Como usar o celular em sala de aula

setembro 29, 2015 § 1 comentário

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Quando algum assunto aparece na TV brasileira, normalmente é porque já atingiu um nível alto de debate (sejamos francos, a pauta jornalística das nossas emissoras, com raras exceções, não é definidora de tendências). Recentemente, tenho notado um crescente interesse a respeito do assunto “vício tecnológico” ou “digital”. Acho válidas as diversas opiniões a respeito, mas creio que algumas envolvendo o uso de celulares em escolas são mais carregadas de preconceitos do que abertas à exposição de opções. Dessa forma, penso que seguem mais uma linha tendenciosa.

Todas as opiniões que tenho visto condenam o uso e colocam a ferramenta no papel de vilão do baixo rendimento do aprendizado. Certamente o uso sem critério provoca desfoque, mas a questão central – que não percebi em nenhuma reportagem a que assisti – é exatamente a definição de critérios de uso que estimulem a sua associação ao aprendizado. Quando a questão dos critérios era citada (esporadicamente), envolvia restrições ou mesmo a proibição ao uso.

Critérios de uso significam estruturas e rotinas. No caso do celular, é preciso em primeiro lugar encará-lo da mesma forma que cadernos e canetas são encarados, como material escolar que os alunos trazem de casa. Sei que tentar algo novo em sala de aula pode ser intimidador, especialmente quando envolve tecnologia. Mas penso ser mais prejudicial encará-la como inimiga, ainda mais quando pode atuar como aliada dos professores no desafio de engajar os alunos e criar um ambiente estimulante intelectualmente.

Mas que estruturas e rotinas poderiam ser usadas para definir os tais critérios de uso? A seguir, pretendo abordar algumas facilmente implementáveis. É a minha contribuição ao debate.

1) Crie um sistema de identificação: não importa o equipamento (celular, tablet ou notebook), é preciso que seja identificado com o nome de cada aluno que o utiliza. Isso vale tanto para equipamento de propriedade do aluno quanto para equipamento fornecido pela instituição. São ferramentas caras, por isso é preciso vinculá-la ao usuário de alguma forma. Os alunos precisam saber que são responsáveis pelo bem-estar dos seus equipamentos e que podem ser facilmente identificados se o utilizarem de maneira desleixada ou não apropriada.

2) Seja claro e consistente: não considere “favas contadas” que os alunos vão saber o que o professor ou a escola está pensando. É preciso alinhar bem do início as expectativas de todos. Tópicos como: para que o equipamento será usado, como será usado, em que situação, o que se espera atingir com isso, como se espera que os alunos se comportem, o que não será aceito, que tipo de retaliação pode ocorrer para quem não cumprir as regras, como os pais serão comunicados, enfim, é preciso abordar, detalhadamente, os pormenores de cada critério. Se deixarmos de listar as expectativas no início, os alunos irão explorar o equipamento de maneiras que ninguém pode antecipar. Seja explícito e não faça suposições. É totalmente válido, por exemplo, pedir que a forma de visualização da tela não seja alterada ou que os aplicativos que serão usados fiquem todos no mesmo lugar.

3) Comece pequeno: escolha dois ou três aplicativos ou programas para serem usados. Para evitar uma sobrecarga de opções, crie uma pequena lista com as opções de uso para esses aplicativos ou sistemas. Procure identificar os alunos que podem atuar como experts em relação aos aplicativos usados, assim, ao incluir um novo, você terá 3 ou 4 aliados em sala que podem atuar como monitores ou tirar dúvidas em relação a como usar.

4) Use em atividades regulares: ao invés de incluir uma tarefa completamente nova para “usar” os equipamentos, os utilize em alguma atividade regular. Por exemplo, utilize um app de “Atlas Geográfico” ao invés de uma apostila. Atividades simples ajudam a desenvolver a confiança no equipamento (a do professor e dos alunos) e no uso da tecnologia como ferramenta para o aprendizado.

Reconheço ser um baita desafio usar tecnologia em sala de aula. Mas penso ser inevitável que ela adquira em um ambiente educacional o mesmo status que tem no dia a dia da sociedade. Tentar impedir o uso só contribui para a mistificação e não ajuda em nada no preparo de futuros profissionais, que certamente precisarão usar estes equipamentos na sua rotina de trabalho.

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