Jogos e habilidades
março 24, 2015 § Deixe um comentário

A Lumosity é uma organização que pesquisa a performance cognitiva através de jogos online. Uma de suas pesquisas relacionou a profissão dos jogadores com a sua performance em 10 jogos pré-selecionados que cobriam 10 habilidades cognitivas específicas. 85 mil pessoas compartilharam a informação a respeito de sua ocupação e toparam participar.
Os pesquisadores descubriram que a habilidade usada diariamente no trabalho beneficiava a performance em jogos cuja mesma habilidade era necessária. A máxima de que o treinamento leva à perfeição é corretíssima. O resultado da pesquisa corrobora com a ideia de que vale a pena investir em aplicação de atividades durante o tempo presencial em sala de aula e deixar o repasse de conteúdo para um ambiente não-presencial. Ou inverter o princípio de Pareto e usar 20% do tempo para repasse e 80% para atividade.
Sobre a pesquisa, alguma das correlações jogo/profissão que tiveram melhores performances:
Jogo “Word Bubbles Rising” e profissionais de mídia e comunicação: o jogo estimula a fluência verbal do participante, que deve rapidamente indicar uma lista de palavras relacionadas.
Jogo “Eagle Eye” e militares: o jogo desafia a atenção visual, estimulando o participante a controlar um pinball cujas alavancas desaparecem.
Jogo “Raindrops” e profissionais do mercado financeiro: o jogo desafia a habilidade de cálculo numérico.
Quem se interessar pela pesquisa, pode acessar informações em http://blog.lumosity.com/turning-numbers-into-knowledge/
Diversão + educação
março 23, 2015 § Deixe um comentário

Em 2013, um programa de TV mostrou a “intimidade” de Bill Gates. Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a forma como ele usava o seu tempo livre. Ao invés de partidas de golfe, o bilionário mostrou uma coleção de centenas de DVDs com palestras de cientistas e intelectuais.
Assim como Bill Gates, várias pessoas com tempo e dinheiro para gastar têm preferido atividades que as desafie intelectualmente, procurando o que o mercado tem chamado de Edutainment. As famosíssimas palestras do TED estão aí para confirmar. O interessante é que até alguns anos atrás, o Edutainment era encarado apenas como uma tendência e agora recebe artigo até no The New York Times, como o publicado neste final de semana.
http://www.nytimes.com/2015/03/20/education/turning-to-education-for-fun.html
Isso significa que o que era uma tendência, está se tornando lugar comum e pode beneficiar desde novos negócios até a forma como “investimos” em nossa educação. Sobre isto, acrescento que a educação informal tem ganhado cada vez mais espaço na lista de interesses de muita gente e pode ser tão importante daqui pra frente quanto um diploma de educação formal, porque além “mostrar” os interesses pessoais de alguém, demonstra atitudes como iniciativa, curiosidade, capacidade de organização, criatividade e é uma prova de desenvolvimento de pensamento crítico.
Conectando o conhecimento com o Twitter
março 21, 2015 § Deixe um comentário
Nada mais natural do que uma rede social ajudar a conectar o conhecimento. O próprio Twitter dá dicas de como pode ser feito. Abaixo, algumas delas:
- Bibliotecas: O bibliotecário Matt Anderson divulgou uma lista com as melhores bibliotecas para serem seguidas ( libraries to follow ). A dica é começar com “mamutes” com a Biblioteca do Congresso Americano, uma das maiores do mundo para quem se interessa por história ( Library of Congress ).
- Museus: A dica é seguir aqueles mais relacionados aos seus interesses pessoais ou aos assunto que ensina. O site sugere o Smithsonian que “cobre” várias especialidades.
- Revistas e Organizações jornalísticas: Ciências e geografia, a super-conhecida National Geographic. Para notícias, sugiro a do seu jornal preferido. O Twitter dá como referência organizações estrangeiras como The New York Times e PBS.
- Universidades: A dica é seguir a faculdade em que você se formou, ou como chamam nos países de lingua inglesa, alma mater, e encorajar os estudantes a seguirem as instituições que tenham interesse em cursar. Isto permite que tenham uma visão geral da vida universitária e de todas as oportunidades culturais, sociais e de pesquisa que vêm junto.
5 dicas para estimular a criatividade em ações educacionais
março 20, 2015 § Deixe um comentário

Tornar a ação educacional (ou a aula) mais criativa, não gera tanto trabalho quanto se pode imaginar. Na verdade o deixa mais prazeroso para todos. As dicas foram compiladas pela organização Edudemic e foram motivadas pela constatação de que desenvolver uma habilidade específica não é mais suficiente, ao passo de que desenvolver a criatividade (e de quebra a habilidade de adaptação) é o que prepara um estudante para a “vida depois da escola” (reforçando que o foco da Edudemic é a educação básica).
Se ainda não estiver convencido da necessidade, saiba que a palavra “criativo(a)” foi o terceiro termo mais utilizado no site Linkedin nos 2 últimos anos (só ficou atrás de “responsável” e “estratégico”).
1. Não limitar exercícios a um único formato: apenas indique o assunto, deixe que definam como o assunto será apresentado. Alguns podem ser mais criativos desenvolvendo um vídeo ou uma história em quadrinhos do que uma redação.
2. Disponibilize mais tempo para a criatividade: aqui vale a conhecida máxima de Pareto (80/20), deixe a maior parte do tempo dedicada a encorajar os “alunos” a explorar novas ideias. Atenção, é necessário disponibilizar alguma ferramenta (crayons, argila, notebook, tablet ou acesso à biblioteca ou internet).
3. Use a tecnologia para alargar a visão do conteúdo: saber usar as ferramentas tecnológicas é tão importante quanto criatividade. Que tal ensinar pesquisa via site de buscas ou misturar história e geografia em uma navegada pelo Google Maps? Estimule que tomem a liderança no próprio aprendizado sugerindo que façam blogs ou vídeos a respeito dos assuntos estudados. Um bom exemplo vem dessa escola estadual em Campo Grande, MS: http://eearthurvdias.blogspot.com.br/
4. Apresente materiais não-convencionais de aprendizado: revistas em quadrinhos, pinturas conhecidas, operas, etc. podem ser excelentes materiais de aprendizagem. Basta conectá-los adequadamente com o conceito/conteúdo que se quer passar.
5. Encoraje o debate: debate gera engajamento e envolvimento com o tópico debatido. Não e à toa que é usado desde a antiguidade como método de ensino. Para quem quiser utilizar o debate socrático, fica a dica de um vídeo exemplificativo (https://www.teachingchannel.org/videos/bring-socratic-seminars-to-the-classroom ).
Tirando a questão do acesso à internet, o restante é basicamente offline. Minha sugestão é não se deixar desmotivar por conta de infraestrutura, boa parte dos próprios alunos (independente da classe social) possui alguma forma de acesso online, utilize o que estiver disponível, mesmo que seja pessoal e não institucional.
Sexy Creativity
março 19, 2015 § Deixe um comentário
Uma pausa para relaxar (ou como diz o slogan de uma marca de café que gosto, “una pausa di piacere”)…
Não é novidade que criatividade é sexy, pessoas do mundo inteiro a colocam como uma qualidade altamente desejável em um parceiro. Mas não são todas as formas igualmente atrativas.
Por exemplo, enquanto a prática esportiva é listada em uma pesquisa da revista Scientific American como a atividade criativa mais sexy (é a número 1 no “top 10”), criar campanhas publicitárias é vista como a menos sexy (é a número 1 no “down 10”, para o horror dos Don Drapers).
Quem quiser se divertir um pouco com as listas: http://blogs.scientificamerican.com/beautiful-minds/2014/12/16/what-forms-of-creativity-turn-you-on/
Nova sala de aula
março 18, 2015 § Deixe um comentário
O “New Classrooms” é uma organização com princípios parecidos aos do “Flipped Classrooms”. Ambos dão um enorme valor à interação um a um entre professor e aluno. É a melhor forma de um conhecer o outro e do professor perceber a melhor maneira de estimular o aprendizado. Cada aluno tem sua própria “playlist” (é como chamam o plano de aula individualizado) e trabalha orientado pelo professor. Novamente, como no Flipped Classrooms, o tempo de aula é usado para a prática de trabalhos.
Vale a pena assistir aos vídeos explicativos do conceito:
http://www.newclassrooms.org/reimagine.html
É importante salientar que esse método não é novo. Foi pensado e colocado em prática há mais de 100 anos pelo John Dewey, que teve uma vida profissional muito ativa, que vai dos anos de 1870 até os anos 1950 (trabalhou até o final da vida, aos 92 anos). Para quem quiser reconhecer a sua influência, é a força conceitual por detrás do método de palestras e workshops, usados até hoje em educação corporativa.
Educação e Inovação (ou conhece-te a ti mesmo)
março 17, 2015 § Deixe um comentário

No último mês tenho publicado inúmeros posts a respeito de modelos educacionais, estudos e pesquisas, principalmente cognitivas e comentários a respeito de livros e casos. Penso que vale fazer uma “amarração” em tudo isto.
Educação hoje é vista como uma panacéia, é tanto a causa de todos os problemas, como a solução para todos os males. Repetidamente escutamos que o caminho para o Brasil é investir em educação e que a nossa atual, é de baixíssima qualidade. Confesso que estes mesmos argumentos foram a razão pela qual comecei a me interessar pelo tema, há uns 9 anos. Esse tempo me permitiu tirar algumas conclusões próprias e que gostaria de compartilhar (prometo que tem a ver com a tal “amarração” que comentei no parágrafo anterior).
Em primeiro lugar, investimento em educação não é fácil. Todos têm suas próprias convicções em relação aonde o dinheiro deve ser posto, o retorno demora a aparecer (certamente não em um ciclo eleitoral), é difícil medir esse retorno (porque envolve indicadores tão diferentes quanto comparar banana com maçã) e a área é um enorme “telhado de vidro” (basicamente dá para se criticar tudo o que é feito).
Se olharmos para um período de 20 anos, podemos perceber certa evolução: aumentou-se as exigências em relação à formação de professores (mestrado é exigido como premissa, pelo menos no ensino superior), aumentou-se o número de estudantes (descontado o aumento populacional, ainda assim temos mais gente matriculada e em mais níveis sociais do que antes), aumentou-se a oferta (mais instituições de ensino, pelo menos em termos de unidades) e se tornou mais abrangente a consciência da importância do tema (dificilmente encontraremos alguém desdenhando da necessidade dos “estudos”).
Certamente em termos quantitativos e de conscientização temos o que mostrar. A coisa começa a mudar de figura quando somos comparados qualitativamente com outros países. Nossa qualidade não é boa, apesar de saber que em alguns países que estão a nossa frente, a percepção interna da qualidade da sua própria educação não é das melhores (pelo menos nos EUA, onde tenho mais contato). Voltamos ao “telhado de vidro” que comentei anteriormente. Sim, temos que melhorar nossa qualidade. Mas, como?
Entra a minha segunda conclusão: educação, por si só, não gera crescimento ou inovação. Antes de ser crucificado, deixem-me fazer um adendo: o que é educação? É disponibilização de conhecimento? É abrangência cultural? É tempo de estudo? É aplicação prática? É comportamento social? Na minha opinião é tudo isso e mais uma coisa fundamental, desenvolvimento de pensamento crítico.
Digo fundamental, porque sem o pensamento crítico não é possível usar nossa “educação” para gerar inovação (e de quebra, crescimento) pelo simples motivo de que sem ele, não é possível conectar o conhecimento. É o pensamento crítico que permite usar a equação matemática aprendida na 5ª série, juntar com o conceito aprendido no segundo ano de faculdade, com o tema da tese de mestrado, aplicar na necessidade do “mercado” e criar a sua próxima patente.
E o que é o pensamento crítico? É a sua capacidade de análise, de reflexão, de abstração, de “pensar” criticamente em algo, tirar suas próprias conclusões e perguntas e depois, focar no “como?”.
Vamos para minha terceira conclusão: pensamento crítico não se ensina. Não se ensina em casa, não se ensina na rua e não se ensina na sala de aula. Pensamento crítico se estimula. E como se estimula? Promovendo debates, trabalhos em conjunto, troca de ideias, discussão (civilizada) de pensamentos opostos. Estimulando o auto-conhecimento (quem sou, do que gosto, como aprendo) e aceitando o resultado desse auto-conhecimento como legítimo (porque afinal de contas, é legítimo). Esse deveria ser o critério qualitativo da educação brasileira: “consigo estimular o pensamento crítico e a conexão do conhecimento”?
Agora vamos à “amarração” prometida. Tudo o que venho publicando no último mês faz parte de um esforço pessoal de “colocar pra fora” o que está na minha cabeça. Outro dia, um amigo me ensinou um conceito fantástico, “Nosce te Ipsum”, que significa conhece-te a ti mesmo (Armando, se estiver lendo esse post, fica mais uma vez o meu obrigado). É somente conhecendo a nós mesmos que podemos entender o que queremos e podemos fazer. E para mim, meu “nosce te ipsum” está ligado à crença de que ensinar é aprender e aprender é do seu jeito.
Sei que um post de blog não deveria ser tão longo, peço desculpas preventivas pelas mais de 700 palavras, mas a justificativa é que realmente não consegui resumir em menos.
De ponta-cabeça
março 16, 2015 § Deixe um comentário

Dando continuidade ao post anterior, 10 recursos gratuitos para quem quiser dar um “upgrade” em seus materiais educativos (ou dar uma “flipplada”). Cortesia da Edudemic:
Flipped II
março 16, 2015 § Deixe um comentário
O modelo se baseia na troca de prioridades em relação ao que se faz em sala de aula. Ao invés de usar o tempo para “passar” a matéria, ele é usado para atividades colaborativas, enquanto o conteúdo é passado por meio de videos online, que o aluno assiste fora do horário de aula.
A vantagem está em possibilitar um tempo bem maior para a aplicação prática do conteúdo (lembre-se do post a respeito dos pontos que motivam um estudante). Pesquisas mostraram que com o modelo, se reduziu o número de reprovações em inglês (de 50% para 19%), matemática (de 44% para 13%) e casos disciplinares (de 736/semestre para 249/semestre) em um colégio piloto em Detroit.
Flipped Classrooms
março 15, 2015 § Deixe um comentário
“Flipped classrooms” é um conceito desenvolvido pela organização Edudemic, para ajudar a melhorar a dinâmica das ações educacionais. Vale conferir:


