Edtech – Blended Learning
outubro 22, 2015 § Deixe um comentário

A abordagem para solução de “problemas” tem um apelo maior para os aprendizes do que o repasse conceitual. Este é um fato, apesar das 2 abordagens terem sua importância. O conceito tem o objetivo de fornecer um entendimento crítico a respeito de determinado tema e a implementação, de trabalhar o modo de aplicação de um determinado conceito ou propriedade intelectual. O ideal é “juntar” as duas. Esta é a base de um conceito intitulado blended learning (algo como aprendizado misturado).
Como fazemos com outros conceitos “importados” (como por exemplo, o de startup), o termo blended learning ficou restrito no Brasil à mistura presencial (sala de aula) e não-presencial (ensino a distância), mas vai bem além disto. Ele acontece sempre que se utiliza mais de um “modelo” educacional para estimular a aprendizagem.
Kavita Gupta é uma professora de química da região de São Francisco, Califórnia. Ela iniciou em 2011 uma bem-sucedida abordagem “blended”, utilizando o método de instrução direta (também chamado de “tradicional”) associado com o conceito conhecido como “flipped classroom” (abordado em posts anteriores) – que a grosso modo significa inverter a lógica da sala de aula, fazendo o “dever de casa” em sala e o repasse do conteúdo em “casa” – e com ferramentas online para suporte como podcasts gravados por ela e uma comunidade de suporte via Facebook.
Kavita viu o número de alunos matriculados para suas aulas subir 67% (de 140 para 235) e o AP scores deles (é um resultado consolidado em exame, similar ao nosso ENEM, que permite o ingresso em universidades) subir em média 12%. São números robustos, sem dúvida. Ela sintetiza a sua experiência com blended learning da seguinte maneira:
- O modelo “liberou” tempo em sala para se aprofundar o entendimento da matéria e focar realmente na resolução de “problemas”.
- Os estudantes se engajaram ativamente no aprendizado, trabalhando em conjunto em experiências químicas ou em avaliações por meio de tarefas.
- O aprendizado foi individualizado e “estendido” para além do ambiente formal com a utilização do Facebook, podcasts e sites na internet.
Kavita Gupta concluiu que o modelo blended efetivamente aumentou o engajamento, melhorou o aproveitamento do tempo formal e, “de quebra”, estendeu o tempo dispendido pelos alunos em atividades de aprendizado.
Learning Analytics – parte 1
outubro 6, 2015 § 1 comentário

Citei anteriormente o termo “aprendizado analítico”, minha tradução para “learning analytics”. Ainda que a análise de dados gerados por aprendizes não seja lá uma coisa nova, o conceito de “learning analytics” só ganhou amplo apoio entre pesquisadores e profissionais da educação recentemente.
Quando se ouve falar desse termo em inglês, “analytics”, a primeira coisa que alguém familiarizado com ele pensa é no rastreamento de visitas em um website (seja ele um e-commerce, um blog ou a página da empresa em que trabalha). O “learning analytics” usa esse tipo de dados combinados com a performance do aprendiz e com modelos analíticos para verificar como eles aprendem e como se pode melhorar essa experiência de aprendizado.
O que pode fazer?
- Previsões a respeito de performances futuras, baseadas em padrões passados de aprendizado.
- Intervir quando se perceber diferenças no padrão de comportamento do aprendiz que possam sinalizar dificuldades e direcionar feedbacks que possam ajudá-lo.
- Personalizar o processo de aprendizagem de cada aprendiz, usando seus pontos fortes e encorajando melhorias.
- Adaptar estilos de ensino e de aprendizado via socialização, modelos de aprendizagem e tecnologia.
O modelo é excelente para detectar dificuldades de aprendizado via a performance. Isto é feito da seguinte maneira:
- Reconhecimento de demonstração de frustração, por exemplo em mensagens deixadas no ambiente virtual.
- Diminuição do tempo médio de utilização e atividade no ambiente virtual.
- Longos intervalos entre logins.
- Distinção entre “chute” e conhecimento em respostas de múltipla-escolha.
Um dos motivos pelos quais o conceito demorou a ser aceito, foi porque ele “desafia” outro conceito muito popular na área de educação, a hipótese do aprendiz eficiente – “efficient learner hypothesis” (ELF) – que considera que todos os aprendizes começam em um nível igual – daí a prática do nivelamento educacional – e progridem de forma similar – daí a organização dos alunos em turmas e séries.
Por considerar essencial abranger a discussão em relação ao nosso sistema educacional, adaptei um infográfico para facilitar a compreensão do processo de funcionamento do “learning analytics”.
Disponibilizei um pdf do infográfico na seção Publicações para download gratuito. No próximo post pretendo abordar como o conceito pode afetar o futuro do nosso entendimento a respeito do que é educação.
Conteúdo aberto
outubro 1, 2015 § Deixe um comentário

Apesar de não ser propriamente uma novidade – o conteúdo aberto está por aí basicamente desde o início da web – o tópico tem recebido uma atenção especial nos últimos anos. Eu mesmo só comecei a me familiarizar com o protocolo Creative Commons há pouco mais (ou menos, perdoem-me a memória) de um ano. De qualquer forma, relativamente recente.
O uso de conteúdo aberto (no original “open content” – a variação “open access” também é usada) facilita um bocado a vida de quem quer se manter atualizado em qualquer área do conhecimento. Se torna um ativo quando associado à habilidade de encontrar, avaliar e colocar em uso uma nova informação. Quando utilizado de maneira contextualizada, vira curadoria digital – uma área de grande crescimento quando se trata da “entrega” de informação.
A vantagem de se “criar” processos para utilizar a “riqueza” disponível pelo conteúdo aberto é particularmente compensadora quando voltada ao aprendizado. Quando comparado com um material didático como a apostila ou o livro-texto – pesados, lentos para atualizar e particularmente caros – os conteúdos Creative Commons tem levado vantagens em algumas áreas, particularmente matemática, história e ciências. Ao ser associado a conceitos como “aprendizado analítico” (no original, “learning analytics”) que combina a análise de dados da interação dos aprendizes em ferramentas educacionais, em especial online, com o direcionamento (ou como se diz atualmente, customização) da experiência de aprendizado, os resultados são elevados exponencialmente.
Acredito que conceitos novos são melhor compreendidos quando podemos observar sua aplicação na prática. Dessa forma, gostaria de compartilhar 3 exemplos do uso do conteúdo aberto, envolvendo as 3 áreas que citei acima.
História: Learn NC (algo como “aprenda Carolina do Norte”) é um programa desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte para compartilhar melhores práticas na utilização de recursos online com os professores deste estado norte-americano. Sua “apostila digital” de história (minha tradução para “digital textbook”) contém uma coleção de fontes, leituras e multimídia que podem ser pesquisados e reorganizados pelos professores para se adequarem à necessidade de aprendizado de cada turma, pode inclusive ser individualizado para cada aluno.
Matemática: o professor James Sousa desenvolveu mais de 3.000 vídeos-tutoriais em seu projeto particular intitulado Mathispower4u abordando assuntos que vão de aritmética à cálculo. Todos licenciados com a atribuição Creative Commons.
Ciências: uma parceria entre a Universidade Bringham Young e a Fundação Hewlett, proporcionou um projeto envolvendo professores de todo o estado de Utah, que se reuniram para criarem juntos “apostilas digitais” gratuitas. O projeto Utah Science Open Educational Resources desenvolveu materiais que abordam temas como biologia, química, física e fenômenos naturais, além de um guia de uso para que os professores possam explorar as “apostilas digitais” em sua totalidade.
A internet é possivelmente uma das maiores “tangibilizações” do conceito “batido” e muitas vezes desprezado da democracia. As possibilidades proporcionadas pelo seu uso dependem muito mais de quem a usa do que de quem “permite” o acesso – mesmo nos locais em que o uso é controlado por governos, é possível “burlar” vigilâncias. Essa foi uma das razões da minha “bronca” em relação à condenação do uso de celulares em sala de aula, que comentei no post anterior. Acredito ser mais válido estimular o uso da internet, mostrando suas reais possibilidades – que vão infinitamente além do acesso a redes sociais – do que tentar “fabricar” qualquer espécie de restrição a ela.
10 dicas rápidas para um aprendizado efetivo
setembro 24, 2015 § Deixe um comentário
Confesso que tenho uma “queda” por listas estilo “Top 10”. Talvez por ter sido um adolescente da “geração MTV” ou ter sido influenciado por filmes como “Alta Fidelidade” – aquele em que o ator John Cusack é dono de uma loja de discos e elabora listas de melhores músicas – o fato é que esse tipo de “compilação” estimula minha mente.
Seguindo essa “tradição” bem década de 90, não resisti em fazer minha própria “listinha” com dicas – que possivelmente já abordei em outros posts – sobre como podemos estimular um aprendizado (ou melhor, autoaprendizado) mais efetivo. Perdoem-me possíveis repetições, mas listas estilo “Top 10” são prodígios da recorrência.
- Personalize: identifique seu “estilo” pessoal de aprendizagem e o adapte aos seus hábitos diários.
- Sistematize: aborde o seu processo de aprendizado de forma sistemática. Aprender está mais para maratona do que para 100 metros rasos, por isso expanda seu conceito a respeito do que é aprendizado e como ele acontece.
- Diversifique: não é à toa que essa é a palavra mágica usada por qualquer consultor financeiro. Aprenda de diversas formas, usando diferentes materiais e recursos.
- Foque: elimine as possibilidades de distração. Tudo o que possa te desconcentrar ou tirar sua atenção entra nesse tópico. Aqui a qualidade vale tanto quanto a quantidade, lembre-se que meia hora é melhor do que nenhuma hora.
- Conecte: tente construir associações que liguem os diversos assuntos estudados. Ajuda a melhorar a retenção.
- Organize: gerencie seu processo de aprendizado, a começar pelo seu planejamento. Técnicas e dicas de gerenciamento do tempo também ajudam bastante nessa hora.
- Fique confortável: organize seu “espaço de estudo” levando em conta as coisas que te deixam confortável – tanto aquela caneta que você gosta quanto a sua lista de favoritos do browser podem atuar a seu favor nessa hora.
- Reflita: procure entender a perspectiva do material didático que você está utilizando, mas nunca (nunca mesmo) deixe de usar a sua própria interpretação como guia.
- Simplifique: quanto estiver diante de assuntos difíceis ou tarefas complicadas, divida e vá por partes. Sei que parece óbvio, mas quando não se tem muito tempo disponível o óbvio costuma “ficar pra escanteio”.
- Compartilhe: troque ideias com pessoas que estão estudando ou têm o mesmo interesse que você. Não subestime o valor de visões diferentes da sua.
Como diz Bruce Springsteen em uma “participação super-especial” no citado filme: “se prepare para começar de novo, vai te fazer bem”.
Thanks, Boss.
Desenvolvendo mentes curiosas – parte 2
setembro 17, 2015 § Deixe um comentário
Relacionei “mentes curiosas” a uma visão mais abrangente, que por falta de capacidade adjetiva minha chamei pelo termo anglo-luso “pensamento big picture”. Penso ser válido explicar porque fiz essa correlação. Do modo como vejo, a curiosidade intelectual requer que seu (ou sua) “proprietário(a)” tenha uma certa motivação interna, algo que o(a) impulsione a se questionar e procurar respostas. Essa motivação não virá se a pessoa não tiver pelo menos um vislumbre do benefício que terá com isto. Mesmo que não esteja muito claro e que seja apenas um sentimento ou sensação, é preciso crer que essa “busca” trará algum benefício. Essa sensação é o que caracterizei como “pensamento big picture”. É uma espécie de “senso de propósito”.
Conforme prometido, pretendo abordar nesse texto pequenas mudanças de atitude que considero poderem contribuir para estimular um pensamento mais “big picture”. Antes, gostaria de reafirmar a minha crença de que em educação não existe “receita de bolo”. O que proporei a seguir é fruto da minha experiência, mas que não necessariamente é adequada para toda e qualquer situação. Mas penso que pode ajudar alguém que pretenda estimular um “pensamento big picture” em si ou em outros.
Dê sentido aos seus projetos ou tarefas: é preciso trabalhar de maneira séria e focada, mas não todo o tempo. Acredito ser preciso dar a uma determinada tarefa (ou perceber) algum significado emocional, moral ou intelectual. E isso não é possível se apenas “abaixarmos a cabeça” e nos concentrarmos em fazer o que precisamos fazer. É preciso encontrar algum tempo para “levantá-la” e olhar para os lados. É a maneira que conheço para tornar algo mais significativo.
Ligue “lições” antigas a novas: um dos modos que me ajudam a entender a abrangência de algo é “preencher a lacuna” entre o que já sabia e o que aprendi. Dessa forma consigo compreender a inter-relação entre os assuntos e como “colocá-los” dentro de um “retrato maior”.
Estude História de maneira conectada e não linear: acredito ser essencial conhecer História para compreender a si mesmo e a sociedade em que se vive. Somos “frutos” da História brasileira, mas também somos frutos da História cristã-judaica ocidental, da História ibérica, da História africana e de tantas outras. Entender que a História não acontece linearmente me ajuda enormemente a colocar em prática a dica anterior.
Correlacione os detalhes aos conceitos macro: conceitos macros e seu detalhamento estão intrinsecamente relacionados. Uma das primeiras matérias que estudei ao entrar na faculdade foi a “Teoria Geral da Administração” (sou “formado” ou como se diz academicamente “bacharelado” em administração de empresas). Lembro que ao estudar um sistema de produção chamado de Taylorista, que basicamente estipulava que o funcionário deveria apenas exercer a sua função, no menor tempo possível durante o processo produtivo, não havendo necessidade de conhecer a forma como se chegava ao resultado final, percebi o quanto o modelo havia extrapolado a fábrica e se enraizado na nossa concepção de vida. Nesse momento, decidi que não teria vida profissional e vida pessoal, para mim seria a mesma coisa, a minha vida. Obviamente levei anos para tentar colocar isso em prática, mas de certa forma, o simples reconhecimento de que a compartimentalização era algo, a meu ver, antinatural, já me estimulara desde a época da faculdade a tentar entender como o detalhe de algo se relacionava com o seu “todo”.
Foque no “aprendizado real”: “a aprendizagem não é o produto do ensino, é o produto da atividade dos alunos”. A frase anterior é de um cara que me influenciou muito, John Holt. Ela é sobre um conceito que ele chamou de “aprendizado real” (“real learning”, no original), abordado no livro “How Children Learn”. Nele, Holt sugere que se use as mentes imaginativas e inquisitivas das crianças a favor do seu próprio aprendizado e que não se tente “molda-las” para que se “enquadrem” em um determinado comportamento (não vou entrar em detalhes, mas o conceito não significa deixar fazer o que quiser). Este livro me levou a “aceitar” o fato de que informação não significa conhecimento e que era necessário entender o seu contexto para poder “promover” essa migração. “Aprendizado real” para mim é a busca pelo contexto.
Essa é a minha pequena contribuição ao estímulo por um ambiente, digamos, mais “big picture”. Confesso que “deixei” anotadas mais umas 10 dicas, mas não tenho certeza se vou abordá-las no próximo post. Meu professor de kung fu, o Luiz Pessanha, me disse certa vez que o seu mestre Chan Kowk Wai, tinha a “mania” de lhe mostrar alguns poucos movimentos e não dizia mais nada. Isso o estimulava a pensar em como aplicar na prática aquela forma. Muitas vezes o “não dito” ensina mais.
IMAGENS E ESQUEMAS: Conexão do Conhecimento
setembro 5, 2015 § Deixe um comentário
Compartilhei as imagens e esquemas constantes no livro Conexão do Conhecimento – Conectar para gerar ideias, inovações e aprendizado em um arquivo pdf. O download do arquivo é gratuito, quem quiser basta acessar a seção PUBLICAÇÕES do site e “baixar” de lá.
O arquivo é o segundo exibido na página, após o próprio livro.
Inovação e adaptabilidade
setembro 3, 2015 § 7 Comentários
Bycast, uma empresa com sede em Vancouver, tinha como foco de atuação até meados dos anos 2000, o envio de vídeo e conteúdo de áudio em forma comprimida através da Internet. Com a popularização do YouTube e dos vídeos steaming, esse mercado desapareceu quase que “da noite para o dia”. A empresa precisava encontrar um novo mercado, “o tempo estava se esgotando e o nosso capital estava sendo queimado no processo de busca”, lembra Alan Chiu, ex-diretor da empresa.
A solução veio de uma fonte improvável, a instituição médica canadense The British Columbia Cancer Agency. Com uma “biblioteca” de CDs com imagens médicas que enchiam salas e mais salas, a instituição tinha cada vez mais dificuldades em mantê-los organizados e disponíveis para os médicos e pessoal autorizado das suas instalações de saúde. Como solução, a Bycast desenvolveu um software que auxiliava a gerenciar uma quantidade massiva de dados em diferentes localidades geográficas. “Isso levou à descoberta de um segmento de mercado em torno de imagem médica e compartilhamento de dados em vários locais”, Chiu lembra. Quando a Bycast foi adquirida pela NetApp em 2010, a sua base de dados incluía alguns dos maiores repositórios de conteúdo digital do mundo.
A inovação surge de maneira inusitada, mas uma das características essenciais do processo é a flexibilidade. É ela que permite que não nos agarremos a soluções costumeiras e nos adaptemos. Alan Chiu virou um dos sócios da Xseed Capital, uma empresa que atua como investidor-anjo[1] em novos negócios. Nesta posição, tem ajudado jovens empreendedores tanto financeiramente, quanto compartilhando seu conhecimento em negócios. Essa experiência o levou a ser convidado pela Universidade de Stanford – é um ex-aluno de lá – a contar um pouco da sua experiência e dar dicas de melhores práticas (para assistir ao vídeo, clique AQUI). Um dos seus conselhos, penso eu, transcende o mundo corporativo e pode ser aplicado em nossa própria vida.
“Seja intelectualmente honesto e adaptável” diz ele. Empreendedores (não só, mas também) tendem a ser pessoas naturalmente otimistas, mas não convém manter um “otimismo cego”. Quem é otimista sem ser honesto consigo mesmo está mais suscetível a ser enganado pelos seus próprios preconceitos. Estar aberto a novas informações, novos dados e novas recomendações é o primeiro passo para exercitar a sua habilidade em se adaptar.
Isto não quer dizer que não possamos ter nossas convicções, pelo contrário, acreditar em algo é de extrema importância para se chegar em algum lugar. Mas é preciso estar aberto à mudança e à correção de rumo.
Tricia Seibold, uma excelente designer e aluna em Stanford nos presenteia com seu talento, compartilhando um infográfico com as principais dicas da palestra do Alan Chiu. Em um post anterior, compartilhei um dos seus infográficos atribuindo-o a alunos de Stanford. Aproveito aqui para retificar a minha informação.
[1] É o investimento efetuado por pessoas físicas ou jurídicas em empresas nascentes com alto potencial de crescimento (as startups) apresentando as seguintes características: é efetuado por profissionais (empresários, executivos e profissionais liberais) experientes, que agregam valor para o empreendedor com seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamentos além dos recursos financeiros, por isto é conhecido como smart-money ; tem normalmente uma participação minoritária no negócio; não tem posição executiva na empresa, mas apoiam o empreendedor atuando como um mentor/conselheiro.
Obrigado por compartilhar
setembro 1, 2015 § Deixe um comentário
O conhecimento sempre foi uma poderosa fonte de poder para a humanidade. Não é por acaso que o primeiro ato de qualquer tirano é suprimir as fontes de informação e conhecimento. A época atual, que temos o privilégio de viver, é ímpar na geração, difusão e acesso a esse poder de transformação do ser humano. O impacto da internet é daqueles definidores, como foi a descoberta do fogo, a criação da culinária, a criação da prensa, o iluminismo, o domínio da fissão nuclear, dentre outros. É algo que já mudou o modo como vivemos e está mudando a forma como pensamos.
Uma das mudanças na forma de pensar mais fáceis de identificar é o aumento do compartilhamento de informações e conhecimentos entre os seres humanos, muitas vezes estimulados pela boa e simples generosidade das pessoas. Domingo passado, dia 30/08, perdemos uma dessas pessoas generosas, o Dr. Oliver Sacks, que mesmo nos seus últimos meses de vida, em câncer terminal, encontrou tempo para compartilhar seu conhecimento e impressões.
Certamente virarão clássicos seus 4 artigos, publicados ao longo deste ano no The New York Times, sobre o que se passava por sua cabeça nos últimos tempos.
O primeiro, publicado em fevereiro, “My own life”, foi usado para anunciar a sua condição e abordar como decidiu encarar o diagnóstico e o tempo que lhe restava.
O segundo, de junho, com o sugestivo título de “Mishearings” (algo como ouvir mal ou errado), Sacks nos presenteia – com a sua costumeira narrativa – suas impressões a respeito dos mal-entendidos que uma crescente surdez causada pelo câncer o proporcionava e sua correlação com a natureza da percepção humana.
No terceiro, publicado ao final de julho, Oliver Sacks aborda como vinha utilizando seu tempo e compartilha uma prática adquirida nos últimos anos de receber de presente de aniversário o metal ou mineral correspondente ao número da sua idade na tabela periódica. Não por acaso, o título do artigo é “My periodic table”.
No último (e meu favorito), publicado há cerca de 15 dias, nos conta, em tom de despedida, sua relação com o sábado (dia sagrado para a religião judaica). Com o título de “Sabbath”, Sacks celebra a vida e nos brinda com um final arrebatador, que reproduzo a seguir em uma tradução livre: “E agora, fraco, com pouco fôlego, com meus músculos outrora firmes derretidos pelo câncer, me pego a pensar constantemente não no sobrenatural ou no espiritual, mas no que significa viver uma boa e produtiva vida e alcançar a paz interior. Me pego a pensar no Sabbath, o dia do descanso, o sétimo dia da semana e talvez, o sétimo dia da vida de uma pessoa, quando se tem a sensação de que o trabalho está terminado e é possível, em boa consciência, descansar”.
Obrigado por compartilhar, Dr. Sacks.
Em tempo, mantendo a boa prática, compartilho os links para os artigos nos títulos originais que citei acima.
Competências para o século XXI – parte 3
agosto 20, 2015 § Deixe um comentário
Estimular competências valorizadas (ou valorizáveis) neste século em um ambiente formal de aprendizagem pode ser uma tarefa (bem) desafiadora. Isto porque para que elas “aflorem” há um elemento essencial nessa “equação”: o aprendiz. Ou melhor, a motivação do aprendiz.
Motivação é um termo “malandro”, ao mesmo tempo em que explica muito resultado positivo, também age para tornar nebuloso resultados negativos. Esta complexidade se deve ao fato de que tanto elementos externos quanto internos ao indivíduo agem combinados para influenciar este “estado de espírito”. Soma-se a isto uma característica fundamental para que a motivação se mantenha consistente ao longo do tempo, a resiliência. Insistir em algo é fundamental para alcançar resultados positivos em termo de aprendizado. Não é todo o dia que se está verdadeiramente disposto a aprender ou a ensinar, portanto continuar seguindo nesses “dias nublados” é tão importante quanto nos de “sol brilhante”.
Um dos pontos comuns das dicas a seguir para se construir um ambiente formal de aprendizagem que estimule as competências abordadas anteriormente é a crença de que o conhecimento é valioso e como tal, importante. Note que uso o termo “conhecimento” e não “educação”. Associar educação ao desenvolvimento de um aprendizado é uma armadilha que deve ser evitada. Primeiro porque educação é um investimento de longo prazo, que está dissociado de “causa e efeito”. Segundo, um ambiente formal de educação não gera necessariamente aprendizado. Terceiro, a base de qualquer sistema educacional é o conhecimento, ele sendo valorizado transcende o próprio sistema e se torna parte integrante do indivíduo (e por tabela, da sociedade). Sem mais delongas, vejamos como podemos ajudar a estimulá-las:
Crie cenários que testem a transferência das habilidades e não apenas as habilidades em si. É preciso que o aprendiz desenvolva a capacidade de aplicar as habilidades, conhecimentos, atitudes ou estratégias vistas em um contexto em outro. É desta maneira que se avalia um aprendizado, estimulando que pensem e analisem como seu conhecimento se aplica em uma situação ou realidade diferente da que foi utilizada para repassá-lo.
Tire um tempo durante o repasse para estimular uma visão abrangente. Os aprendizes devem compreender as relações entre as variáveis e como podem aplicar este entendimento em contextos diferentes. Ao entenderem como um determinado tópico se encaixa em um sentido mais amplo, a relevância do aprendizado de um determinado conhecimento se torna mais claro – e mais motivador.
Trate a tecnologia como parte natural do aprendizado. Encaremos os fatos, dificilmente hoje um aprendiz – de qualquer idade – irá conceber sua vida sem o envolvimento da tecnologia. Ela está tão presente em vários aspectos da vida que realmente deveríamos parar de pensar em como integrar a tecnologia no aprendizado e fazermos o inverso: pensar em como integrar o aprendizado na tecnologia. Encará-la como parte natural da história é um bom começo.
Torne suas lições (ou aulas) interdisciplinares. Sei que algumas palavras são tão repetidas que acabam se tornando “da moda”. Muitas vezes, por conta dessa repetição, paramos de dar a devida atenção a elas. Não se pode deixar que este seja o caso aqui, interdisciplinaridade é um “modo de vida”. O aprendiz precisa ter consciência do porque cada disciplina é importante, como elas se integram, como um novo conhecimento é criado e como é difundido. Este é o modo de se “ensinar” a metacognição, ou como é conhecida no popular, “aprender a aprender”.
Aborde diretamente o que for mal-entendido ou o que tem possibilidade de má compreensão. Alguns assuntos são densos ou ambíguos mesmo. É natural que as pessoas tenham alguns mal-entendidos a respeito de como as coisas ou o mundo funciona. Se não tiverem a oportunidade de visualizar explicações alternativas, esses entendimentos tendem a se solidificar.
Promova trabalho em equipe. Esta é uma habilidade que é ao mesmo tempo processo e resultado. Há uma frase atribuída a Machado de Assis que diz “quem troca pães, fica com um, quem troca ideias, fica com as duas”. Colaboração é estimulada muito pelo exemplo, por isso promover um ambiente colaborativo é fundamental para que o trabalho em equipe apareça naturalmente. Some-se a isto, a necessidade de haver uma “cultura da aplicação”. Isto quer dizer que é preciso estimular os aprendizes a aplicarem o que aprenderam em coisas tangíveis. Um bom modo de se fazer isto é por meio de projetos. Utilize esta metodologia de aprendizagem como parte do seu planejamento instrucional e permita que os aprendizes experimentem diferentes papéis ao trabalharem um projeto em grupo. Nada de “distribuir camisas”, estimule que ora sejam “gerentes”, ora “organizadores”, ora “artistas” e assim por diante.
Por fim, não se esqueça de para que se possa “lidar” com a enorme quantidade de informação disponível, o modo como se acessa e se traduz essas informações é fundamental. Estimule que busquem e comparem as fontes de um determinado assunto. Assim se estimula a análise crítica, fundamental para sairmos da “armadilha” do dogma e das “respostas prontas”.
Competências para o século XXI – parte 2
agosto 18, 2015 § Deixe um comentário
Como vimos, as competências podem ser organizadas em 3 grandes grupos de habilidades: cognitivas, interpessoais e intrapessoais. Aqui vale um adendo antes de seguirmos: o agrupamento é importante pelo fato de que não há um consenso em relação às competências a serem ser priorizadas. Por conta de restrições curriculares, de tempo e de dinheiro é preciso fazer escolhas. Os grupos atuam como balizadores, indicando como os faróis fazem com navios, o caminho que se deve seguir (ou evitar).
Pretendo abordar 10 competências que considero importantes. Mas friso que não se deve tomá-las por dogmas. As escolhi porque tenho a tendência a considerar importante a independência pessoal e, no meu entender, elas estimulam o desenvolvimento de uma certa independência (intelectual e de ação).
- Aprender a aprender: a educação formal exerce uma função similar ao andaime em uma obra. Auxilia na fundação, na construção e nos acabamentos, mas uma vez terminada a obra cabe ao “proprietário” a sua manutenção e conservação. Saber como aprender e ter vontade em fazê-lo é essencial para uma vida de realizações profissionais e pessoais.
- Capacidade de empatia: em um mundo cada vez mais radical, conseguir se colocar no lugar dos outros é um desafio e tanto. Para colocar em prática atividades que promovam desenvolvimento sustentável, saúde, educação, um ambiente propício a negócios, ao desenvolvimento tecnológico, à prestação de serviços e ao desenvolvimento de produtos, requer a capacidade de se conectar com a forma de pensar e a perspectiva do seu cliente, paciente, estudante ou comunidade, enfim, pessoas. Empatia é uma habilidade que impacta diretamente no mundo que deixaremos para nossos filhos e netos.
- Criatividade: sempre dou um jeito de abordar essa competência. Faz parte do meu top 10 porque a considero fundamental na resolução de problemas (especialmente em um ambiente de recursos limitados). Mais do que “inspirar” a criatividade em si mesmo ou estimular o seu desenvolvimento em alguém, é necessário entender o porque da sua importância. Criatividade é o combustível da inovação, mas ela necessita tanto de estímulo externo quanto interno e está intimamente ligada à curiosidade. Fazê-la aflorar é responsabilidade de cada um de nós.
- Capacidade de previsão: não é necessário ter algum poder mágico como Nostradamus. Enxergar tendências está ligada à capacidade de reconhecer padrões. Isto é algo que o nosso cérebro consegue fazer muito bem naturalmente. Mas precisamos “alimentá-lo” bem com informações e com a prática da análise crítica. Na minha opinião, um dos pontos fracos que nós, brasileiros, temos é a nossa pré-disposição aos dogmas. Não convém entrar em um debate sociológico das causas aqui, mas a verdade é que encaramos a maiorias dos assuntos como alternativas: direita ou esquerda; neoliberalismo ou desenvolvimentismo estatal; mercado autorregulado ou intervencionismo; enfim, a lista pode ser infinita. O fato comum em todas elas é que as vemos como alternativas e como tais, inconciliáveis. Este é um modelo mental que precisamos alterar.
- Instrução digital: envolve mais do que usar o computador (ou algum equipamento digital). Aprender a linguagem da programação permite uma ação mais ativa no nosso relacionamento com as máquinas.
- Curadoria de informação: em um ambiente cada vez mais sobrecarregado de informações, o “pulo do gato” é encarar essa realidade como uma oportunidade. Quem for capaz de lidar com o fluxo de dados e informações e conseguir filtrar o que é verdadeiramente valioso ou útil, tem uma vantagem imensa em relação aos demais.
- Navegar em diversas perspectivas: recentemente tive a oportunidade de conhecer os sócios da SuperUber, Liana, seu marido Russ e o sócio deles Tommy. Os utilizo como exemplo, porque a empresa deles é uma verdadeira tangibilização da habilidade da interdisciplinariedade. Conseguir navegar por vários conhecimentos e conseguir conectá-los de forma apropriada vai ser, cada vez mais, determinante para se manter relevante profissionalmente.
- Empreendedorismo: todos temos grandes ideias de tempos em tempos, mas conseguimos de verdade colocá-las em prática? Saber como implementar os seus impulsos criativos é o que separa os verdadeiramente inovadores dos demais.
- Virar um “facilitador” de grupos: não chamo esta competência de liderança para não restringir o seu significado. O ponto-chave aqui é o estímulo à colaboração. Não quero inferir que todo mundo tenha que “liderar”, ser um facilitador significa deixar mais fácil (desculpem a redundância) a criatividade “rolar”.
- Se manter informado: se você não lê as notícias do dia ou tira um tempinho diariamente para se informar a respeito do que está acontecendo na sua cidade, no seu país e no mundo, comece agora. Qualquer habilidade enferruja se não conseguimos enxergar como aplicá-la e saber o que acontece ao nosso redor é uma ótima maneira para desenvolver essa “sensibilidade” no olhar.
Para fechar esta série de posts, no próximo pretendo abordar como essas competências podem ser estimuladas em um ambiente formal de aprendizagem.









