Criar, aprender e se fazer as perguntas certas

julho 21, 2016 § Deixe um comentário

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Criar é tão antigo quanto aprender. De ferramentas de pedra a desenhos nas cavernas, a criação humana se confunde com a própria atividade da nossa espécie. Podemos afirmar, com pouca dúvida, que “está em nosso sangue”. Por que então nosso sistema educacional – com raras exceções – se preocupa tanto com o conceito, muitas vezes em detrimento da própria aplicação prática? Talvez a resposta esteja em nossas próprias diretrizes educacionais.

A Lei 9.394/1996, também conhecida como “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”, estipula em seu artigo 32 os objetivos do ensino fundamental, que se inicia aos 6 anos de idade e tem duração de 9 anos. Como é um pouco longo, sugiro que quem tiver interesse de lê-lo na íntegra, baixe gratuitamente o livro “Legislação Brasileira sobre Educação”, editado pela Câmara dos Deputados. De qualquer forma, um pequeno resumo se faz necessário: temos como objetivos desenvolver a capacidade de aprendizado (leitura, escrita e cálculo como elementos para tal) e de aprendizagem (conhecimento, habilidades, atitudes e valores), a compreensão do ambiente da sociedade e o fortalecimento dos vínculos sociais. Com exceção de uma referência tímida ao desenvolvimento de habilidades (que está ligada à implementação), a maior parte dos objetivos do sistema educacional brasileiro está ligado diretamente à conceptualização (tanto no aprendizado quanto na socialização). Para facilitar o entendimento, dou como exemplo o ensino de literatura. Muito provavelmente, se estivermos aprendendo literatura, seremos orientados a ler determinados livros e nosso entendimento da narrativa literária será avaliado por meio da nossa capacidade de conceptualização dela (redação, prova, etc.). Dificilmente seremos instigados a “implementar” a narrativa, por meio da encenação de uma peça, por exemplo.

Pensadores educacionais como Johann Pestalozzi, Maria Montessori, Seymour Papert –  além dos nossos próprios Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro –  ajudaram a pavimentar o caminho alternativo do que vem sendo chamado atualmente de “maker movement”  (movimento criador ou fabricante), salientando a importância da aprendizagem significativamente centrada na implementação prática do conhecimento. Ao invés de verem a aprendizagem como a transmissão de conhecimentos de professor para aluno, esses pensadores abraçaram a ideia de que os seres-humanos aprendem melhor quando encorajados a descobrir, reproduzir e experimentar.

No coração do “movimento”, está a crença de que todos os alunos são criadores. Em vez de apenas receberem materiais que estimulem a memorização para testes, os aprendizes são incentivados a usar o que sabem para projetar e construir, seja utilizando objetos do cotidiano para explorar a tecnologia ou usando uma impressora 3D para construir uma prótese mecânica para uma criança. Colocar a “mão na massa” tem um papel fundamental nesse processo, tanto que o local de aprendizado se parece mais com uma oficina do que com uma sala de aula. Apostilas ou livros didáticos são mais propensos a serem utilizados como referência – uma ferramenta para ajudar os alunos a experimentarem e construírem – ao contrário das aulas tradicionais, onde memorizar o livro muitas vezes é o próprio objetivo.

Um dos métodos mais utilizados nesta metodologia é o project-based learning (aprendizado baseado em projetos), que abordei em outros textos (quem se interessar, um link compilatório). O citei apenas como referência, o que gostaria realmente de abordar a seguir é a mentalidade envolvida no processo. Mais do que ferramentas ou tecnologia, a metodologia incentiva o aprendiz a formular as próprias perguntas e perseguir as respostas de forma orgânica. Em contraste com a abordagem da “única resposta correta”, a mentalidade envolve a busca de maneiras de se aproximar dela através da experimentação e a “jogar” com as possíveis resoluções dos problemas. Os erros são entendidos como parte da aprendizagem, uma vez que incentivam os aprendizes a ultrapassarem os limites das suas capacidades atuais. Como todo bom cientista entende, cada erro cometido é uma oportunidade de incorporar o que foi aprendido com ele e a testar uma nova maneira de resolver os desafios – muitos deles, nem previstos anteriormente. Em uma cultura educacional que coloca um enfoque excessivo em provas conceituais, há um alto risco de se formar adultos focados em encontrar as “respostas certas”, quando deveriam pensar prioritariamente nas “perguntas certas”.

O questionamento é uma forma poderosa de aprendizagem. Barron e Darling-Hammond, em pesquisa publicada em 2008, mostram que os alunos aprendem de maneira mais profunda quando têm a oportunidade de aplicar conhecimentos adquiridos em sala de aula nos problemas do mundo real. Fazer perguntas fornece contexto, que por sua vez, ajuda a reforçar a aprendizagem.  Isto acontece, porque desta forma quem aprende é estimulado a transferir a sua aprendizagem para novos tipos de situações, incluindo aquelas que ocorrem fora da sala de aula.

Como a maioria de nós, fui criado em um modelo educacional que estimula a conceptualização excessiva e tive muita dificuldade em colocar “na vida real” o que aprendi no colégio e na faculdade. Felizmente, encontrei em minha vida profissional pessoas que me incentivaram a pensar em formas de aplicar o que sabia e tiveram a paciência de não me demitir quando algo não saia como deveria. Confesso que tive sorte e que esta não é a realidade da maioria, portanto o quanto antes se comece a incentivar a aplicação do conhecimento, melhor para a sociedade.

Para melhor fluidez do texto, evitei colocar as referências acadêmicas do “maker movement”. Corrijo isto, compartilhando a bibliografia logo abaixo para quem tiver interesse em explorar mais a metodologia.

Bibliografia

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Sobre dados

abril 14, 2016 § 1 comentário

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Passadas as definições estratégicas de um projeto de Data Analytics com viés educacional, é hora de pensar especificamente no seu “coração”, os dados. É preciso ter claro alguns pontos: qual informação se quer conhecer; quais conjuntos de dados expressam essa necessidade, como eles serão conseguidos e finalmente, como serão usados.

Vamos focar no primeiro ponto, o mais básico deles: qual é a informação que o projeto deve entregar? Para responder esta pergunta, é preciso refletir nos benefícios que se espera atingir com ele. Se quisermos melhorar o nível de aprendizagem, é necessário focar em obter informações que demonstrem o nível de retenção e os conhecimentos que geram mais dúvidas. As “mídias” em que este conteúdo é entregue, também podem ajudar bastante na análise posterior e definição da estratégia para melhorar a aprendizagem. Se o benefício que se deseja for outro, como por exemplo, desestimular o abandono, as informações geradas também mudam. Foca-se em tempo gasto em estudo, performance em exames, interação, dentre outros.

O importante é ter em mente que informação é dado contextualizado, se não se souber que informação se deseja, não há como saber que dado procurar. Daí o segundo ponto, definir os conjuntos de dados que expressam essa necessidade. Como já abordei alguns exemplos de dados associados a informações, vale focar em uma outra questão importante neste momento. Fora as informações já relacionadas como importantes, existem outras que possam emprestar contexto ou adicional valor à sua análise? É importante ter em mente esta resposta, porque ela pode acrescentar outros dados contextuais à análise.

O ponto seguinte gira em torno da definição – ou melhor – localização das fontes que contém esses conjuntos de dados. Banco de dados que contenham informações acadêmicas, disciplinares, acesso a sistemas online, rankings de performance, são tantas as fontes possíveis, que neste momento é possível que o projeto de Data Analytics se transforme em um projeto de Big Data Analytics. É aqui que se sentirá a importância de se ter “parado” antes para realizar a definição estratégica do projeto. Ela mantém claros o motivo e o objetivo que se quer alcançar, neste momento em que é fácil perder o “horizonte” do escopo.

Aqui também vale abordar o tópico, comumente chamado na área de análise de dados, de dark data. A definição mais aceita, diz que são os dados gerados durante as atividades regulares que não são usados. Similar à “matéria escura” da física, os dark data constituem a maior parte dos dados de qualquer organização. A Gartner, uma das maiores empresas de pesquisa e consultoria de TI do mundo, descobriu que boa parte das organizações usa apenas 15% dos dados que gera. O resto fica escondido em locais de difícil acesso ou localização, em sistemas legados ou em data stores. Não haveria problema, se não fosse o fato de já se estar pagando para armazenar todos esses dados, por que então não considerá-los?

Como os dados serão usados?

Para abordar o último ponto citado no início do texto, vale levar em consideração 5 elementos, que vão ditar o que precisa ser feito para cada conjunto de dados (ou big data, dependendo da evolução do projeto).

1) Preparar-se para o volume: é preciso ter em mente que quando se “trabalha” com dados, se “trabalha” com volume. É muito importante “classificar” seus dados, isto faz toda a diferença quando o volume começa a aumentar. Para fazer essa classificação, baseie seus dados em dimensões. Por exemplo, valor (gastos de manutenção do sistema, por aluno, por disciplina, etc.); uso (frequência de acesso, de presença, etc.); tamanho (gigabytes, terabytes); complexidade (dados relacionais, gerados por interação com máquinas, automáticos, etc.), tipos (vídeo, texto, imagem, etc.); permissão de acesso (usuário comum, administrador, desenvolvedor, etc.). Sei que cansa só de ler, imagine quando estiver disponível em alguma tela ou documento de análise. Dimensões ajudam a priorizar o que olhar e em que momento.

2) Levar em consideração a variedade: o aspecto mais desafiador da análise de dados é a imensidão de formatos e estruturas que devem ser conciliadas. É preciso integrar inúmeras fontes e manter “espaço” para integrar novas. Por exemplo, se em algum momento do projeto se quiser conhecer o impacto social das ações educacionais (é uma realidade caso se esteja usando algum financiamento de terceiros, como ONGs ou do próprio governo), estes novos dados terão que “conversar” com as fontes de dados já utilizadas (banco de dados relacionais, sistemas legados, mainframes com informações públicas, dentre outros). Considerar a variedade é essencial para ser assertivo.

3) Manusear com velocidade: a combinação de fluxo de dados em tempo real (os chamados real-time data streaming – que nada mais são do que os dados gerados pelos usuários durante o acesso) e os dados históricos (que já estão “guardados” em algum banco de dados) aumenta o “poder preditivo” da análise, portanto é interessante considerar no projeto tecnologias de streaming analytic e infraestrutura lógica para gerenciar estes dados com a velocidade necessária.

4) Garantir a veracidade: a melhor análise de dados feita não servirá para nada se as pessoas que receberem estas informações não confiarem na veracidade dos dados utilizados. Quanto mais dados houverem, mais importante se torna garantir a qualidade deles. A qualidade de um dado está ligada à sua “preparação”. Preparar um dado significa realizar sua curadoria e limpeza. Alguns tipos de dados, como os financeiros por exemplo, precisam ainda de certificação de veracidade ou de compliance, que geralmente são emitidos por institutos independentes ou agências governamentais. O ideal é criar categorias de dados, baseadas no nível de preparação, que pode variar de dados brutos à altamente cuidados. Deixe claro, em todos os momentos, para todos os envolvidos, o nível de preparação a que os seus dados foram submetidos.

5) Definir requisitos de conformidade: os diferentes conjuntos de dados usados “virão” com diferentes estipulações ou requisitos de segurança. Para cada um deles, deve-se pensar no custo (financeiro e de esforço) e nas maneiras para tornar os dados “anônimos”, com base em políticas de segurança ou confidencialidade. Para isto, é necessário entender quais são e onde estão os dados sensíveis, mantê-los seguramente criptografados e controlar o acesso a eles.

Para que um projeto de Data Analytics – de uma maneira geral e não apenas com viés educacional – se torne realidade e seja útil, é preciso torná-lo realístico. Os pontos que abordei neste texto ajudam nesse objetivo, considerá-los ao planejar e implementar pode ser a diferença entre não ir além do piloto – segundo a já citada Gartner, até 2017 60% dos projetos de Data e Big Data podem estar nesta situação – ou implementar com sucesso um sistema inteligente de análise de dados.

Edtech – mídia social e colaborativa

outubro 27, 2015 § Deixe um comentário

 Para finalizar essa sequência de posts a respeito do conceito “Edtech”[1], nada melhor do que abordar a ferramenta tecnológica mais popular dos dias de hoje, a rede social. Os pesquisadores Eunice Ivala e Daniela Gachago da Cape Peninsula University of Technology, na África do Sul, encontraram uma relação positiva entre o uso da mídia social e o engajamento de aprendizes. Em um estudo publicado em 2012, descobriram que o uso apropriado de blogs e grupos no Facebook aumentam a integração acadêmica, dentro e fora do campus, e aumentam o engajamento em atividades de aprendizagem.

Isto acontece por conta do “poder colaborativo” da rede social. Ao fornecer uma “estrutura” para comentários e compartilhamento de tarefas, estas ferramentas dão oportunidades para que os aprendizes mostrem suas habilidades multimídias e o modo como “constroem” determinado trabalho acadêmico. Isto torna a discussão mais envolvente, aumentando o nível de troca intelectual.

A mídia social também promove o que os especialistas chamam de “conceito check-up”, que a exemplo do similar exame médico, permite identificar problemas e determinar caminhos de ação ao se analisar as interações registradas nela.

Outros dois artigos acadêmicos dão suporte ao estudo citado acima. A pesquisadora Latha R. Chandrasekar conseguiu medir o impacto da mídia social e ferramentas colaborativas no comportamento emocional e no engajamento cognitivo de estudantes. Os pesquisadores da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, Tom Stafford, Herman Elgueta e Harriet Cameron descobriram que o uso de ferramentas do tipo Wiki (cujo melhor exemplo é a Wikipedia) aumentam a habilidade de escrita dos seus usuários.

Estudos deste tipo ajudam a mostrar que, dependendo de como são utilizadas, ferramentas tecnológicas podem estimular e aumentar o aprendizado. A forma como as utilizamos é pessoal, se a opção for pelo uso restrito será este o resultado que se terá. Mas a boa notícia é que o antônimo também é verdadeiro.

Quem quiser conhecer mais dicas de como a mídia social pode ser usada para estimular o engajamento, recomendo o guia produzido pela associação WISE (Wales Initiative for Student Engagement), do País de Gales, que o disponibilizou pela plataforma Moodle.

[1] Para relembrar, o termo “Edtech” é utilizado para se referir ao uso da tecnologia em educação.

Melhore sua habilidade em aprender

junho 9, 2015 § Deixe um comentário

Este é o título de um artigo publicado na Harvard Business Review esta semana. Como é prática na universidade que criou o método do “estudo de caso”, começa com um exemplo descritivo de uma situação em que flexibilidade, adaptabilidade e resiliência são essenciais para resolver determinado problema.

As características acima são essenciais para quem quer estimular sua capacidade de autoaprendizado e, de quebra, a habilidade de liderança (este é o ponto-chave do artigo).

Dentre as dicas para desenvolver o que chamam de “agilidade de aprendizado” (que é a característica que consideram essencial para uma liderança eficiente) estão: (i) “procurar novas soluções” para estimular a inovação no seu ambiente de trabalho; (ii) “procurar identificar padrões em situações complexas” para estimular a performance; (iii) “explorar caminhos alternativos para os projetos em que você esteja envolvido” para estimular sua capacidade de reflexão; (iv) “se envolver em projetos mais complexos” para estimular sua habilidade em “gerenciar riscos” e finalmente, (v) “evitar uma postura defensiva” e reconhecer seus erros (comentário particular, só conseguimos realmente aprender de uma experiência negativa quando temos a capacidade de autoavaliar e reconhecer nosso próprio papel na situação).

Recomendo a leitura. Quem se interessar, segue o link: Improve Your Ability to Learn

5 dicas para começar a usar o blog como ferramenta educacional

junho 3, 2015 § Deixe um comentário

No post anterior comentei os motivos pelos quais considero que o blog deve ser encarado como uma ferramenta educacional de ponta. Neste, pretendo abordar 5 dicas rápidas para colocar a ferramenta em prática e tornar sua experiência de implementação quase um “passeio no parque”.

Use um aplicativo de blog simples

Sugiro que comece procurando aplicativos populares de blog (não é por acaso que são populares). Há alguns específicos para serem usados como ferramenta educacional, são os chamados “classroom blogging apps”. Os mais usados dessa vertente são:

Edublogs, permite que se crie e gerencie blogs (tanto de aprendizes quanto de professores), personalize projetos e inclua vídeos, fotos e podcasts.

Kidblog, possui ferramentas que ajudam os aprendizes a escreverem com segurança antes de publicarem online. Esse aliás é um dos grandes debates acerca da utilização da internet como ferramenta educacional, a necessidade de se promover o “digital citizenship”. É preciso garantir aos estudantes um espaço seguro para exercerem sua “cidadania digital”, com monitoramento de toda a atividade pelos professores.

Os blogs tradicionais como Blogger, WordPress, Weebly e Tumblr (para photoblogs) também são boas opções.

Dê o “pontapé inicial”

Se você utilizar o modelo de blog comunitário ao invés do individual, não se esqueça de que é sua responsabilidade fazer os posts iniciais e estimular o comentário dos aprendizes. À medida que eles demonstrarem tanto entusiasmo quanto responsabilidade com seus comentários, dê-lhes mais liberdade, concedendo o direito a escrever no blog comunitário. Ou então, os estimule a criar seus próprios blogs.

Crie uma rubrica

Rubricas são ferramentas educacionais usadas para avaliar o desempenho dos aprendizes. São essenciais para fornecer explicações detalhadas para uma tarefa. Além de facilitar o entendimento dela pelos aprendizes, os ajuda a checar sua performance individual. Não deixe de incluir as suas expectativas para a tarefa, assim como responder aos comentários. Para mais informações a respeito de rubricas e como implementá-las em seu blog, recomendo a seção a respeito de avaliações do site EdTech Teacher.

Defina seu público

Criar um público “cativo” para o blog é importante para os aprendizes encararem a ferramenta como uma oportunidade para mostrarem seu aprendizado (e talento), além de gerar feedbacks realmente construtivos. Inicialmente, o professor e os colegas de classe são a melhor audiência para o blog, mas considere a possibilidade de compartilhar com outros, como pais ou familiares.

Use conteúdos concisos

Peças concisas e fáceis de ler são ideais para a maioria dos leitores online. Textos mais longos, complexos ou complicados podem confundir e afugentar seus aprendizes. Exerça e estimule a assertividade. Ir direto ao ponto é uma habilidade valiosa, tanto na carreira acadêmica quanto na profissional. Seus aprendizes agradecerão.

Que tal começar um blog?

junho 1, 2015 § Deixe um comentário

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Blogs podem ser usados para expandir a criatividade dos aprendizes e as suas habilidades de escrita, mas são constantemente menosprezados como ferramenta educacional. Apesar de serem rapidamente criados, surpreendentemente fáceis de usar, facilmente mantidos e exigirem conhecimento técnico mínimo, muita gente “torce o nariz” para a simples sugestão “por que você não cria um blog?”.

Um dos motivos pode ser o fato de ser uma ferramenta “antiga” na sempre inovadora internet ou então a falta de credibilidade que muitos atribuem ao conteúdo deles (apesar do “jornal” mais lido na internet ser um blog, o Huffington Post).

De qualquer forma, pretendo explorar 4 motivos pelos quais o blog deve ser considerado uma ferramenta educacional de ponta:

1. Permite uma aprendizagem multifacetada: já é largamente aceito que deve-se proporcionar múltiplas formas de aprendizagem porque cada um aprende de maneira diferente. Não cabe aqui insistir nisto, então sugiro apenas que reflitam na possibilidade de usar um blog para proporcionar diferentes maneiras de um aprendiz demonstrar o seu aprendizado. Por exemplo, uma pessoa tímida pode sentir menos pressão quando precisar “falar” a respeito de um tema em seu blog ou quando precisar dar feedback aos seus pares. Sem contar que o formato de registro diário proporcionado por um blog funciona muito bem com aprendizes visuais e com os chamados read-and-write learners (os que aprendem melhor lendo e anotando, como este que vos escreve).

2. Blogs ajudam a alfabetizar e aguçar habilidades de escrita: “bloggar” permite que os aprendizes se tornem “autores publicados” e mostrem suas habilidades de escrita. Funciona como uma “aula de redação” on-the-job, além de “treinar” sua escrita a pessoa pode receber dicas para melhorar dos seus próprios “leitores”. “Falando” nisto, este é um dos maiores benefícios de um blog, dar aos aprendizes a capacidade de melhorar a comunicação e a colaboração por meio do recurso “comentários”. A revisão por pares e o feedback tornam-se uma parte valiosa do processo de aprendizado. Outro ponto importante é o aumento da atenção quando se sabe que o que se escreve será lido por várias pessoas. Cada palavra, frase, sentença e pontuação adquire outro status.

3. Blogs são acessíveis e engajadores: com a disponibilização cada vez maior de aplicativos de blog, o seu uso tornou-se ainda mais simples e acessível. Pode-se escrever sobre qualquer coisa, de qualquer lugar, sempre que estiver com vontade. Não estarmos “amarrados” a uma mesa, estimula que nos sintamos mais livres para usar a “mídia” escrita. Nunca é demais reforçar que escrever melhora a capacidade de refletir a respeito do “mundo à volta”. Junto com outros artefatos multimídia como fotografia e vídeos, os blogs transcendem a “formação” de “escritores”, estimulando uma abordagem mais ampla da comunicação.

4. Blogs podem servir como ferramenta de gestão de “sala de aula”: para finalizar, quando usados como ferramenta para disponibilizar atividades e exercícios, tanto dentro quanto fora da “sala de aula”, ajudam a manter o foco e o engajamento nas atividades propostas. Além disto, ao se criar blogs “comunitários” (ao invés de blogs individuais), promove-se comunidades online para os aprendizes e amplia-se a “sala de aula” para além das quatro paredes. O aprendizado continua onde quer que se vá, estimulando que os pensamentos e conversas dos aprendizes se perpetuem.

Ferramentas para manter seu “conteúdo” organizado

abril 30, 2015 § 1 comentário

Guardar as anotações em um único lugar, salvar seus documentos em pastas facilmente acessíveis, manter seus vídeos favoritos em uma playlist são práticas que ajudam a recuperar suas informações de maneira mais fácil e rápida.

A seguir, o link para uma lista de 20 ferramentas que podem facilitar a sua vida e torná-la mais organizada. Algumas são pagas, outras gratuitas, o importante é checar o que funciona para você e colocar em prática.

20 ferramentas

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