“Matadores” de criatividade

abril 15, 2015 § Deixe um comentário

Ao contrário do que imaginamos, alguns hábitos estimulados por “especialistas” podem causar mais mal para a criatividade do que bem. Por exemplo:

Pensar “fora da caixa”

Ron A. Beghetto, um dos criadores do modelo 4Cs da Criatividade, diz que pessoalmente tem “grande dificuldade em pensar fora da caixa, porque na verdade o que é preciso é pensar criativamente dentro de várias caixas”. Slogans populares como “liberte sua mente” ou “elimine todas as restrições” podem soar liberadores, mas no fundo são irreais ou mesmo errados. Segundo Beghetto, parâmetros são um contrabalanço importante e necessário para a originalidade. Ele conduziu um estudo em que pedia aos participantes para “inventarem” um novo esporte. As melhores ideias vieram daqueles que se basearam em esportes já existentes e não dos que usaram ideias menos familiares, embora originais. Beghetto gosta de dar como exemplo a improvisação no jazz, que é uma expressão criativa criada com base em padrões determinados.

Limitar as escolhas

Em alguns contextos, limitar a escolha pode melhorar a criatividade (afinal, MacGyver construía bombas com chiclete), mas definitivamente não é o caso no aprendizado. Limitar a liberdade intelectual limita o resultado intelectual. É preciso dar mais possibilidades e caminhos quando a história é estimular o aprendizado. Afinal, em educação, como na vida, não existe gabarito com a resposta certa. O que existe são caminhos, opções. Por isso, ter indicadores é importante para saber se o caminho escolhido está dando resultado, assim como ter flexibilidade, para mudar a rota quando for o caso.

Repetição de assuntos é “decoreba”

“O conteúdo é o combustível para futuras ideias criativas” diz a Dra. Helen Abadzi, especialista em educação do Banco Mundial. Para construir a habilidade de leitura, matemática e raciocínio é preciso exercitar a habilidade de recuperar e usar o conhecimento para gerar ideias em velocidade suficiente para alcançar altos níveis de complexidade (é o que chamo de conexão do conhecimento). Isto requer prática, por isso não é perda de tempo fazer exercícios repetidamente até diminuir a operação mental para realizá-los (ou como diziam os mais antigos, “até automatizar”).

Lotar a agenda para aproveitar melhor o tempo

Também conhecida pelo nome em inglês, over-scheduling, a prática de “aproveitamento” do tempo marcando várias atividades próximas umas das outras é um dos grandes inimigos da criatividade. Atividades mais prosaicas e relaxantes como “dar uma caminhada” estimulam o pensamento criativo. É aquela história, se você não tem tempo para uma “volta no quarteirão”, não terá tempo para ser criativo (ou inovador). Criatividade também precisa de tempo e espaço para florescer.

8 tipos de imaginação

abril 2, 2015 § Deixe um comentário

Artigo publicado na Edudemic, listando os 8 tipos de imaginação que usamos no dia a dia:

http://www.edudemic.com/8-types-of-imagination/

Abaixo indico quais são e coloco uma pequena explicação de cada (mantive o nome no original e fiz uma tradução aproximada entre parêntesis):

  1. Effectuative Imagination (imaginação que gera um efeito ) combina informações para gerar novos conceitos e idéias.
  1. Intellectual Imagination (imaginação intelectual – ou implícita) é utilizada quando se considera e desenvolve hipóteses a partir de diferentes peças de informação.
  1. Imaginative Fantasy (imaginação fantasiosa) cria e desenvolve histórias, poemas, peças, quadros, etc. Está ligada à criatividade artística.
  1. Empathy Imagination (imaginação empática) ajuda a perceber emocionalmente o que os outros estão sentindo.
  1. Strategic Imagination (imaginação estratégica) está relacionada à capacidade de reconhecer e avaliar oportunidades, transformando-as em cenários mentais.
  1. Emotional Imagination (imaginação emocional) foca em criar cenários emocionais a partir da percepção e observação em relação às outras pessoas.
  1. Dreams (sonhos) são uma forma inconsciente de imaginação composta de imagens, ideias, emoções e sensações que ocorrem durante determinadas fases do sono.
  1. Memory Reconstruction (reconstrução da memória) é o processo de recuperação da nossa memória a respeito de pessoas, objetos e eventos (obs: há estudos que indicam que a memória não é fidedigna, ela “muda” com o tempo).

A arte de perguntar

março 27, 2015 § Deixe um comentário

Interesante proposta da HBR, sugerindo que reaprendamos a arte de formular perguntas. Uma pesquisa da Universidade de Harvard levantou que 70-80% dos diálogos das crianças com outras pessoas é baseado em perguntas, enquanto cerca de 15-25% das interações dos próprios adultos envolvem perguntar ou questionar algo.

A razão é que durante nosso crescimento e até mesmo depois de adultos, as chances de recebermos maior reconhecimento ou recompensa se baseia em dar a “resposta correta”.

Bom, se há algo que aprendi nesses anos de estudo de metodologias e métodos educacionais é que em educação (como na vida) não há gabarito com a resposta certa. O que há são possibilidades e caminhos, daí a necessidade de se ter indicadores objetivos que permitam checarmos se o caminho escolhido está dando certo.

De qualquer forma, o argumento é que ao tentarmos “pular” diretamente para a resposta quando precisamos “fazer logo” algo (ou as suas variações corporativas “é para agora” ou “é para ontem”) e menosprezamos perguntar mais, o nosso processo de decisão se “empobrece”. Se “empobrece” porque ao perguntarmos mais e melhor, conseguimos ter uma perspectiva ampla da situação e chegamos a conclusões melhores. O resultado é que desta forma, é possível evitar um monte de retrabalho depois.

Harvard sugere 4 tipos de perguntas: “Clarificadora” (clarifying), “Exploratória” (adjoining), “Afuniladora (funneling) e “Elevadora” (elevating). Cada uma destinada a atingir um resultado específico. Vamos a elas:

Questões Clarificadoras: nos ajudam a entender melhor o que foi dito. Fazê-las auxilia a perceber o real motivo de algo ou a entender melhor o outro. São exemplos perguntas como “pode falar mais a respeito?” ou “por que você está falando isto?”.  As pessoas geralmente não as fazem, porque temos a tendência de fazer suposições e completar as “partes faltantes” com o que achamos pessoalmente.

Questões Exploratórias: como o nome diz, são usadas para explorar aspectos relacionados à questão que são ignorados na conversa. As perguntas “como esse conceito se aplica em um contexto diferente?” e “quais são os usos que essa tecnologia pode ser aplicada?” são exemplos desta categoria. As perguntas exploratórias nos ajudam a ganhar um entendimento amplo a respeito de algo.

 Questões Afuniladoras: nos ajudam a aprofundar algo. Esse tipo de pergunta é utilizada para entender a origem da questão, as raízes do problema. São exemplos perguntas como “por que esse passo foi incluído?” e “como essa análise foi feita?”.

Questões Elevadoras: nos ajudam a entender o todo (ou como se diz em inglês “see the bigger picture”). Mergulhar imediatamente em um problema dificulta enxergar o contexto global dele. Podemos perguntar algo como “dando um passo atrás, quais são os maiores problemas?” ou “será que estamos focando na questão certa?”. Esse tipo de questionamento nos ajuda a conectar melhor problemas específicos.

Que tal perguntar mais?

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Parcerias

março 26, 2015 § Deixe um comentário

Um exemplo de como se pode melhorar o nível e aumentar o volume de geração de conhecimento no Brasil. Parcerias com universidades reconhecidamente top.

Uma dessas parcerias envolve o MIT, a FACEPE, a FAPESP e o CNPq para desenvolvimento de tecnologias baseadas em energia solar. Foi criado inclusive um fundo para financiar as pesquisas (o MIT-Brazil Seed Fund ).

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Sexy Creativity

março 19, 2015 § Deixe um comentário

Uma pausa para relaxar (ou como diz o slogan de uma marca de café que gosto, “una pausa di piacere”)…

Não é novidade que criatividade é sexy, pessoas do mundo inteiro a colocam como uma qualidade altamente desejável em um parceiro. Mas não são todas as formas igualmente atrativas.

Por exemplo, enquanto a prática esportiva é listada em uma pesquisa da revista Scientific American como a atividade criativa mais sexy (é a número 1 no “top 10”), criar campanhas publicitárias é vista como a menos sexy (é a número 1 no “down 10”, para o horror dos Don Drapers).

Quem quiser se divertir um pouco com as listas: http://blogs.scientificamerican.com/beautiful-minds/2014/12/16/what-forms-of-creativity-turn-you-on/

Tabela periodica

março 14, 2015 § Deixe um comentário

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A imagem acima mostra uma nova forma de visualização dos elementos da tabela periódica. Foram trabalhados por iniciativa de um professor de química da Inglaterra, Andy Brunning, em infográfico, levando em consideração elementos que ajudassem a compreensão pelos alunos.

Andy disponibilizou os arquivos para quem quiser, como forma de contribuir para o repasse da “matéria” e auxílio a professores do mundo todo.

Para quem se interessar, os arquivos completos das tabelas podem ser encontrados em:

http://www.compoundchem.com/downloads/

Protegendo a inovação

março 11, 2015 § Deixe um comentário

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Temos o costume de achar que para criarmos um ambiente inovador em nossos negócios, basta modificar o clima da empresa, incentivar os funcionários a tentarem algo novo, investir em processos flexíveis, etc.

O que descrevi acima é apenas parte do processo, a parte que cabe à organização.Temos a parte que cabe à cada indivíduo e à sociedade como um todo. A sociedade como um todo pode ser entendida como o macro ambiente onde a organização está inserida: a cidade, o estado, o país. O que conta nesse macro ambiente é a legislação. Ela também deve necessariamente incentivar a inovação e protegê-la.

Não é novidade que é difícil manter os direitos autorais e de patente nos mesmos moldes de antes (que diga a industria fonográfica), por isso a discussão é necessária. Nossas leis de propriedade industrial e direitos autorais datam da década de 1990, são relativamente novas em relação a similares estrangeiras. Mas, o mundo em que vivemos hoje é completamente diferente do de 20 anos atrás.

Essa introdução, é para comentar um artigo da HBR a respeito do “innovation act”, que é um projeto de lei que está sendo discutido no Congresso americano e que traz mudanças em relação à lei atual deles para facilitar a proteção de inovações. Creio que esse é um assunto que deveríamos pensar aqui também, principalmente em relação ao emaranhado burocrático que tolhe a inovação brasileira.

Vale a reflexão:

https://hbr.org/2015/03/why-congress-needs-to-pass-the-innovation-act-this-time

Um pensador criativo

março 5, 2015 § Deixe um comentário

Acredito que para ter boas ideias é preciso estar em contato com o maior número de informações e conhecimentos possíveis. Conhecer o exemplo de pessoas consideradas criativas também ajuda, nesse caso como inspiração. O arquiteto Sérgio Bernardes era um desses caras criativos que inspiravam. Desde que conheci um de seus projetos, a casa da Lota Macedo (para mim, uma das construções mais geniais já feitas), me interessei pela sua obra e história. Um dos exemplos dessa mente criativa foi o exercício futurístico feito por ele em 1965 e publicado pela revista Manchete (“O Rio do futuro – antevisão da cidade maravilhosa no século da eletrônica”), cujo tema era o Rio de Janeiro do século XXI. Muita ideia genial para a cidade. Quem tiver a oportunidade de ler a edição, vale a pena. Na internet é possível achar algumas passagens da revista.

Cultura (quase)inútil

março 4, 2015 § Deixe um comentário

Para quem quiser relembrar as aulas de física do colégio, um pouco de cultura (quase)inútil. Termologia aproximada para conversão Celsius/Fahrenheit e vice-versa.

Compartilhamento de ideias na prática

fevereiro 28, 2015 § Deixe um comentário

Exemplo tirado do livro “O Mito da Criatividade” de Fábio Zugman.

Personagem: Norman Woodland.

Contexto: comerciantes, no final da década de 1940, procuravam métodos para codificar suas mercadorias.

Ideia criativa: criou uma tinta fluorescente para ser lida na luz ultravioleta, depois, se inspirou no código morse e pintou 4 riscos com esta tinta. A ideia só vingou na década de 70, quando a IBM, com a sua ajuda, inventou scanners para lerem as barras.

Resultado: inventou o código de barras, usado até hoje.

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