O dicionário visual do cérebro
junho 30, 2015 § 3 Comentários
Nós processamos as palavras visualmente, não foneticamente. É o que mostra um estudo conduzido pela Georgetown University Medical Center. Segundo o referido estudo, quando olhamos para uma palavra conhecida, nosso cérebro a vê como uma imagem e não como um grupo de palavras a serem processadas. Ao invés de utilizar métodos como soletração (que entende a letra como unidade) ou identificar partes da palavra como se acreditava anteriormente, o cérebro “se lembra” como a palavra toda se parece, agindo como se fosse um “dicionário visual”.
Utilizando a ressonância magnética para mapear o cérebro dos voluntários, descobriu-se que, ao aprender uma nova palavra, uma pequena área do cérebro (oposta à área utilizada para lembrar rostos) é ativada, indicando que o processo utilizado para reconhecer palavras é similar ao utilizado para reconhecer feições. Segundo os pesquisadores, é isto que nos permite ler rapidamente.
A descoberta não apenas ajuda a entender melhor como o cérebro processa palavras, mas também permite insights a respeito de como ajudar o aprendizado de pessoas com dificuldades de leitura. Para aqueles que têm dificuldades em aprender palavras foneticamente (que é o método habitual para o ensino da leitura), ensinar a palavra inteira como um objeto visual pode ser uma boa estratégia.
O que a Finlândia tem?
junho 25, 2015 § Deixe um comentário

Foi com muita alegria que li a reportagem publicada nessa semana pela revista Veja a respeito da revolução educacional promovida pela Finlândia. O artigo aborda alguns temas que discuti neste espaço nos últimos meses, em especial coding (como exemplo de integração de disciplinas), project-based learning e empoderamento de alunos e professores (não por acaso temas dos 3 posts da série a respeito da conferência Education on Air). O segundo, tema também do infográfico que disponibilizei a respeito do passo a passo de implementação de uma ação de project-based learning).
Nunca é pouco repetir que para nos integrarmos de verdade ao século XXI, será necessário mudarmos nossa percepção a respeito do que é educação e como investir nela. Mais do que nunca, devemos privilegiar modelos educacionais que estimulem as pessoas a aprenderem a aprender e não os focados em disciplinas e no seu repasse. Aqui, vale o conceito de antidisciplina do Mitchel Resnick (“antidisciplinary” no original) em que nenhum conhecimento é rotulado e empacotado, você estuda o que precisa estudar, não importa a sua especialização.
Também não é pouco repetir que para “criar” propriedade intelectual, é preciso dar “valor” ao conhecimento (no sentido de reconhecimento, importância e consideração que o substantivo tem) e àqueles que possibilitam o seu compartilhamento. Desnecessário dizer que recomendo (e muito) a leitura do artigo (quem quiser, pode acessá-lo AQUI).
Aproveito ainda para deixar meu agradecimento pelas 3.517 visualizações dos 1.541 visitantes do site nos últimos meses (estatísticas do dia 24/06).
Para aprender mais rápido, não se concentre tanto
junho 23, 2015 § Deixe um comentário

Por que alguns desenvolvem habilidades rapidamente, enquanto outros precisam de um tempo extra para praticar? Essa foi a pergunta que Scott Grafton, pesquisador da UCSB (Universidade da Califórnia em Santa Bárbara) se fez. Para descobrir a resposta, desenvolveu um jogo online para medir as conexões entre as diferentes regiões do cérebro enquanto os participantes o tentavam aprender (quem quiser pode conhecer mais sobre o estudo AQUI).
Mapeando as atividades de 112 regiões do cérebro, perceberam uma grande concentração de conexões durante as primeiras tentativas, que diminuíam à medida que o experimento avançava, tornando as regiões mais independentes. Por exemplo, a parte do cérebro que controla o movimento dos dedos e a parte que processa estímulos visuais não interagiam mais ao final da análise. Segundo Grafton, essa tendência já era esperada, pois já conheciam como se desenvolvia o processo de aprendizagem neurologicamente, o que o surpreendeu foi detectar que o maior volume de atividade neural veio dos que aprendiam mais devagar, sugerindo que estes “pensavam demais” (no original, “overthinking”) a tarefa.
A explicação vem do “modus operandi” do cérebro. Quando começamos a aprender algo novo, o cérebro começa a testar inúmeras ferramentas cognitivas para tentar entender e reproduzir o novo conhecimento, com a prática e evolução do aprendizado, ele diminui o uso, focando naquelas que melhor apoiam aquele aprendizado. O que o estudo mostrou, é que algumas dessas ferramentas cognitivas “atrapalham” o aprofundamento de um aprendizado.
Bom, muito interessante, mas por que isso é importante? Porque significa que para um rápido aprendizado, é menos importante se preocupar “em que focar”, do que “como focar”. Manter o “fluxo de atenção” balanceado facilita a reorganização pelo cérebro do fluxo das suas atividades durante um aprendizado mais do que a estratégia de “atenção redobrada” ou “atenção total” que naturalmente utilizamos para aprender algo novo.
Criando uma “nuvem de palavras”
junho 18, 2015 § Deixe um comentário
A “nuvem de palavras” – no original word cloud – vem sendo usada há alguns anos para mostrar a força de certas palavras em relação a outras em um determinado texto, discurso, etc. Está se tornando popular também o seu uso educacional e não é difícil ver o porquê. É uma ótima maneira para os estudantes sintetizarem e resumirem informações, chegarem ao cerne de uma questão e visualizarem ideias e conceitos importantes de forma rápida.
Além disto, “nuvens de palavras” utilizam-se de uma característica fundamental dos seres humanos, a afinidade para o visual (são particularmente úteis para os aprendizes visuais). Se estiver interessado em utilizar a ferramenta, é preciso ter em mente que o processo de criação de “nuvens de palavras” é tão importante quanto os seus resultados. Deve ser usada em atividades estimulantes que engajem inclusive aprendizes relutantes. Já que mencionei resultados, vale a penas listar alguns vindos do uso de “nuvens de palavras” no ambiente educacional:
1) Ajuda a melhorar o vocabulário.
2) Podem ser usadas como ferramenta de auto-avaliação, quando os aprendizes estiverem escrevendo seus textos.
3) Podem ser usadas como “estratégias de ativação” – que é estimular o pensamento crítico por meio da associação de um tópico de estudo à um assunto ou conceito relacionado.
4) Podem ser usadas como ferramenta de integração – é particularmente útil para aprendizes tímidos que precisam se apresentar ou a algum tópico.
5) Ajuda no entendimento da importância das avaliações – excelente para apresentar rubricas que mostrem suas expectativas, os critérios de avaliação e a descrição dos níveis de qualidade esperados.
Uma boa dica para quem quer começar a utilizar a “nuvem de palavras”, é o site Word it Out que traz uma ferramenta online fácil de usar (a imagem no início deste texto foi feita por ela).
O que a matemática no PISA me ensinou
junho 16, 2015 § 5 Comentários

Historicamente, as aulas de matemática valorizam um único tipo de aluno: aquele que consegue memorizar bem e calcular rápido. No entanto, dados dos 13 milhões de alunos que fizeram os testes PISA, mostraram que os estudantes que alcançaram as notas mais baixas em todo o mundo, foram exatamente aqueles que utilizaram a estratégia de memorização no seu aprendizado. Esta estratégia é aquela que estimula a pensar a matemática como um conjunto de métodos de memorização – alguém se recorda dos exercícios para decorar a tabuada? Em contrapartida, os alunos com maior rendimento foram aqueles que abordavam a matemática como um conjunto conectado de grandes ideias. Estes dados podem ser verificados pelos resultados do PISA de 2012, disponibilizados pela OECD.
Esta diferença de performance se deu porque a matemática, ao contrário do que nosso sistema educacional sugere, é um assunto amplo e multidimensional. A verdadeira matemática deve estimular investigação, comunicação, conexões e ideias visuais. Ela envolve Conexão de Conhecimento e não apenas repasse.
O Brasil, em minha opinião, não precisa de alunos que possam calcular rapidamente. Precisamos sim, de aprendizes que possam fazer boas perguntas, mapear caminhos, encontrar soluções para questões complexas, configurar modelos e se comunicar em diferentes formas. Todas essas habilidades deveriam ser encorajadas pelo nosso sistema educacional e nossa posição no teste – 38º de 44 países – deveria gerar não apenas indignação, mas um amplo debate (não bate-boca ou concurso de gritos – como tenho visto por aí) para pensarmos os objetivos que queremos para nossa sociedade e o que precisamos fazer para alcançá-los. A construção da Base Nacional Comum (BNC) pelo MEC – que é a definição do que é essencial ser aprendido – é um primeiro passo para isto, mas só vai realmente contribuir para o desenvolvimento do país se for sustentada por modelos educacionais que privilegiem a aplicação prática do que é aprendido.
Infográficos Flipped Classroom e Project-Based Learning
junho 11, 2015 § 1 comentário
Acredito no poder do compartilhamento, inclusive esse foi o conceito que me motivou a lançar alguns anos atrás esse espaço. Como mais uma forma de partilhar o que tenho aprendido, resolvi “abrir” uma nova página no site para disponibilizar materiais originais, frutos dos meus estudos. É a seção “Publicações” que pode ser acessada pelo menu aí do lado esquerdo.
A primeira “publicação” disponibilizada é um kit de infográficos com 2 modelos educacionais que têm chamado muito a minha atenção: Flipped Classroom e Project-Based Learning. O primeiro, estimula o desenvolvimento do pensamento crítico (que é entender o mundo à volta e a sua relação com ele) e o segundo, o pensamento reflexivo (criar algo novo a partir do seu conhecimento). Os infográficos trazem o passo a passo para implementar tanto um quanto o outro.
Como o que é de graça nem sempre é valorizado, na “minha mão” sai pelo módico preço de… 1 compartilhamento. Pode ser via Twitter, um post no Facebook ou um post no LinkedIn, você escolhe a melhor forma. Aqui devo um agradecimento especial ao meu amigo Illan Sztejnman pela ideia.
Você pode baixar pela seção ou neste post, ambos clicando no botão abaixo. Ah, quem puder, me dê um feedback do material (na seção “O Escritório” tem um formulário de contato).
5 dicas para começar a usar o blog como ferramenta educacional
junho 3, 2015 § Deixe um comentário

No post anterior comentei os motivos pelos quais considero que o blog deve ser encarado como uma ferramenta educacional de ponta. Neste, pretendo abordar 5 dicas rápidas para colocar a ferramenta em prática e tornar sua experiência de implementação quase um “passeio no parque”.
Use um aplicativo de blog simples
Sugiro que comece procurando aplicativos populares de blog (não é por acaso que são populares). Há alguns específicos para serem usados como ferramenta educacional, são os chamados “classroom blogging apps”. Os mais usados dessa vertente são:
Edublogs, permite que se crie e gerencie blogs (tanto de aprendizes quanto de professores), personalize projetos e inclua vídeos, fotos e podcasts.
Kidblog, possui ferramentas que ajudam os aprendizes a escreverem com segurança antes de publicarem online. Esse aliás é um dos grandes debates acerca da utilização da internet como ferramenta educacional, a necessidade de se promover o “digital citizenship”. É preciso garantir aos estudantes um espaço seguro para exercerem sua “cidadania digital”, com monitoramento de toda a atividade pelos professores.
Os blogs tradicionais como Blogger, WordPress, Weebly e Tumblr (para photoblogs) também são boas opções.
Dê o “pontapé inicial”
Se você utilizar o modelo de blog comunitário ao invés do individual, não se esqueça de que é sua responsabilidade fazer os posts iniciais e estimular o comentário dos aprendizes. À medida que eles demonstrarem tanto entusiasmo quanto responsabilidade com seus comentários, dê-lhes mais liberdade, concedendo o direito a escrever no blog comunitário. Ou então, os estimule a criar seus próprios blogs.
Crie uma rubrica
Rubricas são ferramentas educacionais usadas para avaliar o desempenho dos aprendizes. São essenciais para fornecer explicações detalhadas para uma tarefa. Além de facilitar o entendimento dela pelos aprendizes, os ajuda a checar sua performance individual. Não deixe de incluir as suas expectativas para a tarefa, assim como responder aos comentários. Para mais informações a respeito de rubricas e como implementá-las em seu blog, recomendo a seção a respeito de avaliações do site EdTech Teacher.
Defina seu público
Criar um público “cativo” para o blog é importante para os aprendizes encararem a ferramenta como uma oportunidade para mostrarem seu aprendizado (e talento), além de gerar feedbacks realmente construtivos. Inicialmente, o professor e os colegas de classe são a melhor audiência para o blog, mas considere a possibilidade de compartilhar com outros, como pais ou familiares.
Use conteúdos concisos
Peças concisas e fáceis de ler são ideais para a maioria dos leitores online. Textos mais longos, complexos ou complicados podem confundir e afugentar seus aprendizes. Exerça e estimule a assertividade. Ir direto ao ponto é uma habilidade valiosa, tanto na carreira acadêmica quanto na profissional. Seus aprendizes agradecerão.
Que tal começar um blog?
junho 1, 2015 § Deixe um comentário
Blogs podem ser usados para expandir a criatividade dos aprendizes e as suas habilidades de escrita, mas são constantemente menosprezados como ferramenta educacional. Apesar de serem rapidamente criados, surpreendentemente fáceis de usar, facilmente mantidos e exigirem conhecimento técnico mínimo, muita gente “torce o nariz” para a simples sugestão “por que você não cria um blog?”.
Um dos motivos pode ser o fato de ser uma ferramenta “antiga” na sempre inovadora internet ou então a falta de credibilidade que muitos atribuem ao conteúdo deles (apesar do “jornal” mais lido na internet ser um blog, o Huffington Post).
De qualquer forma, pretendo explorar 4 motivos pelos quais o blog deve ser considerado uma ferramenta educacional de ponta:
1. Permite uma aprendizagem multifacetada: já é largamente aceito que deve-se proporcionar múltiplas formas de aprendizagem porque cada um aprende de maneira diferente. Não cabe aqui insistir nisto, então sugiro apenas que reflitam na possibilidade de usar um blog para proporcionar diferentes maneiras de um aprendiz demonstrar o seu aprendizado. Por exemplo, uma pessoa tímida pode sentir menos pressão quando precisar “falar” a respeito de um tema em seu blog ou quando precisar dar feedback aos seus pares. Sem contar que o formato de registro diário proporcionado por um blog funciona muito bem com aprendizes visuais e com os chamados read-and-write learners (os que aprendem melhor lendo e anotando, como este que vos escreve).
2. Blogs ajudam a alfabetizar e aguçar habilidades de escrita: “bloggar” permite que os aprendizes se tornem “autores publicados” e mostrem suas habilidades de escrita. Funciona como uma “aula de redação” on-the-job, além de “treinar” sua escrita a pessoa pode receber dicas para melhorar dos seus próprios “leitores”. “Falando” nisto, este é um dos maiores benefícios de um blog, dar aos aprendizes a capacidade de melhorar a comunicação e a colaboração por meio do recurso “comentários”. A revisão por pares e o feedback tornam-se uma parte valiosa do processo de aprendizado. Outro ponto importante é o aumento da atenção quando se sabe que o que se escreve será lido por várias pessoas. Cada palavra, frase, sentença e pontuação adquire outro status.
3. Blogs são acessíveis e engajadores: com a disponibilização cada vez maior de aplicativos de blog, o seu uso tornou-se ainda mais simples e acessível. Pode-se escrever sobre qualquer coisa, de qualquer lugar, sempre que estiver com vontade. Não estarmos “amarrados” a uma mesa, estimula que nos sintamos mais livres para usar a “mídia” escrita. Nunca é demais reforçar que escrever melhora a capacidade de refletir a respeito do “mundo à volta”. Junto com outros artefatos multimídia como fotografia e vídeos, os blogs transcendem a “formação” de “escritores”, estimulando uma abordagem mais ampla da comunicação.
4. Blogs podem servir como ferramenta de gestão de “sala de aula”: para finalizar, quando usados como ferramenta para disponibilizar atividades e exercícios, tanto dentro quanto fora da “sala de aula”, ajudam a manter o foco e o engajamento nas atividades propostas. Além disto, ao se criar blogs “comunitários” (ao invés de blogs individuais), promove-se comunidades online para os aprendizes e amplia-se a “sala de aula” para além das quatro paredes. O aprendizado continua onde quer que se vá, estimulando que os pensamentos e conversas dos aprendizes se perpetuem.
STEM e a gente
maio 28, 2015 § Deixe um comentário
STEM é o acrônimo para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (em inglês, science, technology, engineering e mathematic). O termo é utilizado para nomear políticas educacionais e curriculares feitas especificamente para as áreas. O interesse vem crescendo em diversos países pelo fato da maioria das projeções para criação de vagas de emprego no mundo, sinalizarem um aumento para os 4 campos. Não por acaso, são os campos de trabalho que mais geram inovação. Vale também uma explicação específica do termo “engenharia”. No Brasil, geralmente o relacionamos à engenharia civil, mas ele é mais amplo abarcando cerca de 30 tipos de engenharia, incluindo da computação, ambiental, elétrica, etc. O que une todas é o fato de serem ciências exatas.

Outro ponto importante é o fato do pensamento criativo ser uma das habilidades básicas destas profissões, portanto um currículo baseado nas 4 áreas estimula o seu desenvolvimento e impacta o sistema educacional como um todo. Alguns consideram o currículo baseado em STEM o benefício mais importante que uma “escola moderna” pode oferecer aos seus alunos.
Mas, o que isso tem a ver com a gente? A lei das diretrizes e bases da educação (lei 9394 de 1996) define que os estabelecimentos de ensino são responsáveis por “elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Isto quer dizer que é incumbência de cada escola e instituição de ensino no Brasil definir o seu currículo, metodologia e método de ensino. Liberdade total, no papel. Há um porém, devem necessariamente respeitar “as normas comuns e as do seu sistema de ensino” que trocando em miúdos quer dizer que devem seguir as orientações dadas pela União, Estados e Municípios, o que muitas vezes limita a “liberdade” da escola. De qualquer maneira ainda há muito espaço para trabalhar, principalmente nos quesitos metodologia e método de ensino.
Nos EUA há uma linha orçamentária federal destinada a estimular a implementação de um currículo baseado em STEM nas escolas públicas e algumas delas já encorajam seus alunos a construírem robôs e ferramentas, usando tecnologias como impressoras 3D. Aqui no Brasil há iniciativas voltadas à formação dos professores das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática para que possam preparar alunos de escolas públicas para a faculdade e uma carreira mais próspera, como a promovida pela organização STEM Brasil.
O que une as duas iniciativas (americana e brasileira)? A metodologia baseada em projetos (project-based learning) que comentei alguns posts atrás. Fica a dica para nossas escolas se inteirarem mais a respeito da obra do John Dewey.
Motivação, performance e aprendizado
maio 22, 2015 § Deixe um comentário

Em 2009, a dra. Heidi Grant Halvorson1 conduziu um teste para avaliar a motivação e o seu impacto na performance. Ela dividiu os participantes em 2 grupos: o grupo dos “seja bom” e o grupo dos “faça melhor”. Ao primeiro grupo, disse que o resultado do teste “refletiria as suas habilidades conceituais e analíticas”, ao segundo, que os problemas propostos eram para ajudá-los a “treinar” e que “aproveitassem a oportunidade para aprenderem o máximo possível”.
Durante os testes, a dra Halvorson aumentava a dificuldade das questões, incluindo até algumas insolúveis. Enquanto os integrantes do grupo “faça melhor” se mantiveram imperturbáveis e resolveram a maior quantidade possível de questões (fáceis e difíceis), tentando aprender o máximo que pudessem, os integrantes do grupo “seja bom” se mostraram desmotivados a medida que os obstáculos se tornavam mais desafiadores.
Segundo a pesquisadora, a diferença de performance foi causada pelo modo como as metas iniciais de aprendizado foram definidas. O aprendizado deve ser definido pelo seu objetivo global e não por objetivos de performance (como por exemplo, “aumentar o índice de aprovação para 80%”). A performance é consequência e não razão de um aprendizado.
Esse e outros cases podem ser encontrados no livro “ Succeed: How We Can Reach Our Goals”.
1 Halvorson, Heidi Grant. Succeed: How We Can Reach Our Goals. Plume. 2011. p64-68.



