Instagram e educação

março 31, 2015 § Deixe um comentário

Um dos meus interesses pessoais ultimamente é a integração de redes sociais em estratégias educacionais. Tenho visto alguns exemplos inusitados, como o de uma professora de artes de Maryland, EUA. A professora em questão, Nicole Long, conta sua experiência com a ferramenta para reforçar o link entre o aprendizado e a vida real, destacando 4 benefícios.

Contato com figuras educacionais: o Instagram permite um contato mais vívido com escritores, artistas, fotógrafos e editores. Funciona como um aprendizado por exemplo para os alunos. Uma simples busca no Google (“escritores para seguir no Instagram”) já ajuda a direcionar a experiência.

Compartilhamento de fotos de anotações e trabalhos: pode-se começar compartilhando fotos com o “dever de casa”, anotações de aulas e trabalhos em grupo. Com o tempo, adiciona-se pedidos mais complexos como indicações de pesquisa. O Instagram é um método rápido e eficiente para estimular o estudo e a aplicação do aprendizado pelos alunos.

Publicação de fotos de trabalhos e elogios: a ferramenta pode ser usada ainda para compartilhar atividades, elogios e realizações como forma de incentivo.

Conexão com os alunos: segundo Nicole Long, este foi um dos resultados mais marcantes da sua experiência. Assim como muitas pessoas seguem celebridades, os estudantes seguem seus professores para ter um pequeno vislumbre a respeito do seu dia a dia, em tempo real. Quando se entrelaça o que eles fazem para se divertir com o que fazem na sala de aula, se perpetua a ideia de que aprender é divertido e de que a criatividade é parte integrante desse processo.

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Brasil Vs Resto do Mundo

março 28, 2015 § Deixe um comentário

Lembro da minha época de colégio (e lá se vão algumas décadas) que o Brasil era considerado um país subdesenvolvido (ouvi isso centenas de vezes). Apesar de ainda nos faltar muito, me surpreendo sempre com comparativos com outros países.

O último que vi foi a respeito de PPP (purchasing power parity), algo como poder de paridade de compra, divulgado pela (pasmem) CIA no seu “The World Factbook”, que é um almanaque preparado para o uso do governo americano. Em comparação com países mais desenvolvidos (ricos, em outras palavras), um país subdesenvolvido, como por exemplo a Etiópia, tem um gap de 60 para 1 (algo como poder de compra de 1/60 em relação a um país desenvolvido). Um país em desenvolvimento médio, como a Nicarágua tem um gap de 15 para 1. O Brasil, considerado em desenvolvimento avançado (alguns especialistas mais otimistas nos consideram desenvolvidos já) possui um gap de 4 para 1. Isso quer dizer que o brasileiro tem um poder de compra relativo a 1/4 de um suíço, por exemplo.

Se resolvermos esses problemas de falta de caráter institucional que temos, de repente há chance.

Quem tiver interesse: https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/

A arte de perguntar

março 27, 2015 § Deixe um comentário

Interesante proposta da HBR, sugerindo que reaprendamos a arte de formular perguntas. Uma pesquisa da Universidade de Harvard levantou que 70-80% dos diálogos das crianças com outras pessoas é baseado em perguntas, enquanto cerca de 15-25% das interações dos próprios adultos envolvem perguntar ou questionar algo.

A razão é que durante nosso crescimento e até mesmo depois de adultos, as chances de recebermos maior reconhecimento ou recompensa se baseia em dar a “resposta correta”.

Bom, se há algo que aprendi nesses anos de estudo de metodologias e métodos educacionais é que em educação (como na vida) não há gabarito com a resposta certa. O que há são possibilidades e caminhos, daí a necessidade de se ter indicadores objetivos que permitam checarmos se o caminho escolhido está dando certo.

De qualquer forma, o argumento é que ao tentarmos “pular” diretamente para a resposta quando precisamos “fazer logo” algo (ou as suas variações corporativas “é para agora” ou “é para ontem”) e menosprezamos perguntar mais, o nosso processo de decisão se “empobrece”. Se “empobrece” porque ao perguntarmos mais e melhor, conseguimos ter uma perspectiva ampla da situação e chegamos a conclusões melhores. O resultado é que desta forma, é possível evitar um monte de retrabalho depois.

Harvard sugere 4 tipos de perguntas: “Clarificadora” (clarifying), “Exploratória” (adjoining), “Afuniladora (funneling) e “Elevadora” (elevating). Cada uma destinada a atingir um resultado específico. Vamos a elas:

Questões Clarificadoras: nos ajudam a entender melhor o que foi dito. Fazê-las auxilia a perceber o real motivo de algo ou a entender melhor o outro. São exemplos perguntas como “pode falar mais a respeito?” ou “por que você está falando isto?”.  As pessoas geralmente não as fazem, porque temos a tendência de fazer suposições e completar as “partes faltantes” com o que achamos pessoalmente.

Questões Exploratórias: como o nome diz, são usadas para explorar aspectos relacionados à questão que são ignorados na conversa. As perguntas “como esse conceito se aplica em um contexto diferente?” e “quais são os usos que essa tecnologia pode ser aplicada?” são exemplos desta categoria. As perguntas exploratórias nos ajudam a ganhar um entendimento amplo a respeito de algo.

 Questões Afuniladoras: nos ajudam a aprofundar algo. Esse tipo de pergunta é utilizada para entender a origem da questão, as raízes do problema. São exemplos perguntas como “por que esse passo foi incluído?” e “como essa análise foi feita?”.

Questões Elevadoras: nos ajudam a entender o todo (ou como se diz em inglês “see the bigger picture”). Mergulhar imediatamente em um problema dificulta enxergar o contexto global dele. Podemos perguntar algo como “dando um passo atrás, quais são os maiores problemas?” ou “será que estamos focando na questão certa?”. Esse tipo de questionamento nos ajuda a conectar melhor problemas específicos.

Que tal perguntar mais?

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Parcerias

março 26, 2015 § Deixe um comentário

Um exemplo de como se pode melhorar o nível e aumentar o volume de geração de conhecimento no Brasil. Parcerias com universidades reconhecidamente top.

Uma dessas parcerias envolve o MIT, a FACEPE, a FAPESP e o CNPq para desenvolvimento de tecnologias baseadas em energia solar. Foi criado inclusive um fundo para financiar as pesquisas (o MIT-Brazil Seed Fund ).

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Para os estudantes de inglês (e outros idiomas)

março 25, 2015 § Deixe um comentário

Compartilhado originalmente pela TLTalk (http://www.tltalk.com), que é uma plataforma colaborativa de idiomas em que o usuário se conecta a “nativos” do idioma que quiser e pratica a língua por meio de uma rede social. Para quem gosta, estão precisando de falantes do português para se emparceirar com praticantes do idioma.

Jogos e habilidades

março 24, 2015 § Deixe um comentário

A Lumosity é uma organização que pesquisa a performance cognitiva através de jogos online. Uma de suas pesquisas relacionou a profissão dos jogadores com a sua performance em 10 jogos pré-selecionados que cobriam 10 habilidades cognitivas específicas. 85 mil pessoas compartilharam a informação a respeito de sua ocupação e toparam participar.

Os pesquisadores descubriram que a habilidade usada diariamente no trabalho beneficiava a performance em jogos cuja mesma habilidade era necessária. A máxima de que o treinamento leva à perfeição é corretíssima. O resultado da pesquisa corrobora com a ideia de que vale a pena investir em aplicação de atividades durante o tempo presencial em sala de aula e deixar o repasse de conteúdo para um ambiente não-presencial. Ou inverter o princípio de Pareto e usar 20% do tempo para repasse e 80% para atividade.

Sobre a pesquisa, alguma das correlações jogo/profissão que tiveram melhores performances:

Jogo “Word Bubbles Rising” e profissionais de mídia e comunicação: o jogo estimula a fluência verbal do participante, que deve rapidamente indicar uma lista de palavras relacionadas.

Jogo “Eagle Eye” e militares: o jogo desafia a atenção visual, estimulando o participante a controlar um pinball cujas alavancas desaparecem.

Jogo “Raindrops” e profissionais do mercado financeiro: o jogo desafia a habilidade de cálculo numérico.

Quem se interessar pela pesquisa, pode acessar informações em http://blog.lumosity.com/turning-numbers-into-knowledge/

Diversão + educação

março 23, 2015 § Deixe um comentário

Em 2013, um programa de TV mostrou a “intimidade” de Bill Gates. Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a forma como ele usava o seu tempo livre. Ao invés de partidas de golfe, o bilionário mostrou uma coleção de centenas de DVDs com palestras de cientistas e intelectuais.

Assim como Bill Gates, várias pessoas com tempo e dinheiro para gastar têm preferido atividades que as desafie intelectualmente, procurando o que o mercado tem chamado de Edutainment. As famosíssimas palestras do TED estão aí para confirmar. O interessante é que até alguns anos atrás, o Edutainment era encarado apenas como uma tendência e agora recebe artigo até no The New York Times, como o publicado neste final de semana.

http://www.nytimes.com/2015/03/20/education/turning-to-education-for-fun.html

Isso significa que o que era uma tendência, está se tornando lugar comum e pode beneficiar desde novos negócios até a forma como “investimos” em nossa educação. Sobre isto, acrescento que a educação informal tem ganhado cada vez mais espaço na lista de interesses  de muita gente e pode ser tão importante daqui pra frente quanto um diploma de educação formal, porque além “mostrar” os interesses pessoais de alguém, demonstra atitudes como iniciativa, curiosidade, capacidade de organização, criatividade e é uma prova de desenvolvimento de pensamento crítico.

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