Melhore sua habilidade em aprender

junho 9, 2015 § Deixe um comentário

Este é o título de um artigo publicado na Harvard Business Review esta semana. Como é prática na universidade que criou o método do “estudo de caso”, começa com um exemplo descritivo de uma situação em que flexibilidade, adaptabilidade e resiliência são essenciais para resolver determinado problema.

As características acima são essenciais para quem quer estimular sua capacidade de autoaprendizado e, de quebra, a habilidade de liderança (este é o ponto-chave do artigo).

Dentre as dicas para desenvolver o que chamam de “agilidade de aprendizado” (que é a característica que consideram essencial para uma liderança eficiente) estão: (i) “procurar novas soluções” para estimular a inovação no seu ambiente de trabalho; (ii) “procurar identificar padrões em situações complexas” para estimular a performance; (iii) “explorar caminhos alternativos para os projetos em que você esteja envolvido” para estimular sua capacidade de reflexão; (iv) “se envolver em projetos mais complexos” para estimular sua habilidade em “gerenciar riscos” e finalmente, (v) “evitar uma postura defensiva” e reconhecer seus erros (comentário particular, só conseguimos realmente aprender de uma experiência negativa quando temos a capacidade de autoavaliar e reconhecer nosso próprio papel na situação).

Recomendo a leitura. Quem se interessar, segue o link: Improve Your Ability to Learn

Educação no ar – parte 3

maio 20, 2015 § 1 comentário

3. Empowerment

É preciso, em português claro, empoderar. Dar poder às pessoas para que possam realizar suas ambições e experiências. Talvez, essa seja a atitude mais difícil de se aplicar quando “falamos” em educação. Há muita amarra, burocrática e mental, quando se faz qualquer proposta educacional que envolva colocar a responsabilidade nas mãos dos agentes finais, professores e aprendizes. No entanto, é o primeiro passo a se dar no caminho de uma mudança no sistema educacional de qualquer país.

A primeira amarra discutida durante o evento, foi a relacionada ao empoderamento dos alunos. A Google tem um projeto em parceria com diversas escolas espalhadas pelos EUA, Canadá e Reino Unido, que envolve a mudança do conceito de “sala de aula”, inclusive como espaço físico, por meio do uso da tecnologia. A empresa distribui chromebooks (que é a nova geração de notebooks) e tablets para professores e alunos e banca a reforma física da sala de aula. Saem carteiras e lousas e entram mesas compartilhadas, pufes, conexão wi-fi e os equipamentos. Os professores e alunos participantes tem a responsabilidade de cuidar do espaço e dos equipamentos e implementar um método de ensino e aprendizado que envolve “tangibilizar” o assunto estudado. Por exemplo, para estudar o funcionamento dos vulcões, é preciso pesquisar imagens, vídeos ou sites que mostrem vulcões em atividade e como eles funcionam. O aprendizado no caso, está literalmente na mão dos alunos, responsáveis em localizar essas informações. O professor atua como facilitador e participante do processo ao promover as discussões sobre o tema e o direcionamento das atividades, utilizando seu conhecimento de formação.

Um dos primeiros bloqueios que a Google encontrou foi contra a ideia de colocar equipamentos eletrônicos nas mãos da garotada, em horário de aula. Imaginando os diálogos que teriam de travar, se tal projeto fosse proposto aqui no Brasil, certamente chegaríamos a algo parecido com: “eles vão usar o tablet para acessar o youtube para ver o clip do Mr. Catra”. Com certeza vão, mas também usarão o youtube para ver o vídeo a respeito de sintaxe da língua portuguesa, recomendado pelo professor. Ou então, “vão acessar o Facebook para fofocar”. Novamente, tenho certeza que vão, mas também acessarão o Facebook para compartilhar o link de um assunto referente à matéria vista. A verdade é que as duas coisas aconteceriam (o estudo e o entretenimento), mas o fato de uma acontecer não inviabiliza que a outra aconteça também e não é justificativa para que se negue a implementação de um projeto-piloto do tipo. A Google conseguiu “vencer” essa resistência inicial e tem cases para mostrar.

A segunda amarra é em relação à iniciativa dos professores. Muitos tem boas ideias e vontade de as colocar em prática, mas são sistematicamente “sabotados” por instituições, governos e outros envolvidos (inclusive professores e pais de alunos). Um caso que me chamou bastante atenção foi da professora Esther, de uma escola em Palo Alto, na Califórnia. Em 1984, Esther se “apaixonou” por um computador da Apple e o queria utilizar para dar um “gás” em suas aulas. Mas, o preço do equipamento estava muito acima das suas disponibilidades (US$5.000 na época, segundo ela, era dinheiro que não acabava mais). A primeira porta que ela “bateu” para tentar levantar o equipamento foi na secretaria de educação da Califórnia. Chegando lá, foi sonoramente ignorada, aula, segundo os burocratas da secretaria, tinha que ser dada com livros e apostilas. A segunda porta, foi a da própria Apple. A empresa enviou gratuitamente 10 computadores para a escola. Esther, que nunca tinha tocado em um computador antes, foi auxiliada pelos próprios alunos e começou a dar suas aulas usando os equipamentos. De 1984 até meados dos anos 2000, suas aulas foram tão populares que ela se tornou diretora do colégio. Nesse período, foi constantemente assediada pelos “district inspectors”, espécie de fiscais da secretaria de educação, para que encerrasse suas aulas por computador (novamente, tinha que usar livros e apostilas). Somente em 2005, o governo da Califórnia autorizou que fossem usados computadores para aulas de qualquer matéria nas escolas do estado (mais de 20 anos depois de Esther ter começado as suas). Isto aconteceu em um estado que é o “celeiro tecnológico” do mundo, imagine em locais com menos tradição tecnológica?

Isso prova que pessoas são sempre mais ágeis do que instituições e governos. Portanto, tem que ser colocada em suas mãos a capacidade de implementar uma nova prática educacional, sem burocracia, mas com indicadores claros de avaliação (afinal, é preciso saber se está dando certo). Ao conhecer o caso contado pela Esther, veio imediatamente na minha mente um trecho da canção “Civil War”, da banda Guns n Roses: “você não pode confiar na liberdade, quando ela não está em suas mãos”. Nada mais verdadeiro.

Quem quiser assistir aos vídeos das conferências e sessões que ocorreram durante o “Education on air”, basta clicar AQUI. A Google as disponibilizou On Demand. Espero que tenham para vocês um impacto semelhante ao que tiveram para mim, apesar do meu final de semana ter começado apenas no sábado, às 22h30 (esse negócio de fuso horário é brabo).

Educação no ar – parte 2

maio 18, 2015 § 1 comentário

2. Project-based learning

Foi o método educacional mais debatido durante as conferências. Um dos motivos é o fato da maioria dos participantes do evento serem de língua inglesa e esses países são muito influenciados pelo trabalho do John Dewey (já o citei em posts anteriores). John Dewey representa para eles o que Paulo Freire e Darcy Ribeiro representam para nós, brasileiros, um patrono educacional.

O enfoque do John Dewey estava ligado à ideia de que o sistema educacional deveria ser centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem, como forma de ligar o aluno ao seu meio social. Aqui no Brasil esse enfoque ficou conhecido como Escolanovista ou Progressista. Project-based learning nada mais é do que a releitura atual das ideias de Dewey e tem o objetivo de provocar o aprendizado por meio da experiência gerada pelo desenvolvimento de projetos. Para tangibilizar o conceito, vou compartilhar alguns casos apresentados.

Uma escola em San Diego, na Califórnia, precisava reformar a biblioteca. Organizou então um projeto com os alunos para levantar o dinheiro, que envolvia a abertura de um Food Truck. Os alunos tiveram que se organizar e tocar o projeto, levantando desde as licenças necessárias na prefeitura, até resolver como o Food Truck seria adquirido e administrar o negócio. Durante o projeto, tiveram que desenvolver habilidades como empreendedorismo, negociação, matemática financeira, contabilidade, culinária, dentre outras (olha a interdisciplinariedade aí, na prática).

Há 3 anos, uma adolescente, Brittany Wenger (na época com 17 anos), ficou muito abalada com o câncer de mama desenvolvido por uma prima. A partir daí, quis saber mais a respeito da doença e começou a trabalhar com o seu professor de biologia para aprender tudo o que pudesse sobre o câncer e o funcionamento do seio feminino. A medida que seu conhecimento sobre o assunto aumentava, deu início a um “projeto” pessoal, queria desenvolver uma ferramenta que ajudasse na identificação do câncer de mama. Foi estudar programação no próprio colégio e desenvolveu um aplicativo chamado “cloud4cancer” que ajuda a determinar se a massa encontrada no seio, em um exame do toque, é maligna ou benigna, por meio de um algorítimo que analisa os padrões da imagem em todos os bancos de dados públicos disponíveis nos EUA sobre o assunto.  Acuracidade da resposta bate a casa dos 99%. Brittany, hoje com 20 anos, cursa a faculdade de programação.

O Project-based learning permite que se coloque em prática uma dica dada pelo Laszlo Bock, que é o Diretor de RH da Google (ou como eles chamam por lá, Google’s People Chief). Ele disse, “don’t trust your guts”, algo como “não confie nos seus instintos”, a frase, colocada no contexto correto, significa que não devemos nos basear no “achômetro”, é preciso praticar e testar para saber se uma ideia vai dar certo, ou seja, ter experiência.

Autoaprendizado – parte 3

maio 8, 2015 § Deixe um comentário

O sucesso de um autoaprendizado está diretamente ligado a duas importantes atitudes: comprometimento e organização. A primeira se relaciona com o assunto do post anterior, a motivação. Também incluiria nesse quesito a resiliência, que é a característica dos que superam situações adversas. A segunda atitude, organização, está ligada à capacidade de nos colocarmos disponíveis para o aprendizado, encontrarmos o tempo necessário e concentrarmos nossa atenção durante o processo.

Programar o que estudaremos faz uma grande diferença para a objetividade do aprendizado e organização do nosso tempo. As próximas dicas tratam dessa e de outras atitudes igualmente importantes:

11. Construa seu próprio plano de estudo

Essa é a sua chance de fazer as coisas do seu jeito. Estude o que quer (ou precisa) aprender, quando quiser e do melhor jeito para você. A ideia pode parecer estranha em um primeiro momento, mas acredite, não há nada melhor do que liberdade nesse momento. O aprendizado, mal comparando, não é uma corrida de 100 metros rasos, está mais para uma maratona. E como em uma “prova” de longa distância, é preciso encontrar o seu ritmo e seguir cadenciando.

12. Use o tempo (ou a falta dele) ao seu favor

Somos todos atarefados e o tempo realmente é curto para fazer tudo o que precisamos. Saber aproveitá-lo é usá-lo ao seu favor. Por que não “tirar” 30 minutos da sua hora de almoço ou a sessão na esteira da academia para estudar um tópico de interesse? Se você tem um smartphone, fica ainda mais fácil. Pode escolher ouvir uma aula, ler um texto ou assistir a um vídeo explicativo (sem esquecer do fone de ouvido para não atrapalhar o colega ao lado).

13. Persiga o conhecimento, não a nota

Sei que é difícil não ligar para a nota quando ela significa a diferença entre manter ou não uma bolsa de estudo, passar de semestre ou receber uma promoção. Mas, é importante ter em mente que notas não refletem necessariamente o aprendizado, são apenas uma das maneiras de medi-lo. O que conta, ao fim e ao cabo, é como aplicamos o que aprendemos na vida real, é o conhecimento de fato.

14. Crie maneiras de registrar o seu aprendizado

Comentei anteriormente sobre a importância de registrar o que aprendemos para estimular a retenção na memória de longo-prazo. O registro do conhecimento também vale como documentação da sua evolução.

15. Verbalize seu conhecimento

Uma coisa é saber que você aprendeu, outra é tornar o seu aprendizado conhecido. Verbalizar o seu conhecimento, além de ser extremamente recompensador, o ajuda a refletir no que aprendeu e a ter a real noção do quanto você realmente sabe. Escreva um artigo, faça uma apresentação ou um vídeo, enfim, coloque em prática o que aprendeu.

Autoaprendizado – parte 1

maio 4, 2015 § Deixe um comentário

O termo autodidata tem raízes na Grécia antiga e traz embutida uma ideia muito simples: deveríamos nos encorajar a estudar de maneira independente. Muitas vezes, com a agenda atribulada e o dinheiro curto, é a opção que nos resta se quisermos continuar a nos desenvolver intelectualmente.

Para ajudar aqueles que querem “tomar as rédeas” do seu próprio aprendizado, seguem algumas dicas do livro “Organising Schools to Encourage Self Direction in Learners”, do pesquisador da UNESCO, Rodney Skager.

1. Defina as suas metas de aprendizagem

Você não pode alcançar o que não foi definido (ou se não souber do que precisa). Identificar o que se quer aprender é o primeiro passo de qualquer processo de autoaprendizagem.

2. Questione o significado das coisas

Crie o hábito de não aceitar as coisas como são e as perguntas virão naturalmente. Isso acontece porque, efetivamente, começamos a nos preocupar com as respostas.

3. Procure se desafiar

Quem disse que desafio não pode ser prazeroso? Há poucas coisas mais reconfortantes do que identificar um problema que você se importe e encontrar a solução para ele. Esse é o real significado do aprendizado.

4. Monitore o seu próprio processo de aprendizagem

O aprendizado é mais agradável quando é você que define os seus objetivos e parâmetros de avaliação. Independente de ter uma “nota”, tente mensurar o seu progresso em comparação com suas metas pessoais de aprendizagem.

5. Compreenda a sua própria abordagem

Sempre achamos que conhecemos o nosso próprio estilo e preferência. Mas, será que conhecemos mesmo? Tire um tempo para refletir qual formato ou mídia lhe ajuda a aprender melhor. Você se surpreenderá com os resultados que obterá utilizando o modo mais adequado para você.

Pretendo retomar esse assunto nos próximos posts. Até lá!

Robert Gagné e os 9 passos – parte 2

abril 28, 2015 § Deixe um comentário

Retomando o “papo”, chegou a hora de abordar os passos 6 a 9:

Passo 6: Estimular o desempenho

Aqui é o momento de começar a checar se o conhecimento foi adquirido. Deve-se permitir que os aprendizes pratiquem, demonstrem ou apliquem o que aprenderam. Podem ser usadas técnicas como as de jogos ou role playing, que permitem a prática e a melhoria do conhecimento recém-adquirido. Reserve um espaço para o aprendizado corretivo, isto significa dar oportunidade de reforçar o que ainda não estiver claro, apresentando o curso de ação correto. Se foi passada uma informação nova, a dica é fazer perguntas a respeito. Elas ajudam a checar o entendimento e manter a atenção do aprendiz. As perguntas, nesse caso, não devem ser aquelas que simplesmete repetem a informação, utilize-as de forma que o aprendiz possa refletir e identificar erros e não simplesmente decorar.

Passo 7: Dar feedback

Possibilitar que o aprendiz perceba que o esforço despendido está sendo notado e reconhecido, ajuda a gerar confiança no processo de aprendizagem. Em e-learning, podem ser usados testes, quizzes ou comentários para dar feedback a respeito de como o conhecimento foi demonstrado e como se pode melhorar. Se for o caso de um feedback verbal presencial, reconheça sempre o bom desempenho. Havendo necessidade de um feedback negativo, aponte as razões específicas, indicando o caminho a ser seguido para melhorar.

Passo 8: Avaliar o desempenho

Gagné chamava bastante atenção para esse passo. Avaliar de maneira apropriada o aprendiz, dá suporte para a melhoria do seu desempenho, além de ajudar a melhorar a efetividade da própria ação educacional. Como a maioria das pessoas se sente desconfortável com avaliações, tente fazê-las da forma mais prazerosa possível. Sem deixar, no entanto, de reforçar os objetivos de aprendizado. Avaliar por meio de dissertação (a famosa redação dos tempos de colégio), pequenos questionários ou por meio de perguntas abertas, testa o conhecimento retido inicialmente, sem dar aquela cara de “prova”. Também é uma boa ideia dar feedback após essa etapa, de forma que sugiro que se faça uma pequena inversão entre os passos 7 e 8 (não creio que o Gagné se importaria com essa “liberdade” tomada).

Passo 9: Melhorar a retenção do conhecimento e a sua transferência para o dia a dia

Tem um pequeno ditado a respeito de como se fazer apresentações efetivas: “diga para o seu público o que você pretende dizer a eles, diga a informação e depois conte para eles o que foi dito”. É como faz o apresentador Silvio Santos, repete sempre 3 vezes a mesma coisa para fixar a informação. No caso do e-learning, essa etapa pode ser feita informando o aprendiz a respeito de situações em que o conhecimento pode ser aplicado ou problemas que ele pode ajudar a resolver, disponibilizando atividades extras para que possam praticar um pouco mais e fazendo uma revisão (ou resumo) do curso. Mas, atenção: não apresente novas terminologias ou conceitos nessa etapa. É preciso focar apenas no fechamento da ação e no estímulo à transferência para a prática.

Robert Mills Gagné tinha paixão por entender como as pessoas aprendiam e essa paixão permitiu que ele, ao longo da sua carreira, sedimentasse as bases para as teorias e técnicas a respeito do processo de aprendizagem e do design instrucional. Costumava dizer que “a razão de qualquer instrução é o aprendizado” e “qualquer tema ou técnica de instrução deve estar centrada em quem irá aprender”. Em qualquer ação educacional, esses pontos nunca podem ser esquecidos.

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