Mobile Learning
novembro 25, 2011 § 1 comentário
PEQUENA INTRODUÇÃO
Antes de começarmos a “conversa” a respeito de mobile learning, vale a pena a gente falar um pouco a respeito de como funciona a nossa “cabeça”. Para inicio de conversa, mobile learning não está ligado a ensinar, está ligado a aumentar a possibilidade de aprender. Isso não é mero “jogo” de palavras.
Para explicar melhor, é aí que entra a necessidade de falar um pouco da nossa “cabeça”. O cérebro é muito bom em encontrar padrões, relativamente bom em monitorar execução e péssimo em operação de rotina. É nessa hora (da rotina) que a gente comete erros. Isso acontece porque não somos muito bons em lembrar de pedaços de informações de maneira arbitrária. Quem nunca tentou lembrar do nome daquele ator, que fez aquele filme, sobre naufrágio… qual o nome mesmo?
Então m-learning (para ficar mais simples) é muito bom para nos ajudar a fazer melhor o que o nosso cérebro faz mal. Ele ajuda a aumentar o aprendizado (e a nossa performance). Quem já teve a oportunidade de usar o smartphone no meio daquela conversa do bar para “lembrar” que o nome do ator do tal filme é Tom Hanks pode atestar isto.
Aparelhos digitais podem ser programados e usados para “lembrar” informações arbitrárias e responder de acordo com o “input” dado, de maneira segura, todas as vezes em que são acionados. Isso é uma grande vantagem.
WEB TRADICIONAL X MOBILE
Será então que para começar a usar o m-learning, basta adaptar o e-learning para o celular?
Não é bem assim. Lembre que a grande vantagem é aumentar o aprendizado. Pode até ser usado eventualmente como meio de entrega de aprendizado, mas a maior oportunidade gerada pelo mobile está em outro lugar. Estimular a colaboração no aprendizado, melhorar o acesso a consulta e levar dicas para melhorar a performance.
A mobilidade permite levar informação importante na hora em que a pessoa mais precisa dela.
Para ajudar a “clarear as idéias”, nada melhor do que exemplos do que tem sido feito.
O QUE ROLA POR AÍ…
O primeiro exemplo vem da Casa Branca, um dos gabinetes do Obama, que cuida de ciência e tecnologia, lançou um programa chamado Text4Baby, algo como “torpedo para bebê”. Nesse programa, futuras mamães podem se cadastrar para receber gratuitamente mensagens de texto no celular a cada semana de gestação, com dicas importantes para cuidar da saúde e do desenvolvimento do bebê referentes à semana de gestação em que ela se encontra. Fez tanto sucesso, que hoje o programa engloba também o primeiro ano de vida da criança.
Outro exemplo que também vêm dos EUA é da empresa SuddenLink, provedora de TV digital e internet. Cada um dos seus técnicos tem um smartphone com acesso à LMS da empresa. Quando está na casa do cliente, o técnico pode acessar o desenho esquemático de cada equipamento com as indicações de como montá-lo (com a opção de ajuda por voz durante o procedimento).
No Brasil, os maiores exemplos do uso do m-learning estão no meio acadêmico, mas em aplicações localizadas. São cursos de apoio para pós-graduações, com alertas em SMS para participação em conferências ou fórum via SMS para compartilhamento de idéias. Nacionalmente, ainda temos muita possibilidade para explorar.
QUAL O FUTURO DISSO TUDO?
Pesquisas mostram que o uso de internet móvel veio para ficar. Uma famosa feita pelo centro de pesquisa americano Educause, mostra que de 2008 para 2010 o número de estudantes que acessam a internet diariamente via seus celulares saltou de 10% para 43%. São 4 vezes mais pessoas dispostas a checar e relembrar informações de maneira móvel.
Downloads crescentes em apps stores mostram que aplicativos educacionais podem ser um caminho natural para o m-learning.
O ideal é começar com algum programa piloto. Não é necessário ter toda uma estratégia de mobile learning desenhada. A vantagem é que se pode começar aos poucos e ir incluíndo módulos ou funcionalidades de acordo com a necessidade.
O QUE FAZER DE CONCRETO?
Existe uma gama grande de possibilidades. Novamente, a melhor maneira de apresentá-las é via exemplos do que tem sido feito, mesmo porque não existe uma visão muito claro na cabeça da maioria das pessoas envolvidas em educação de uma forma geral do que é m-learning.
O que percebi de concreto dos exemplos que descreverei a seguir foi uma série de perguntas que cada organização fez e respondeu antes de colocar em prática a sua sugestão. São elas:
- Qual a necessidade?
- Por que mobile learning pode ajudar?
- Como pode ser feito?
- Qual benefício?
O primeiro exemplo se refere ao m-learning como forma de “aumentar o aprendizado”.
Foi implementado pela empresa de telecomunicações T-Mobile USA. Precisavam apresentar para lojas parceiras a nova estrutura definida de comissionamento. Usaram o m-learning porque os parceiros já possuíam aparelhos celulares.
A solução: ao final de um módulo de treinamento e-learning, o parceiro clicava em um link, incluía o seu número de celular e recebia o modelo da estrutura de comissionamento em seu próprio aparelho.
O segundo exemplo envolve o que vem sendo chamada de “entrega flexível” proporcionada pelo m-learning.
Foi implementado pelo Departamento de Defesa dos EUA em uma agência deles chamada BAA, que cuida de divulgação de informações. Precisavam de um sistema que enviasse imediatamente documentos de tarefas para as equipes de campo espalhadas em bases americanas no mundo todo. As informações eram muito variadas, indo desde informações de manutenção, passando por informações a respeito de novos procedimentos e chegando até aviso de passagem aérea emitida.
A solução: Foi desenvolvido um sistema e um aplicativo para celular que basicamente transforma qualquer tipo de documento (.doc, .pdf, .ppt) em um anexo que pode ser acessado via celular com acesso à internet. É preciso preencher no sistema algumas informações padrões, como descrição, remetente, destinatário e contexto da informação, que o destinatário recebe o aviso e acessa o que foi enviado direto no seu aplicativo.
O terceiro exemplo é o uso do m-learning como “apoio a um aprendizado formal”. Foi desenvolvido pela Kauffman Foundation, que é uma das maiores organizações do mundo voltada ao estímulo do empreendedorismo. O projeto em que estavam envolvidos consistia em melhorar o aprendizado de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (também conhecida pela sigla em inglês STEM) para crianças e jovens.
A solução: Foi criado um quiz via SMS relacionando os conceitos que deveriam ser passados a eventos esportivos (em especial futebol e baseball). Os usuários faziam um cadastro em um site criado para o projeto e recebiam perguntas. A cada resposta, recebiam um pequeno texto explicativo da resposta correta.
São pequenos exemplos que mostram que ao invés de uma solução fechada, o m-learning permite uma boa adaptação de acordo com a necessidade. Mas podemos perceber que as soluções sempre ocorreram como apoio informativo ou de reforço a algum outro tipo de atividade. Daí vem a constatação de que é uma ótima ferramenta para ser usada em aumento de aprendizado ou consulta.
ALGUMAS DICAS PARA COLOCAR EM PRÁTICA
Durante o tempo em que fiquei estudando o assunto, aprendi algumas recomendações para quem quer implementar a estratégia, que valem a pena compartilhar. Vamos a elas:
Tente simplificar no início: Não é necessário desenvolver inicialmente uma plataforma de m-learning, é possível alcançar um bom resultado com um projeto baseado em navegação web via browser do celular.
Não “venda” apenas como treinamento: Se der muita ênfase no aspecto treinamento via celular, pode ser difícil convencer a liderança da importância da ferramenta. Celulares e dispositivos móveis (handhelds) são muito bons em melhorar a produtividade e aumentar a eficiência de um funcionário (usados adequadamente), o aprendizado deve ser visto como uma adição ao uso do equipamento.
Vá aos poucos: Não é preciso desenvolver uma solução completa em m-learning desde o início. Comece por projetos pilotos, meça os resultados e vá acrescentando inovações e melhorias ao longo do caminho.
Levante os benefícios: Coloque na balança todos os pontos que fazem da solução de aprendizado móvel uma melhor opção em comparação com um e-learning tradicional.O mobile learning pode não ser a melhor opção em todos os casos.
A minha intenção com este texto foi apresentar mais uma opção de ferramenta de aprendizado. Que equipamentos móveis fazem parte do estilo de vida da maioria das pessoas hoje, não há a menor dúvida.
Usá-los para estimular algum tipo de aprendizado, neste contexto, é até um caminho previsível. O grande desafio, na minha opinião, é não cair na tendencia natural de usar uma nova tecnologia com base no funcionamento de uma tecnologia anterior. O exemplo clássico disso são as primeiras filmadoras, que não passavam de máquinas fotográficas mais rápidas.
O que quero dizer, é que o m-learning não deve ser visto apenas como um e-learning móvel e sim como uma ferramenta que pode levar o aprendizado para fora de uma tela de desktop ou notebook e para horários não convencionais (como por exemplo, a ida ou a volta ao trabalho). O que vale aqui é a criatividade da solução.
Cadeia de Valor do Conhecimento (parte 2)
agosto 20, 2011 § 1 comentário
Conhecimento nessa história
Para definir conhecimento a gente deve analisar todos os blocos que geram uma mudança de ação. Tem uma cadeia que descobri nas minhas pesquisas que ajuda a visualizar bem esses blocos. É a cadeia de valor do conhecimento que aprendi em um texto do site Information Impact.
O que diferencia cada bloco é o contexto onde ele está inserido. Um dado não vira informação se você não souber o que ele significa, uma informação não vira conhecimento se você não enxergar relevância nela e conhecimento não serve pra nada se não aplicá-lo de maneira apropriada.
Segundo este conceito, temos o conhecimento dividido em categorias:
Dados, são representações de fatos, com eles podemos acompanhar conscientemente algo que está acontecendo.
Informação, são dados com contexto, além de acompanhar podemos interferir no fato.
Conhecimento, é a informação com contexto, entendemos a relevância da informação e podemos criar algo a partir dela.
Sabedoria, é o conhecimento com contexto, aplicamos o conhecimento de maneira estruturada e replicável.
Qualidade no conhecimento
Como esse tipo de definição é um tanto quanto subjetivo, pensei em 3 componentes que ajudam a entender um pouco esse conceito. São estágios de maturação do conhecimento:
Definição do conhecimento: Representa a especificação do conhecimento. As premissas que vamos nos pautar para utilizá-lo. “Pra que isto serve?” é a pergunta padrão desse componente.
Conteúdo do conhecimento: É o conhecimento na sua forma mais prática. É o teor daquilo que queremos ensinar ou aprender, o passo a passo. O conteúdo determina a relevância do conhecimento, é a maneira como as pessoas determinam se vale a pena aprender ou não. “Como se faz?” é a pergunta que representa o conteúdo.
Apresentação do conhecimento: É a forma como o conhecimento é mostrado. Tem muita influência sobre o entendimento que os outros têm do conhecimento que está sendo repassado. A pergunta que se faz aqui é “qual a melhor maneira de se aprender isto?”. A apresentação também influencia a percepção da relevância do conhecimento.
São estes 3 componentes juntos que determinam a qualidade de um conhecimento. E nos ajudam bastante a “pescar” o que é útil dentro das inúmeras informações as quais temos acesso diariamente, é o que vai dar o contexto à informação.
Cadeia de Valor do Conhecimento (parte 1)
julho 29, 2011 § Deixe um comentário
O que pode ser considerada informação de qualidade? Qual o valor dos dados? O que é conhecimento afinal?
Essas perguntas, vez ou outra, acabam aparecendo na nossa cabeça. Principalmente quando nos deparamos com milhares de informações em uma simples pesquisa no Google. A qualidade da informação não é baseada simplesmente na qualidade do dado ou do fato. Está muito mais relacionada com a qualidade da forma como esse dado ou fato é comunicado, seja falado, em jornal, site da internet, manuais…
Isso acontece porque a qualidade da informação se refere diretamente ao serviço que ela presta. Pode ser tanto informações de produtos ou serviços que ajudam consistentemente os seus Clientes, quanto alguma ferramenta que vai ajudar a desenvolver uma habilidade específica que você precisa.
Mais do que isso até, qualidade da informação está também relacionada à capacidade de aprender com experiências passadas, nossas e dos outros, e modificar nossas ações com base nisto. Isso tudo na verdade é o que chamamos de conhecimento. Então, qualidade da informação está completamente relacionada ao conhecimento que ela gera.
Um exemplo sobre a diferença entre trabalhar com informação e com conhecimento me foi dada pelo ex-presidente americano Ronald Reagan. Contam os seus críticos que Reagan não era um homem muito chegado à leitura. Um de seus Secretários de Estado havia produzido um documento de umas 300 páginas sobre um assunto importante da época. Reagan olhou desanimado o calhamaço e perguntou se não havia algo menos denso. O secretário então o entregou o documento base que tinha 20 páginas. O ex-presidente então disse, “tenho que olhar o retrato como um todo (big picture, como os americanos gostam de dizer), me dê em 2 páginas”. O secretário, sem acreditar, ainda retrucou “2 páginas?!” e Reagan então finalizou “tem razão, me dê em 1”.
Tirando o susto que o secretário deve ter tomado, o ex-presidente tinha toda razão. Ele não precisava se debruçar em 300 ou 20 páginas. O que ele tinha que saber era apenas o conhecimento essencial que aquele documento gerava e não centenas de informações que não teriam tanta importância.
O conhecimento bem trabalhado e apresentado de maneira consistente e de fácil entendimento além de evitar perda de tempo, diminui a possibilidade de erros de interpretação ou priorização errada.
Ambiente e Aprendizado
junho 25, 2011 § Deixe um comentário
Ambiente do aprendizado
O ambiente exerce uma enorme influência no aprendizado (é formado pelas relações com a natureza e relações sociais e morais das pessoas que convivem nele). Determina a maneira como quem aprende se relaciona com o que aprendeu.
Se o ambiente impõe um único tipo de comportamento, gera o aprendizado por acomodação. Quem aprende por acomodação dificilmente analisa ou contesta o que aprendeu, apenas replica.
Já quem aprende percebendo o ambiente e m que convive e consegue se adaptar a ele, gera o aprendizado por assimilação. Geralmente quem aprende por assimilação transforma o ambiente onde está, porque procura o entender primeiro para depois buscar meios de melhorá-lo.
O aprendizado dos adultos acontece muito mais pelas oportunidades e circunstâncias do que por um passo a passo pré-definido.
O que motiva um adulto a aprender é a noção de utilidade que aquele conhecimento possa ter. Antes de “ensinarmos” qualquer coisa, é preciso inspirar as pessoas a repensarem as verdades que aprenderam em algum momento da vida e nunca mais questionaram. Temos que desaprender algumas coisas para abrir espaço para aprender outras.
Nesse momento “para quê?” vale mais do que “por quê?”. Quem ignora esta máxima está se arriscando a ter um bando de adultos completamente desinteressados no conhecimento que se quer passar ou na pior hipótese, irritados por estarem perdendo tempo.
Translearning (parte 2)
junho 5, 2011 § 1 comentário
PARA IMPLEMENTAR
O que deve ser feito na hora de implementar o translearning é evitar o efeito “muda-tarefa” na aprendizagem. Para isto, utilizar a força do aprendizado informal no ambiente formal é essencial.
Como vem sendo estudado e discutido em diversos locais, não há um único jeito de se fazer. O que vale é adaptar as melhores práticas a sua realidade.
Foi o que fizemos. O processo abaixo leva em consideração inúmeros outros processos, inclusive o de desenvolvimento de comic books. O que é preciso levar em consideração aqui são as etapas propostas.
Idéia / conceito /propósito: é o momento em que a idéia do projeto é concebida (o que será usado como trama para linkar os assuntos). É aqui que também deve ser feita a definição do propósito do aprendizado.
Planejamento mídia / aprendizado: aqui é a hora de fazer a definição da forma, das mídias que serão usadas e a timeline.
Estruturação (story crafting) e criação da narrativa (storytelling): este é um momento importante, é onde se faz a estrutura e desenvolvimento da história que será utilizada para passar o conteúdo necessário.
Desenvolvimento (materiais de aprendizado): hora de colocar a mão na massa e fazer o desenvolvimento da história nas midias definidas. A integração na plataforma educacional é feita neste momento, mas testes devem começar bem antes (a sugestão é já no planejamento mídia/aprendizado) para evitar surpresas desagradáveis de incompatibilidade.
Intructional Scaffolding: é literalmente construir um andaime, uma estrutura de suporte ao aprendizado para dar sustentação à implementação (tipo chat, fórum de discussão, etc.).
FECHANDO O PAPO
Quando algo novo aparece, em um primeiro momento fica difícil imaginar acontecendo. Quando algo muito, muito novo aparece, essa incerteza é dobrada. É nesse estágio que o translearning está hoje.
Mas uma coisa é possível afirmar: o aprendizado baseado na construção do conhecimento vai substituir o simples repasse de conhecimento. Isto, na minha visão, é um fato e explico o motivo.
A forma de se relacionar, pesquisar, interagir com o conhecimento mudou. É muito mais colaborativo. Basta ver o sucesso de redes sociais e wikis. Isso não vai parar e uma hora ou outra, vamos ter que repensar a maneira como “ensinamos”.
A maneira de aprender está mudando e quando ela efetivamente mudar, quem deixar para pensar no assunto só aí, vai estar muito, mas muito atrás em termos de geração de produtividade, propriedade intelectual e lucratividade. Lembre-se que estamos na idade do conhecimento e esse não é só um termo para livro de história.
Translearning (parte 1)
maio 28, 2011 § 1 comentário
QUE PAPO É ESSE?
Isso foi o que pensei quando ouvi pela primeira vez essa palavrinha (e provavelmente você também). Então lá fui eu procurar saber mais a respeito do assunto. O que encontrei é o que quero compartilhar aqui.
Para início de conversa, preciso avisar que esse assunto ainda é bem novo, mas está aparecendo como uma tendência muito forte para os próximos anos. Além disto, não há ainda um centro de referência e sim vários trabalhos que estão acontecendo em paralelo, em especial nas universidades de Washington (o estado, não a cidade) e da Catalunha, que inclusive promove um encontro anual desde 2008 para debater novas formas de se ensinar online (é o Open EdTech Summit).
Bom, sem mais delongas, translearning basicamente é a utilização de estratégias de transmidia, voltadas para aprendizagem. Ou como gostam de frisar, é um aprendizado informal utilizado em um ambiente formal. O que envolve pensar mais em estruturação e narrativa do que em planos ou minutas de aula.
PRIMEIROS PASSOS
O translearning acaba ficando um pouco no “meio do caminho” das formas mais tradicionais de ensino, conforme o mapa adaptado abaixo:
Esse tipo de aprendizado lida com 3 conceitos básicos de estratégias:
Personalização: flexibilizar o ensino de forma a integrar ferramentas que permitam o aluno (na falta de termo melhor para usar) a personalizar o seu aprendizado. Esta estratégia também é chamada de descentralização.
Conexão entre pessoas: usar as conexões e relacionamentos do próprio grupo para estimular o aprendizado (aí a importância da narrativa).
Plataforma: é o como ligar essa coisa toda. Checar se a plataforma educacional comporta os tipos de mídia que serão usadas, verificar as oportunidades de portabilidade a serem usadas ou se trabalhará com alguma solução open source para minimizar custos.
Por trás destes 3 conceitos está o conceito (sempre presente em translearning) de multi-tarefa.
TENDÊNCIA OU MODISMO?
Acredito na tendência.
Em um mundo repleto de multi-tarefas, o que se tem na maioria das vezes são “mudas-tarefas”, ou seja, se muda de uma tarefa para outra tão constantemente, que acaba-se não fechando nenhuma.
Por outro lado, cada vez mais os alunos (de novo, por falta de definição melhor) entendem o processo de aprendizagem como uma viagem por diferentes objetos de aprendizagem e não mais como algo preso a um único espaço. Com isso, se entediam facilmente em uma estratégia de aprendizado muito formal.
O translearning alinha a multi-tarefa em vários ambientes de aprendizagem e é isto, na minha opinião, que garante o investimento que vem sendo feito na discussão e estudo deste modo de ensino. Ou melhor falando, modo de conexão de aprendizagem.
Mas, vamos ver o que precisa ser feito para estruturar.
Este é um assunto para o próximo post.
Papo sobre andragogia
maio 13, 2011 § Deixe um comentário
Como essa história começou?
Em 1833, o professor alemão Alexander Kapp usou o termo pela primeira vez no seu trabalho “as idéias educacionais de Platão”, onde defendia a necessidade de continuar aprendendo durante a vida toda (“As idéias educacionais de Platão”, Alexander Kapp).
Mas o conceito se popularizou muito por conta de um outro estudioso, Malcom knowles.
Foi ele que desenvolveu os conceitos de palestra, workshop e dinâmica de grupo como forma de aprendizado para adultos durante os anos 1950.
Knowles definiu 5 premissas para a andragogia:
1. Conceito do eu: mudança de uma personalidade dependente para uma crítica.
2. Experiência: acumulo crescente de experiência como recurso de aprendizado.
3. Vontade de aprender: a vontade em aprender direcionando o desenvolvimento.
4. Orientação para o aprendizado: mudança de aprendizado apenas conceitual para aprendizado prático.
5. Motivação para o aprendizado: a motivação para aprender é interna.
Cada uma dessas 5 premissas marcam a diferença entre pedagogia e andragogia. É a passagem de “por que” e “para que” para “o que” e “como.
Essas premissas levaram a 2 “certezas”:
1. Que programas educacionais devem ser organizados com base em aplicação prática na vida.
2. Que a experiência do aprendizado deve ser organizada em categorias de desenvolvimento de competências específicas.
Segurando um pouco a marcha…
Essas 2 “certezas” são equivocadas na minha opinião por dois motivos:
Subestimam o aprendizado apenas por diversão ou interesse pessoal, que não precisa ter necessariamente aplicação prática na sua vida.
Ignoram que a experiência necessária para o aprendizado pessoal significativo é feita por associações de conhecimentos que muitas vezes não tem ligação direta entre si.
Andragogia deve ser entendida de outra maneira. Deve dar referências para as pessoas e ajudá-las a conectar estas referências com o que elas têm a volta.
Passa por 4 pontos pra mim:
1. Diagnostico das necessidades de aprendizado
2. Formulação de uma estratégia de aprendizado
3. Escolha e implementação das ferramentas apropriadas para o caso
4. Estimulo da conexão com a experiência de vida
A idéia é gerar gatilhos para o aprendizado, eventos que Estimulem a pessoa a querer aprender (já que a motivação é interna).
Os adultos não seguem necessariamente um passo a passo definido de aprendizado. Ele acontece muito mais pelas oportunidades e circunstâncias.
Modelo Mental – Lógica e Criatividade acelerando inovação (parte 2)
maio 5, 2011 § Deixe um comentário
A lógica nessa história
Recorrendo aos dicionários, a definição de lógica é:
“1. Modo de raciocinar tal como de fato se exerce: Lógica natural. 2. Estudo que tem por objeto determinar quais as operações que são válidas e quais as que não são: Lógica formal, que trata dos conceitos, juízos e raciocínios, independentemente de seu conteúdo.”
Qualquer que seja a definição, quando falamos de lógica, estamos nos referindo a padrões que seguem algum critério, que podem ser replicados e nos dão algum controle sobre o seu resultado.
Principalmente nos últimos 250 anos, a lógica teve papel fundamental nas grandes transformações pelas quais o mundo passou. Revolução industrial, organizações políticas, avanços tecnológicos… A lista é enorme.
A sua grande força é dar a segurança necessária para organizar e implementar consistentemente o conceito em questão.
E ninguém em sã consciência adere a nenhum modelo que não tenha a lógica como base.
No modelo mental, a criatividade (na sua criação e comunicação) e a lógica (para direcionar e relacionar a sua criação e comunicação) trabalham juntas e completamente integradas.
Criatividade e lógica na empresa
O primeiro passo pra desenvolver a criatividade integrada com a lógica no seu negócio é ter a liderança realmente comprometida em estimular um ambiente onde a criatividade esteja incorporada no dia-a-dia.
Sem deixar de direcioná-la com os parâmetros que a lógica traz. Como, por exemplo, determinando “em que isso vai ajudar?” Ou então respondendo “porque queremos inovar nesse produto ou serviço?” Obter melhores resultados e preferência do Cliente têm que ser os balizadores de qualquer processo de inovação.
O segundo passo é se despir de preconceitos e se vestir com um pouco de humildade para aceitar idéias de outras pessoas. Como Dee Hock (o criador do sistema VISA de cartões de crédito) dizia: “O problema não é ter idéias novas e inovadoras. E sim esquecer as idéias antigas”. Deixar de verdade a criatividade ajudar a empresa.
O terceiro passo é ter a coragem de abandonar o que não está mais dando certo. A identificação dos modelos mentais de quem está envolvido no processo de inovação permite que as pessoas construam pontes entre o que acreditam hoje e o que está sendo proposto
Concluindo…
A criatividade não é um recurso escasso. Nem a lógica um recurso incompatível. Mas a verdade é que a maioria das empresas se esforça, conscientemente ou não, para acabar com uma das duas. Promovendo uma queda-de-braço entre a criatividade e a lógica até uma não agüentar mais e tocar com o braço na mesa.
A solução? Associar a criatividade (escrevendo as idéias que teve) a um parâmetro lógico (priorizando as ações). A idéia é aproveitar o que tem de melhor no lado direito (da criatividade) e no esquerdo (da lógica) do cérebro da sua empresa.
Modelo Mental – Lógica e Criatividade acelerando inovação (parte 1)
abril 27, 2011 § Deixe um comentário
Criatividade
Todo mundo já ouviu ou falou alguma vez na vida: “puxa, que coisa criativa” ou “o filme teve um final surpreendente, muito criativo” ou então “vamos pensar de forma criativa…”.
Numa sociedade em que as mudanças acontecem em um ritmo cada vez mais rápido, criatividade virou peça fundamental em qualquer organização. Estimulada e desejada. Sem ela o que a gente faz acaba virando lugar comum – sem qualquer diferencial.
Ela é a mola mestra da inovação.
Inovação para nós é criatividade colocada em prática. Patrocinada por todos os que têm que implementar uma nova forma de atuar.
A pergunta mais comum que se faz sobre criatividade é “será que qualquer um pode ser criativo?”. A maioria das pessoas acha que criatividade é um “dom mágico” e que “aquele cara super criativo” é uma espécie de iluminado que já nasce com esse dom.
Na verdade não é bem assim que a coisa funciona.
Estimulando a criatividade
Pode parecer uma coisa meio maluca, mas uma das melhores maneiras de se estimular a criatividade para gerar inovação é alimentá-la com lógica. Gerar a criatividade de maneira estruturada e, sem medo de ser parcialmente sistematizada. Na verdade, estimular a criatividade é desenvolver métodos para pensar. Para aprender. Mas antes, desaprender. E criar o ambiente para que as pessoas façam disso parte da rotina.
Inovação tem que ser a canalização de criatividade via a modificação dos modelos mentais que regem as empresas.
O modelo mental
O que é isso?
Modelo mental, nada mais é do que a forma como você vê e entende um pedaço do mundo à sua volta. É o retrato do que você sabe. Esse retrato ajuda muito a compartilhar o que você pensa com quem vai ter que conviver com você.
As empresas têm modelos mentais que regem a atuação das pessoas que vivem nela.
Se as empresas se dispõem a mudar o modelo mental, cria-se um processo de liberar a capacidade conceitual de todos que nela trabalham, equilibrar a geração e organização de idéias e estimular o seu cérebro a trabalhar o lado criativo de uma maneira sistêmica.
Se for trabalhado dessa maneira, o modelo mental ajuda a transformar criatividade em parte do dia a dia das pessoas.
Com um processo sistêmico de reconstruir novo modelo mental fica mais fácil convencer pessoas descrentes a abandonar o seu modelo mental atual e embarcar em outro.
Peter Senge, que vive em função de ajudar as empresas a não parar de aprender, diz que planejar nada mais é do que fazer convergirem modelos mentais dos participantes do planejamento para um novo. O que todo mundo na empresa precisa enxergar e acreditar para andar no caminho de atingir as metas e a visão construídas no planejamento.
Para começar a trabalhar com modelo mental é só definir o assunto que você quer desenvolver e ir puxando tudo o que pode estar relacionado a ele.
Tudo começa como nas já famosas sessões de brainstorming (onde todo mundo se reúne em uma sala e vai falando o que vem à cabeça).
No brainstorming nascem idéias. No modelo mental nasce a capacidade de implementar idéias de maneira compartilhada.
O resultado do modelo mental é uma visão definida do conceito que você quer compartilhar.
Pronto o modelo mental, é só definir a melhor maneira de comunicar.
Pode ser um texto, um desenho, um gráfico… Ou todos juntos. O importante é que a essência do modelo mental tenha o poder de ser compartilhada com emoção.
Da Vinci e a gente
abril 21, 2011 § 1 comentário
Escrevi este texto há uns 7 ou 8 anos. Relendo, o achei ainda atual e resolvi postar. Me influenciou bastante na época.
Uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade foi sem dúvida Leonardo Da Vinci. Além das obras de arte e das brincadeiras que podemos fazer com o seu nome, o que ele nos deixou vai muito além de mero valor histórico. Segundo o livro “Aprenda a pensar com Leonardo Da Vinci”, escrito por um cara chamado Michael Gelb, o modo como ele conduzia a sua vida pode nos ajudar e muito no nosso dia-a-dia. Tanto na vida quanto nos negócios.
7 passos que levam longe – Curiosità, Dimostrazione, Sensazione, Sfumato, Arte/Scienza, Corporalità e Connessione a primeira vista podem não parecer muita coisa, principalmente escritas no italiano. Mas, fazem muito sentido se colocadas no contexto certo.
Curiosità
Significa curiosidade, é a busca incansável do conhecimento. Começa quando somos crianças. Mas de verdade, quantos de nós continuamos sendo realmente curiosos durante a vida? Passamos muito tempo procurando encontrar as “respostas certas” e nos esquecemos de avaliar se estamos fazendo “as perguntas certas”. Você sabe do que o seu Cliente precisa de verdade? Atende do jeito que ele quer? Procura fazer alguma coisa realmente inovadora? Curiosità nos negócios é o que determina se você será ou não igual a todo mundo. O que você prefere ser?
Dimostrazione
Testar o conhecimento pela experiência e aprender com isso. “Renascimento” de verdade é questionar as suas próprias idéias antes de questionar a dos outros. Na prática é analisar a sua experiência (Qual foi a mais marcante da sua vida? Como pode te ajudar a fazer o melhor ou não repetir o pior para os seus Clientes?), pensar nas suas idéias sob 3 pontos de vista (a favor, contra e o que os outros pensam) pra sedimentar os seus argumentos e por fim, aprender com os seus próprios erros (o que faria diferente se não tivesse medo de errar?).
Sensazione
Para Da Vinci, uma das coisas que mais faziam a diferença. É refinar os sentidos para tornar a experiência mais vívida. Você olha e vê o que o seu negócio precisa? Ouve e escuta o que os seus Clientes têm a dizer sobre o que você faz? Tem sensibilidade para perceber e avaliar se os aromas que o vento do mercado leva até você são mais uma ação especulativa ou não? Sente o paladar que as suas atitudes como líder deixa na boca da sua equipe? E talvez o mais importante, tem a percepção de como tudo isso afeta a sua marca?
Sfumato
Literalmente esfumaçado. Aceitar a incerteza, a ambigüidade… Principalmente nesses tempos em que a mudança é uma realidade que não pode ser escondida atrás da peneira. É preciso aprender a reconhecer e a lidar com o inesperado. Mudança significa oportunidade e não ameaça. Mas para entender e aceitar isso é preciso muitas vezes se despir de preconceitos e quebrar, de verdade, paradigmas. E o primeiro passo é fazer isso na nossa cabeça. Como está a sua?
Arte/Scienza
Equilíbrio entre lógica e imaginação. Usar os 2 lados do cérebro, pegando o melhor do lado direito da criatividade e do lado esquerdo da lógica. Como
se faz isso? Sei que até existem exercícios próprios para desenvolver os dois lados. Mas, o melhor mesmo é usar os talentos que temos conosco no negócio e dar aquela força para desenvolvê-los. Contam que “Talento” era o nome de uma moeda de ouro muito utilizada e valorizada nos tempos do Império Romano. Afinal, quem são os tesouros que você tem com você?
Corporalità
É a boa forma física e o equilíbrio entre mente e corpo. Todos sabemos das vantagens que exercícios e alimentação nos proporcionam, mas você sabe o que alimenta e deixa o seu negócio mais forte? Perceber e mostrar o que temos de bom é uma vantagem competitiva que pode ser determinante no relacionamento com os Clientes. O que só você faz que ninguém mais faz?
Connessione
Pensar globalmente. Reconhecer a interconexão de todas as coisas e fenômenos. Por mais que os Bushs e Blairs da vida teimem em não aceitar, tudo o que acontece no mundo hoje influência o dia-a-dia dos nossos negócios. O que fazer para minimizar esses impactos? Michael Jordan, um dos maiores esportistas de todos os tempos, disse que ele não acertava apenas a bola na cesta. Ele conectava a bola na cesta. Existe uma diferença muito grande aí. Pra conectar a bola na cesta, ele precisava estar ligado no público, na sua posição na quadra e na posição dos seus companheiros e adversários na quadra. Dependendo de tudo isso, ele conectava ou dava um passe para o companheiro conectar a bola na cesta.
Então, quem são os companheiros, os adversários, o público e a quadra do seu negócio?
Leonardo Da Vinci foi responsável, direta ou indiretamente, por muitas das transformações que o mundo passou nos últimos séculos. A sua influência veio na verdade das atitudes que ele tomava no seu dia-a-dia e que foram no decorrer da sua vida, determinantes para o modo como o seu trabalho foi visto.
E você? Como quer que o seu trabalho seja visto daqui pra frente? Isso vai influenciar e muito na maneira como o seu negócio vai ser visto pelo mercado.




