Competências para o século XXI – parte 2

agosto 18, 2015 § Deixe um comentário

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Como vimos, as competências podem ser organizadas em 3 grandes grupos de habilidades: cognitivas, interpessoais e intrapessoais. Aqui vale um adendo antes de seguirmos: o agrupamento é importante pelo fato de que não há um consenso em relação às competências a serem ser priorizadas. Por conta de restrições curriculares, de tempo e de dinheiro é preciso fazer escolhas. Os grupos atuam como balizadores, indicando como os faróis fazem com navios, o caminho que se deve seguir (ou evitar).

Pretendo abordar 10 competências que considero importantes. Mas friso que não se deve tomá-las por dogmas. As escolhi porque tenho a tendência a considerar importante a independência pessoal e, no meu entender, elas estimulam o desenvolvimento de uma certa independência (intelectual e de ação).

  1. Aprender a aprender: a educação formal exerce uma função similar ao andaime em uma obra. Auxilia na fundação, na construção e nos acabamentos, mas uma vez terminada a obra cabe ao “proprietário” a sua manutenção e conservação. Saber como aprender e ter vontade em fazê-lo é essencial para uma vida de realizações profissionais e pessoais.
  2. Capacidade de empatia: em um mundo cada vez mais radical, conseguir se colocar no lugar dos outros é um desafio e tanto. Para colocar em prática atividades que promovam desenvolvimento sustentável, saúde, educação, um ambiente propício a negócios, ao desenvolvimento tecnológico, à prestação de serviços e ao desenvolvimento de produtos, requer a capacidade de se conectar com a forma de pensar e a perspectiva do seu cliente, paciente, estudante ou comunidade, enfim, pessoas. Empatia é uma habilidade que impacta diretamente no mundo que deixaremos para nossos filhos e netos.
  3. Criatividade: sempre dou um jeito de abordar essa competência. Faz parte do meu top 10 porque a considero fundamental na resolução de problemas (especialmente em um ambiente de recursos limitados). Mais do que “inspirar” a criatividade em si mesmo ou estimular o seu desenvolvimento em alguém, é necessário entender o porque da sua importância. Criatividade é o combustível da inovação, mas ela necessita tanto de estímulo externo quanto interno e está intimamente ligada à curiosidade. Fazê-la aflorar é responsabilidade de cada um de nós.
  4. Capacidade de previsão: não é necessário ter algum poder mágico como Nostradamus. Enxergar tendências está ligada à capacidade de reconhecer padrões. Isto é algo que o nosso cérebro consegue fazer muito bem naturalmente. Mas precisamos “alimentá-lo” bem com informações e com a prática da análise crítica. Na minha opinião, um dos pontos fracos que nós, brasileiros, temos é a nossa pré-disposição aos dogmas. Não convém entrar em um debate sociológico das causas aqui, mas a verdade é que encaramos a maiorias dos assuntos como alternativas: direita ou esquerda; neoliberalismo ou desenvolvimentismo estatal; mercado autorregulado ou intervencionismo; enfim, a lista pode ser infinita. O fato comum em todas elas é que as vemos como alternativas e como tais, inconciliáveis. Este é um modelo mental que precisamos alterar.
  5. Instrução digital: envolve mais do que usar o computador (ou algum equipamento digital). Aprender a linguagem da programação permite uma ação mais ativa no nosso relacionamento com as máquinas.
  6. Curadoria de informação: em um ambiente cada vez mais sobrecarregado de informações, o “pulo do gato” é encarar essa realidade como uma oportunidade. Quem for capaz de lidar com o fluxo de dados e informações e conseguir filtrar o que é verdadeiramente valioso ou útil, tem uma vantagem imensa em relação aos demais.
  7. Navegar em diversas perspectivas: recentemente tive a oportunidade de conhecer os sócios da SuperUber, Liana, seu marido Russ e o sócio deles Tommy. Os utilizo como exemplo, porque a empresa deles é uma verdadeira tangibilização da habilidade da interdisciplinariedade. Conseguir navegar por vários conhecimentos e conseguir conectá-los de forma apropriada vai ser, cada vez mais, determinante para se manter relevante profissionalmente.
  8. Empreendedorismo: todos temos grandes ideias de tempos em tempos, mas conseguimos de verdade colocá-las em prática? Saber como implementar os seus impulsos criativos é o que separa os verdadeiramente inovadores dos demais.
  9. Virar um “facilitador” de grupos: não chamo esta competência de liderança para não restringir o seu significado. O ponto-chave aqui é o estímulo à colaboração. Não quero inferir que todo mundo tenha que “liderar”, ser um facilitador significa deixar mais fácil (desculpem a redundância) a criatividade “rolar”.
  10. Se manter informado: se você não lê as notícias do dia ou tira um tempinho diariamente para se informar a respeito do que está acontecendo na sua cidade, no seu país e no mundo, comece agora. Qualquer habilidade enferruja se não conseguimos enxergar como aplicá-la e saber o que acontece ao nosso redor é uma ótima maneira para desenvolver essa “sensibilidade” no olhar.

Para fechar esta série de posts, no próximo pretendo abordar como essas competências podem ser estimuladas em um ambiente formal de aprendizagem.

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