornará um matemático profissional. Mas todos que sabem escrever ou conhecem aritmética, se tornam mais habilidosos para caminharem pelas próprias pernas na “luta” pelo pão de cada dia.

Minha experiência neste último ano me mostrou coisas novas, coisas que havia esquecido e principalmente, me possibilitou começar a desenvolver uma habilidade que nunca considerei que pudesse me trazer tanto conhecimento. Meu conselho é: aprenda a programar, aprenda a falar com as máquinas, você não vai se arrepender.

Eu acho que…

maio 4, 2016 § Deixe um comentário

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Em um artigo publicado em 2014, Microaggression and Moral Cultures, os acadêmicos Bradley Campbell e Jason Manning identificam uma mudança na postura de algumas universidades, que ao invés de “celebrarem” a liberdade de expressão passaram a defender uma espécie de “cultura da vitimização”, pressupondo que as pessoas são inerentemente frágeis e, portanto, deve-se evitar falar algo que possa ofendê-las. Essa postura foi fortalecida pelo que ficou conhecido como “politicamente correto”.

O “politicamente correto” também incentivou a popularização da frase “eu acho que”, muito comum aos ouvidos “mais atentos”. Assim como frases similares em outras línguas, como a inglesa “I feel like”, “eu acho que” traz um paradoxo embutido. Ao “mascarar” uma afirmação como uma “humilde opinião”, ela atua como “coringa” bloqueando argumentações contrárias, porque traz implícito que o emissor não tem tanta experiência (pois apenas “acha”) ao mesmo tempo que reforça opiniões semelhantes. Atua como um “escudo” imediato de quem a usa.

Em tempos de polarização, é entendível que as pessoas queiram se resguardar, mas uma das grandes conquistas da era contemporânea (pós revolução francesa), foi a habilidade de argumentar sem resultar (na maioria das vezes) em violência física. É a premissa do “conflito civilizado”, embutido na democracia moderna. Ao mascarar o conflito, “eu acho que” reprime debates e “alimenta” todo tipo de “achismo”, desde como organizar uma educação pública de qualidade até quem apoiar como candidato à presidência. Atua como uma espécie de coerção da esfera pública e privada.  A verdade é que “achismo” não gera proposta.

Em seu artigo publicado em 1946, “Politics and the English Language”, o escritor George Orwell escreveu a famosa frase “se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também corrompe o pensamento”. No texto, Orwell se preocupa com o efeito da linguagem em nossa habilidade de pensar. Não se trata somente em ter todos os pontos claramente definidos, mas sim em ter, “para início de conversa”, um ponto que valha a pena ser proposto. Isto demanda formular ideias equipadas com o melhor “arsenal” possível em termos de ordem, alcance e precisão. Ao usar “eu acho que”, todo este arsenal é “jogado fora”.

Orwell propunha que as pessoas, além de explicarem claramente o que queriam dizer, tivessem algo válido a ser compartilhado. Ele deixou duas dicas imbatíveis neste quesito:

1) tenha algo significativo para dizer – antes de dizer;

2) quanto mais clara for sua linguagem, melhor será o seu pensamento.

Usar “eu acho que”, diminui a substância do que uma pessoa quer falar. Ao imbuir o pensamento de subjetivismo, e tornar o subjetivismo um fim em si mesmo, menos expressivo o próprio pensamento se torna. Se alguém quiser realmente criar uma “estrutura” de pensamento crítico e criativo para si mesmo e desenvolver a habilidade de propor soluções aos problemas que aparecem no seu cotidiano, deve cultivar a arte da conversação. O primeiro passo é abandonar “vícios” verbais que possam influenciar maus hábitos.

Uma sugestão: na próxima vez em que participar de uma reunião de trabalho, discussão em sala de aula ou jantar em família, substitua “eu acho que” por “eu penso que” ou “eu acredito que” e veja a reação dos demais às suas ideias. Não devemos “achar”, devemos argumentar racionalmente, sentir profundamente e assumir a completa responsabilidade da nossa interação com o restante do mundo.

Bola de cristal

abril 1, 2016 § 2 Comentários

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De um ano para cá tenho desenvolvido um interesse crescente em métodos de análise e modelagem de dados, no que é comumente conhecido como Data Analytics. O que começou como um conhecimento para apoiar o trabalho que desenvolvo em avaliação de ações educacionais, se tornou rapidamente uma fonte de grande prazer pessoal. Conhecer técnicas de Data Analytics é como ter à disposição uma bola de cristal. Utiliza-se os próprios dados disponíveis para identificar seus padrões, promover análises variadas e prever “comportamentos”.

Uma das aplicações possíveis deste campo, embora não muito comumente usada, é na área educacional. Notas, resultados de testes, frequência de aulas, registros de disciplina e ferramentas de desenvolvimento profissional produzem dados que, colocados em certa perspectiva, geram informações valiosíssimas para o próprio sistema. Embora não seja um pré-requisito, o uso da tecnologia na geração e recuperação desses dados tem um papel fundamental na qualidade deles (traz mais acuidade), além de ser um grande incentivador para a integração da própria tecnologia para fins educacionais. Mais do que repositórios para materiais, aulas e atividades, ambientes virtuais são ferramentas de apoio e estímulo ao aprendizado e criam um sistema de comunicação para pais, professores e comunidade. Para a análise de dados, é ouro puro.

O uso de análise preditiva (uma das aplicações de Data Analytics) pode ser determinante, por exemplo, para identificar alunos em risco de não se formarem ou que tenham mais possibilidade de abandonarem os estudos. Uma atuação direcionada antes destes eventos ocorrerem faz toda a diferença na vida dessas pessoas.

Pode-se também “olhar” para além da frequência, dos aspectos disciplinares e das notas e “rastrear” como os estudantes interagem com os recursos de aprendizagem e como se envolvem com o conteúdo e enviar sugestões automáticas de uso para os professores ou para os próprios alunos.

O primeiro ponto nessa história – uso de Data Analytics com viés educacional – é definir as prioridades estratégicas de um sistema de gerenciamento e tecnologia aplicado à educação. Geralmente a intenção é “expandir” as paredes da sala de aula, promover a colaboração e “nutrir” a criatividade e a inovação em alunos e professores. Mas, estas palavras de “ordem” perdem completamente o sentido se não se tiver claramente definido como estes objetivos serão atingidos.

O segundo, é entender que habilidades deverão ser desenvolvidas em todos os usuários do sistema. É a partir delas que se definem as ferramentas a serem usadas (que nem precisam necessariamente serem “tecnológicas”). Com as ferramentas definidas, se consegue também entender como os dados serão “produzidos”.

O terceiro ponto é sistematizar a análise. O uso da tecnologia facilita, mas uma análise que traga informações relevantes atua basicamente “em cima” de requisitos e de critérios para avaliar ensino e aprendizagem, melhorar a comunicação, reforçar a ligação entre a escola e a casa do aluno e garantir a excelência operacional e analítica das práticas correntes do sistema escolar.

O quarto e último ponto é a tecnologia em si. Reflita nos pontos anteriores: a tecnologia é essencial para desenvolver algum deles? A resposta (como já deve ter percebido) é não. Mas, tê-la envolvida é mais ou menos como disputar uma corrida usando uma charrete ou uma Ferrari. Se conseguirá cruzar a “linha de chegada” com as duas, mas o tempo de uma será infinitamente diferente da outra.

E tempo, conta.

Agregar tecnologia à educação é uma questão de “mentalidade de crescimento” (no original, growth mindset). É a crença de que “qualidades” podem mudar e de que podemos desenvolver a nossa inteligência e habilidades. A definição geral de growth mindset pode ser dividida em vários conceitos, tais como a importância de cometer e consertar erros ou refletir sobre o próprio processo de aprendizagem, o que os une é o fato de serem fundamentais para “ensinar” uma pessoa a atuar em um mundo em que criatividade e pensamento inovador constituem ativos de extremo valor.

 

O que equipes de sucesso têm de diferente

março 1, 2016 § 4 Comentários

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Illustration by James Graham

Em 2008 um grupo de especialistas das instituições Carnegie Mellon, MIT e Union College iniciaram uma pesquisa para medir a “inteligência” de grupos, que chamaram de “QI coletivo”. Para isto recrutaram quase 700 pessoas, divididas em pequenos grupos aos quais distribuíram uma série de pequenas tarefas que requeriam diversas formas de colaboração. Eram atividades bem diferentes entre si, como pensar em novas aplicações para um tijolo ou fazer compras em conjunto em um supermercado com diferentes listas para cada membro.

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi que os grupos que se saíram bem em alguma tarefa, também conseguiram bons resultados nas demais e os grupos que não foram bem em alguma, repetiram o mesmo resultado em todas elas. Ao focarem nos grupos que haviam se saído bem, perceberam que apesar de agirem de maneiras diferentes, possuíam duas características em comum.

A primeira era que todos os membros falavam na mesma proporção. Em alguns momentos, todos participavam igualitariamente, em outros a liderança mudava de mãos de acordo com a tarefa, mas no “final das contas” a quantidade de tempo que cada um havia “falado” era praticamente a mesma. Isto levou os pesquisadores a concluírem que quando todos os membros de um grupo tinham a chance de participar, o grupo ia bem. Quando uma pessoa ou um grupo restrito dominava, a inteligência coletiva caía. Esse fenômeno foi chamado de “igualdade na distribuição de turnos de conversação” (no original, “equality in distribution of conversional turn-taking”).

A segunda característica que todos os bons grupos possuíam era a “sensibilidade social” – um jeito chique de dizer que eram habilidosos em intuir como os outros membros se sentiam apenas pelo tom de voz, expressão facial e outras formas não-verbais de comunicação. Para medir esta habilidade, os pesquisadores utilizaram um teste chamado “reading the mind in the eyes” – algo como “lendo a mente pelos olhos” – que consiste em mostrar fotos de olhos de pessoas e pedir para descreverem o que aquelas pessoas estavam pensando ou sentindo. Os bons grupos pontuaram acima da média neste teste – em contraste, os grupos que não foram bem nas tarefas pontuaram abaixo da média. Estes grupos (os mal avaliados) aparentaram ter uma baixa sensitividade em relação aos próprios membros.

Antes de continuar, gostaria de propor uma questão. Se você tivesse que contratar uma das duas equipes a seguir, qual delas escolheria?

Equipe A: composta por pessoas extremamente inteligentes e de sucesso comprovado. São profissionais que aguardam aparecer um tópico que dominam e então o explicam detalhadamente e indicam o que a equipe deve fazer em relação a isto. Quando algum dos integrantes faz um comentário não pertinente ao tópico, é lembrado da agenda da reunião e do assunto que estão debatendo. É uma equipe eficiente, que não perde tempo com conversinhas e longas discussões. As reuniões acabam invariavelmente na hora e cada um volta imediatamente aos seus afazeres.

Equipe B: composta por algumas pessoas de sucesso, algumas medianas e outras com poucas realizações profissionais. Pulam e voltam aos assuntos sem muito direcionamento. Vários falam ao mesmo tempo e algumas vezes completam as frases uns dos outros. Quando alguém muda de tópico, invariavelmente os outros seguem a sugestão e não é raro abandonarem a agenda. As reuniões não têm um final, as pessoas simplesmente param de tratar dos assuntos em questão para falar da vida pessoal ou fofocar.

A equipe A é certamente o “sonho” de qualquer gestor, mas sugiro fortemente que prestem atenção no que diz a professora de Harvard, Amy Edmondson, no artigo “Psychological Safety and Learning Behavior in Work Teams”, publicado no já longínquo ano de 1999. Trocando em miúdos, “Segurança Psicológica” pode ser descrita como o “clima” de confiança e respeito mútuo da equipe que permite com que as pessoas estejam confortáveis para serem elas mesmas. Isto gera um senso de autoconfiança em cada membro de que não será rejeitado, humilhado ou punido por dizer o que pensa. Amy Edmondson também é autora de um livro que costumo recomendar para todos que estejam interessados em atuar na “economia do conhecimento”, chamado “Teaming”.

Apesar de ser uma equipe séria, em que todos estão interessados em “dar o seu melhor” e cujos membros têm um alto grau de eficiência individual, a equipe A desencoraja “igualdade” no falar; permite pouca interação pessoal, que faz com que seus membros não tenham condição de “pescar” sentimentos ou “coisas” não ditas; e há uma grande chance deles continuarem agindo individualmente mesmo estando em grupo. Ao longo do tempo, é pouco provável que essa equipe desenvolva um alto grau de “QI coletivo” – traduzindo, dificilmente vai gerar propriedade intelectual ou inovação.

A equipe B, apesar de parecer errática, com seus membros falando ao mesmo tempo, saindo pela tangente em discussões e socializando quando deveriam estar trabalhando, não é tão ineficiente quanto aparenta. Ao permitir que seus membros falem tanto quanto achem necessário e que criem sensibilidade para perceber os humores e sentimentos uns dos outros, está sedimentando as bases da “Segurança Psicológica” e da criação de elos interpessoais. Em médio e longo prazo, apesar de não possuir muitas “estrelas”, a equipe B se tornará mais inteligente coletivamente do que a equipe A – e na “economia do conhecimento”, ao fim e ao cabo é isto que importa. Porque é isto que gera dinheiro.

Sei que para muitos pode parecer uma insanidade permitir que funcione em um ambiente corporativo um processo como o da equipe B. Sei também que para 99% dos gestores com poder de decisão, a equipe que seria contratada para qualquer projeto seria a A. O exemplo muitas vezes é o melhor incentivo para a mudança de comportamento, então aí vai um. Uma “pequena” empresa da Califórnia tem gastado os “tubos” financiando pesquisas como a da professora Edmondson e contratando equipes B. Talvez você conheça, chama-se Google.

Como ser um aprendiz online?

fevereiro 23, 2016 § Deixe um comentário

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Quando se “fala” em aprendizado online, a primeira “coisa” que vem à mente são os tipos de cursos comumente chamados de “cursos online”. Embora se tenha a impressão de que são, digamos, uma versão pré-formatada de e-learning, curso online pode ser desde um tutorial até palestras gravadas ao vivo e disponibilizadas posteriormente. Há “1 milhão” de possibilidades do que se pode fazer.

A postura de quem se utiliza de aprendizado online conta tanto quanto o tipo de “curso” escolhido. Os dois pontos principais aqui são o comprometimento com a oportunidade de aprendizado e a participação ativa no processo. “Correr atrás” é importante para se fazer qualquer coisa, em aprendizado online assume um caráter essencial. Como é o aprendiz quem “conduz” o processo, proatividade é a diferença entre aprender ou não.

Como já escrevi a respeito de autoaprendizado em outros textos, possivelmente soarei repetitivo. Algumas atitudes são fundamentais e o fato de aparecerem recorrentemente, em minha opinião, só reforça a sua importância. O cerne da questão aqui é aumentar o horizonte educacional, portanto:

Descubra suas preferências de aprendizado: todos temos necessidades e preferências pessoais. Conhecer as próprias, é fundamental para escolher o que funciona melhor para si e a abordagem mais apropriada. Alguns retém melhor o conhecimento de forma visual, outros funcionam melhor ouvindo. Com o aumento cada vez maior da velocidade de navegação, a internet permite diferentes possibilidades. Uma vez identificado o seu gosto, fica mais fácil escolher atividades e exercícios que oferecem o melhor retorno.

Se dê tempo para refletir: para reter e absorver o que se está aprendendo, é preciso ter a chance. Como o processo acontece no seu ritmo, a pior decisão possível é correr para passar para o próximo módulo. Refletir em um tópico visto e desenvolver a sua própria opinião a respeito dele, facilita a memória de longo-prazo. Isto acontece porque o conhecimento novo é associado a conhecimentos pré-existentes na “forma” de correlação de ideias. Entre cada aula ou atividade online, se permita um tempo para pensar sobre os pontos principais – há um termo em inglês para representar esses pontos que acho incrível, takeaways – e formar suas próprias conclusões sobre como aplica-los no mundo real.

Estabeleça metas pessoais: o centro de um aprendizado é o seu objetivo. Para que aprender um “truque” novo, se o antigo ainda funciona? A motivação pessoal exerce mais influência durante um aprendizado do que em qualquer outro momento. Não é fácil se manter em curso, por isso ter claro aonde quer chegar é fundamental. Mais do que uma visão em longo prazo, “aonde quer chegar” pode ser dividido em pequenas metas, que permitam acompanhar a sua evolução ao longo do caminho por meio de pequenos desafios ou autoavaliações.

Transforme o aprendizado em uma experiência social: aprendizado consistente não é um desafio solitário. Encontrar pessoas com interesses e ideias semelhantes em redes sociais ou em fóruns online, permite não apenas colaborar com “pares”, mas também se beneficiar com suas habilidades e insights – além de se cercar de outros aprendizes online com tanto (ou mais) vontade em aprender.

Desafie suas ideias e opiniões pré-existentes: um cara que não canso de citar é o Eduardo Giannetti, um economista de formação que se tornou (na minha opinião) um dos pensadores brasileiros mais originais. O Giannetti tem um livro chamado “O mercado das crenças” em que instiga o leitor com a defesa da “tese” de que só acreditamos no que queremos. Quem quiser se aprofundar, recomendo a leitura, mas o que quero sinalizar é a importância de não se “apegar” às próprias ideias e convicções. Esta atitude pode ser até boa para “transmitir credibilidade” (embora discorde), mas é péssima para o aprendizado. Seres-humanos geralmente tem aversão em “escutar” que algo que acreditam é incorreto ou “mal informado”. Certamente ninguém é “dono da verdade”, mas “duvidar” das suas ideias e opiniões pode “abrir” um mundo de novas oportunidades de aprendizado.

Se permitirmos a possibilidade de que algo que acreditamos, muitas vezes durante anos, ser questionável, podemos descobrir coisas novas sobre nós mesmos e o mundo. Isto abre a “ cabeça” e o “coração” para um aprendizado que nunca acaba.

Momento “Aha!”

fevereiro 16, 2016 § Deixe um comentário

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Para início de conversa, vale esclarecer que o título não tem conexão com a famosa banda dos anos 80. Escolhi porque me soa melhor do que “eureca”, por exemplo. O sentido é o mesmo, está relacionado àquela “hora” em que algo parece “clicar” na cabeça e o que era complicado, como em um passe de mágica, se descomplica. Aposto que em algum momento já aconteceu com todo mundo.

Quando estamos aprendendo algo, o momento “aha!” de tão esperado parece nunca chegar. Muitos se cansam e desistem no meio do caminho. Outros perseveram, mas encontram um processo tão repleto de frustações que aprender se torna sinônimo de sofrimento. Sei que muitas vezes conselhos como “siga em seu próprio ritmo”, apesar de corretos, tem efeito muito reduzido quando se está desiludido com a própria velocidade de aquisição de conhecimento.

É meio senso comum que perguntas são uma das melhores opções para se testar o entendimento. Mas elas também são uma das causas da desilusão com o próprio aprendizado quando propõe uma reflexão incompleta – e acredite, na maioria das vezes é esta a proposta. Isto porque a própria pergunta é incompleta. Ou é muito objetiva, ou é muito subjetiva, ou é simplesmente mal formulada. Para podermos refletir adequadamente a respeito de algum conteúdo – e estimular o tal momento “aha!” – devemos aprofundar 4 tipos (ou níveis) de questionamento (ou pergunta, se preferir):

O que este conteúdo diz?

Como este conteúdo funciona?

O que este conteúdo significa?

O que este conteúdo me inspira a fazer?

Vou abordar um pouco cada uma delas para poder contextualizar melhor (por exemplo, a pergunta 3, apesar de parecer, não levanta as mesmas reflexões que a pergunta 1).

O que este conteúdo diz?

Esta categoria de questionamento requer que se pense, literalmente, a respeito do conteúdo. É preciso focar tanto na ideia ou entendimento geral quanto nos detalhes-chave. Em literatura, por exemplo, é a famosa “interpretação de texto”. Entender o conteúdo em sentido literal é pré-requisito para que se possa, eventualmente, entendê-lo em níveis mais profundos.

É impossível alguém fazer qualquer tipo de inferência a respeito de algo se não entender o que aquilo quer dizer. Esta categoria é tão importante que gerou um dos pilares da Inteligência Artificial, a representação do conhecimento.

Como este conteúdo funciona?

Quando temos o entendimento literal do conteúdo, é hora de partirmos para o segundo nível de questionamento, o nível estrutural. Para facilitar o entendimento, vou usar como exemplo um conteúdo que tenha sido disponibilizado em texto (como este). Os seus questionamentos devem focar em vocabulário, escolha das palavras, estrutura do texto, habilidade do escritor (narrativa, recursos literários – como metáfora, por exemplo) e propósito.

A análise estrutural requer que se pense nas particularidades do conteúdo. Quanto mais entendemos as suas estruturas internas, mais entendemos as informações contidas nele. Quem conhece a respeito da hierarquia DIKW (comumente chamada de hierarquia do conhecimento) sabe que informação é dado contextualizado. Este nível procura exatamente esclarecer esta contextualização.

O que este conteúdo significa?

Este nível de questionamento lida com a análise inferencial e aborda as conclusões lógicas que se faz a partir do conteúdo. É o momento de se comparar conteúdos e ideias – relacionadas ou não – ao que se está aprendendo. Ao fazermos isso, estamos estimulando a formação da nossa própria opinião e argumentação em relação ao conteúdo utilizado para o aprendizado.

Mas atenção, embora tenha optado por não numerar os níveis de questionamento – para não dar a impressão de que são processuais – há uma certa relação com o grau de entendimento que temos do conteúdo. A análise inferencial é baseada na compreensão do conteúdo nos níveis literais e estruturais – não por acaso os níveis comentados anteriormente.

É realmente difícil responder a esse tipo de pergunta se não tivermos ideia do que o conteúdo diz, literalmente, ou como ele foi construído.

O que este conteúdo me inspira a fazer?

Quando se compreende profundamente algo, é natural que se queira agir, colocar para funcionar, colocar a mão na massa. Cresce a vontade em utilizar a informação ou a perspectiva desenvolvida. Este é o momento que temos a certeza de que aprendemos algo (e que chamei de “aha!”).

Mas é importante saber que nem todo mundo se inspira da mesma forma. Alguns se sentem impelidos a escrever algo a respeito, outros em aprofundar a pesquisa, outros em pensar em maneiras de tangibilizar, como por exemplo um produto ou negócio. Alguns querem participar de debates a respeito para testarem a sua convicção ou força do argumento. Não há modo certo e é isto que faz com que o aprendizado seja estimulante. É isto também que faz com que o aprendizado seja uma experiência pessoal. Ele nos “atinge” de maneiras diferentes.

E é também por isso que alguns (como este que escreve) defendem que o aprendizado seja estimulado por formas diferentes das tradicionais (também conhecidas como formais). A força do aprendizado formal só é potencializada quando incluímos o aprendizado informal e o autoaprendizado na equação. É bom aprender com o professor. Mas também é bom aprender com o Bill Gates, com o Steve Jobs, com o John Lennon e com o Zé das Couves, que vende verdura ali na esquina.

Storytelling, aprendizado e o nosso cérebro

fevereiro 10, 2016 § Deixe um comentário

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Contam que certa vez, para demonstrar os seus dotes de escritor, Ernest Hemingway aceitou o desafio de escrever uma história com apenas 6 palavras. Saiu-se com a seguinte frase: “For sale: baby shoes, never worn” – em uma rápida tradução, “à venda: sapatos de bebê, nunca usados”. A frase ficou conhecida como o conto mais curto do mundo e ganhou notoriedade muito pela fama do autor. Atualmente tem sido estudada não em classes de literatura, mas em pesquisas cognitivas. Pesquisadores a usam para determinar o quão poderoso é o efeito de uma boa história sobre o cérebro.

O neurocientista Paul J. Zak, diretor do centro para estudos neuroeconômicos da Universidade de Claremont, em um artigo publicado na revista “Cerebrum”, analisa o conto, focando sua “força” em 3 aspectos, comuns em histórias inspiradoras: a) utiliza o conceito de limiar de atenção do cérebro (attention span) a seu favor; b) utiliza o poder do impacto emocional; c) utiliza a combinação dos 2 (limiar de atenção e impacto emocional) como atalho para a mensagem.

Histórias captam melhor a nossa atenção do que outras formas de informação porque deixam um traço físico e emocional no cérebro. Em parte, por razões evolutivas. Como somos criaturas sociais, interagindo regularmente com desconhecidos, histórias cumprem o papel de transmitir efetivamente informações e valores culturais de um indivíduo ou comunidade a outro. Histórias pessoais ou emocionais tinham a função de facilitar a lembrança do que era passado e por esta razão, eram mais utilizadas do que uma simples declaração de fatos.

Zak e sua equipe utilizaram em sua pesquisa uma animação que conta a história de Ben, um menino de 2 anos que tem um tumor cerebral. O vídeo traz o “pai” de Ben contando que o filho tem apenas alguns meses de vida, enquanto o próprio garoto brinca ao fundo (para assisti-lo, clique AQUI). Os pesquisadores perceberam que após assistir ao vídeo, cerca de metade das pessoas doavam dinheiro para instituições que tratavam de crianças com câncer. Construíram então, um modelo matemático para analisar uma série de histórias emocionais e ajudar a “prever” a reação das pessoas a elas. “Descobriram” 2 aspectos fundamentais nas histórias que consideraram mais efetivas. O primeiro, ela deve não apenas chamar a atenção, mas mantê-la durante um período de tempo. O segundo, deve transpor quem a ouve para o lugar ou o “mundo” dos personagens.

Como se aprende por histórias?

Como não são todas as histórias que conseguem manter a atenção de alguém durante certo período e transpor para o “mundo” dos personagens, é preciso entender como isto acontece. Na visão de alguns teoristas da narrativa existe uma “estrutura universal de histórias”, chamada de “arco dramático”. Ele começa com algo novo e surpreendente, proporciona um aumento de tensão com dificuldades que os personagens devem superar, geralmente por conta de uma falha ou crise em seu passado, leva ao clímax, onde os personagens devem “olhar” para dentro de si para poderem superar os problemas e então, uma vez que se reinventarem ao encontrarem “sua verdade”, a história se resolve por conta própria.

Esta estrutura ajuda a transmitir a informação de forma que não nos esqueçamos dela facilmente. Instintivamente, procuramos pela “estrutura universal” quando sentimos a necessidade ou a urgência de “decodificar” algum dado que acreditamos relevante.  O “arco dramático” é a “razão” pela qual boa parte das pessoas olha para acidentes de carro ao passar por eles. É preciso saber se há sobreviventes porque talvez eles tenham feito algo que os fez sobreviver. Ou então, é preciso saber se o motorista fez algo que causou o acidente. E nós, por uma questão evolutiva, temos a necessidade de conhecer informações importantes para a nossa sobrevivência.

Explorando o potencial educacional de histórias (e do “arco dramático”), algumas organizações estão integrando narrativas aos seus esforços (educacionais ou não) com resultados animadores:

Criada em 2012, a iniciativa Narrative 4 ou N4, estimula o aprendizado via histórias com um processo bem simples, que está sendo replicado em diversas escolas e centros comunitários mundo afora. 2 participantes “criam” cada um uma história e a contam para o outro. Quem ouviu a história, tem que recontá-la para mais duas pessoas e assim por diante. O objetivo é quebrar barreiras e preconceitos por meio da “troca” de conhecimento.

Storycorps, o já lendário projeto de história oral de Dave Isay, começou em 2003 com uma cabine de gravação no Grand Central Terminal de trens em Nova York, onde pessoas comuns gravavam a “história” da sua vida para compartilhar com os demais. Treze anos depois (e mais de 50 mil gravações), estas histórias individuais constituem um dos maiores legados sociológicos contemporâneos.

Humans of New York, é um blog lançado pelo fotógrafo Brandon Stanton, para registrar a imagem e as histórias de nova-iorquinos comuns. Com mais de 20 milhões de seguidores hoje, o “projeto” é considerado um “senso fotográfico” da cidade nos dias atuais e usado como fonte de pesquisa em diversos estudos acadêmicos.

A narrativa (ou mais conhecida em alguns meios como storytelling) não é apenas um processo artístico para criação de entretenimento. É um fio condutor memorável que também pode nos ajudar a reter informações importantes e aumentar o aprendizado, uma vez que “estimula” o cérebro a “processar” a informação no ritmo em que ela é passada.

 

Obama, programação e robótica

fevereiro 2, 2016 § Deixe um comentário

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Em janeiro último, o presidente Obama fez o seu discurso final ao congresso americano. É uma prática centenária chamada “State of the Union”, em que o mandatário do poder executivo presta contas aos poderes legislativo e judiciário e compartilha o planejamento para o ano corrente. Em um dos tópicos, Obama verbalizou a importância em “ajudar os estudantes a aprenderem a escrever códigos para computadores”. Ao se comunicar diretamente com estudantes em um evento posterior, o presidente americano os instigou a “dominar as ferramentas e tecnologias que irão mudar tudo o que conhecemos”.

Obama está certo. Não apenas estudantes, mas todos nós, deveríamos mudar o foco de recebedores passivos de tecnologia para criadores ativos de programas, aplicativos, invenções tecnológicas, etc. Esta mudança de atitude, mais do que uma “corrida” tecnológica, significa adequar a forma de pensar para uma mentalidade dinâmica, em que se destaca a “nutrição” do pensamento com conhecimentos abrangentes e a imaginação para melhorar criativamente a comunidade a nossa volta. A “criação” de tecnologia é apenas um condutor (não o único) para esta energia. É bem verdade que é um condutor altamente eficaz, o que leva o presidente dos EUA a “fazer campanha” a seu favor.

Apesar do custo ser apontado como um inviabilizador da iniciativa de se promover uma distribuição coletiva deste tipo de conhecimento, algumas alternativas, como o uso de conhecimentos do tipo acesso livre (open access), ajuda a mitigá-los. Opções como Khan Academy e Code.org já oferecem seus conteúdos em diversas línguas, inclusive o português. São gratuitos (para educadores, estudantes e pais), oferecem incentivos motivacionais e atraem os mais novos com gráficos altamente coloridos e interfaces que usam personagens conhecidos de videogames e temas “lúdicos” como zumbis. Sites como estes representam o primeiro passo para introduzir o coding (como a programação de computadores vem sendo chamada) na vida de um leigo.

O passo seguinte para atingir o que Obama sugeriu (“dominar as ferramentas e tecnologias que irão mudar tudo o que conhecemos”) é a robótica. Instituições e ferramentas destinadas a popularizar o conhecimento e o aprendizado de robótica como Sphero, Wonder Workshop e Lego Mindstorms – apesar de estarem por enquanto disponíveis apenas em inglês, não são empecilho para quem tem algum conhecimento na língua (mesmo em nível escolar) e disposição para aprender. Estas opções para o aprendizado em robótica demonstram que não é necessário montar um laboratório caríssimo do nível do M.I.T. para colocar a “mão na massa”. A robótica “promove” quem conhece coding, da interface solitária de uma tela de computador para uma comunidade social ativa.

Agora que vimos “como” o apelo do Obama pode ser colocado em prática, proponho analisar “porque” ele deve ser colocado em prática. Fugindo de viés social ou econômico – que também podem ser usados para justificá-lo – pretendo focar no viés cognitivo. Afinal, como dizem, preparo educacional e inteligência são algo que nenhuma crise econômica tira de uma pessoa.

Ponto 1: aprendizado sensorial

Seres humanos aprendem utilizando todos os seus sentidos. Alguns pesquisadores têm se esforçado para demonstrar que uma abordagem multissensorial ativa um número maior de conexões cognitivas do que a abordagem tradicional, focada no audiovisual. Programação e robótica atuam neste sentido, encorajando quem as aprende a tocar, construir, medir, avaliar e testar o que fazem. Isto envolve emocionalmente e fisicamente quem aprende, estimulando o aumento de conexões neurais que resultam em um aprendizado ativo e reforçam, pela experiência, a memória de longo prazo.

Ponto 2: melhora da socialização

Aprendizado pela socialização não é nada novo. Lá nos anos 1970, Albert Bandura estabeleceu a teoria mais conhecida da aprendizagem por socialização, que estimulava as pessoas a aprendem umas com as outras, através da observação, imitação e criação de modelos. Esta linha de pensamento é ainda relevante hoje, quando observamos o crescimento da comunicação e colaboração como habilidades críticas para o sucesso profissional. Estratégias para aprendizagem que utilizam como ferramentas a programação computacional e a robótica, além de oferecerem oportunidades de socialização, estimulam o desenvolvimento da habilidade de escutar e avaliar perspectivas alternativas (em um mundo que parece se radicalizar pelos extremos – tanto em uma linha conservadora quanto liberal – esta habilidade pode ser essencial para evitar que explodamos uns aos outros no futuro).

Ponto 3: oportunidade para promover inovação ao alcance das mãos

Em um livro que recomendo bastante, Daniel H. Pink, autor de obras lidas por interessados em administração de empresas, teoriza que nestes anos iniciais do século XXI temos testemunhado uma mudança de mentalidade que irá “pavimentar” o caminho para o restante do século (os 84 anos que ainda temos pela frente). Neste “novo mundo”, o MFA (Master in Fine Arts) irá substituir o MBA (Master in Business Administration) em importância. A questão que Pink aborda, é que não basta “gerenciar” para estimular a inovação. É necessário ter disponível as habilidades criativas para tal.  Embora criatividade e pensamento inovador não possam ser automatizados em um programa de computador, o raciocínio lógico que a programação computacional se nutre também estimula oportunidades de construir e expressar a imaginação. Associadas à robótica, estas oportunidades se potencializam.

Ponto 4: aumento do rigor intelectual

Os níveis mais altos da Taxonomia de Bloom (criada pelo psicólogo Benjamin Bloom em 1956) são as capacidades de aplicação, análise, síntese e avaliação. Ao atingir este ápice de pensamento, a pessoa adquire a capacidade de visualizar maneiras viáveis (e novas) de aplicar seu conhecimento. Programação computacional e robótica permite transformar fatos e ideias em “blocos” que podem ser usados para “construir” aplicativos, produtos e invenções. Os 84 anos que temos adiante irão demandar um alto nível de pensamento para enfrentarmos os desafios que nos aguardam. Por que não utilizar “caminhos” que ajudem atingirmos este nível com mais facilidade?

O desejo de criar não é nada novo na história da humanidade. A combinação de corações, mentes e corpos sempre contribuiu para a melhoria do mundo – especialmente após o iluminismo do século XVIII. Mas, me pergunto se estamos nos preparando adequadamente para valorizar nossa criatividade e aumentar nossa possibilidade de criação. Obama está deixando o seu cargo, mas tocou em um ponto fundamental não apenas para americanos, mas para o restante do mundo. Vale a pena ouvir.

 

O futuro da educação

janeiro 26, 2016 § Deixe um comentário

Não são poucos os que afirmam que “as perguntas são mais importantes que as respostas” – uma rápida pesquisa pelo Google aponta “aproximadamente” 18.700.000 resultados – somente para a frase em português. Seguindo essa premissa a Bright, publicação online baseada na plataforma Medium e que recebeu aporte financeiro de ninguém menos que o fundador da Microsoft (por meio da The Bill & Melinda Gates Foundation), fez a seguinte pergunta a alguns educadores participantes do TED-Ed Innovative Educators: “como a escola vai estar em 2050?”.  Como para a maioria das pessoas, conscientemente ou não, a escola está diretamente ligada à educação, a pergunta pode ser entendida como uma previsão (ou “jogo de adivinhação”) a ser checada daqui a 34 anos a respeito do próprio futuro da educação.

Como de se esperar, as respostas variam de “não vai mudar muito” até “será completamente diferente” (quem quiser pode checar AQUI). O interessante, para mim, não são as respostas em si, mas o que se pode subentender por elas. Dos que responderam que alguma mudança virá, o fazem sob 3 premissas básicas: uso maciço da tecnologia, criatividade como habilidade profissional desejada e uso prático do conhecimento como forma de aprendizagem.

Scott Teplin, um dos colaboradores da Bright, captou bem as 3 premissas em algumas ilustrações que replico abaixo. A sala de aula pode se transformar no próprio colégio.

Pátio do recreio

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Illustration by Scott Teplin

Cafeteria da escola

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Illustration by Scott Teplin

Exercícios de “futurologia” à parte, o que liga estas 3 premissas (que na minha opinião são válidas) é a capacidade de se propor desafios para o aprendiz. Uma das formas de estimular desafios é utilizando os campos de conhecimento formadores do acrônimo em inglês STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Uma das razões do enfoque nestes campos é a eficiência deles em estimular a imaginação e o engajamento pela prática.

É claro que o simples fato de disponibilizar as disciplinas não irá gerar desafio algum por si só. O que faz diferença é a forma como as disciplinas são implementadas. A organização MESA USA (Mathematics, Engineering, Science Achievement), que desde 1970 advoga em favor das disciplinas STEM e já ajudou, através de seus programas, milhares de estudantes a se transformarem em cientistas, engenheiros e matemáticos, investiu mais de um ano de trabalho e de recursos financeiros desenvolvendo “desafios” para estimular o aprendizado em STEM e compartilhou 5 estratégias que podem ser aplicadas para quem quer construir os seus próprios desafios de aprendizado.

1) Faça algo pessoal: escolha temas que possam se relacionar pessoalmente com você (ou com os aprendizes). A MESA escolheu, por exemplo, o desenvolvimento de próteses de baixo custo, porque conecta a engenharia a uma questão relevante. Segundo David Coronado, presidente da organização, “vários estudantes veem de campo de refugiados ou de países com pouco acesso à serviço médico e medicamentos”. Como possuem histórias pessoais envolvendo o tema, percebem imediatamente o benefício que seu trabalho pode gerar, desta forma se conectam a ele com mais facilidade.

2) Procure conselhos e opiniões: a organização se consultou com especialistas quando estava desenvolvendo seus desafios para poder construí-los de maneira autêntica. Para o desafio das próteses, buscaram conselhos da associação de veteranos de guerra e de médicos que trabalham com amputados. Desta forma, puderam direcionar os estudantes a implementarem os mesmos testes que são implementados por profissionais que desenvolvem próteses.

3) Faça pequeno: quando se desenvolve projetos com objetivos educacionais, é preciso lidar com situações pouco comuns às instituições de ensino, como por exemplo, estocar os produtos criados. A solução encontrada pela MESA foi a construção de próteses em tamanhos reduzidos, mas que pudessem ser fabricadas em tamanho normal se fossem entrar em uma linha de produção de verdade.

4) Faça barato: definir um limite das despesas força quem desenvolve um “produto” a ser criativo para reutilizar e “reimaginar” materiais. No caso dos protótipos, os estudantes foram orientados a usar o lixo reciclável – metais, plásticos e vidros são a matéria-prima dos protótipos, não há motivo para desperdiçar o que outros não querem mais. Modelagem e protótipos são usados para comunicar o que o “inventor” está pensando, isto está relacionado à experimentação, à construção e a “brincar” com as ideias e não com o uso do “material certo”.

5) Pense “low-tech”: apesar de ser um dos componentes do STEM, a organização deliberadamente evitou soluções de tecnologia em seu desafio de próteses. “Nós não queremos passar seis meses ensinando robótica aos alunos “, afirmou Coronado. Em vez disso, a ênfase foi no processo de design thinking.

É preciso engenhosidade, vontade em construir, aceitação da falha e certeza de que implementar o conhecimento é tentar novamente. Estas atitudes estão intimamente ligadas ao sucesso de quem quer implementar a sua propriedade intelectual. Se conseguirmos estimulá-las via nosso sistema educacional, não importa como ele seja em 2050, vai ter cumprido o papel que se espera em uma sociedade baseada no conhecimento.

 

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